Filosofia, uma dentada de cada vez (15)

Qual é o Erro dos Quatro Termos?

Qual é o Erro dos Quatro Termos?

Hoje iremos estudar a primeira das oito regras do silogismo categórico.

Regra n.º 1: Num silogismo apenas três termos podem estar presentes, o maior, o menor e o médio. (Todo o silogismo contém somente três termos: maior, médio e menor). Quando aparecerem mais do que três termos será impossível chegar-se a qualquer conclusão. Cometemos então o erro dos quatro termos (em Latim, “quaternio terminorum”).

Vejamos o seguinte exemplo:

Todos os cães são animais (todo o A é B).

Todos os gatos são mamíferos (todo o C é D).

(Não há conclusão possível).

Neste exemplo, não existe nada que ligue qualquer dos termos entre si: não existe o termo médio. Não podemos chegar a qualquer conclusão.

Poder-se-á dizer: “Bem, o erro é bastante óbvio, não é?”. De facto, é óbvio que sem um termo médio não podemos chegar a um silogismo. Mas, no entanto, isto acontece na vida real.

Por exemplo, acontece com o seguinte caso:

Todas as cabeças têm um cérebro.

Os alfinetes têm uma cabeça.

Logo, os alfinetes têm cérebro.

Este silogismo quebra a primeira regra. Porquê? Não existe um termo médio (“cabeça”)? Oh, sim, mas há um problema. Porque a “cabeça” na primeira premissa não tem o mesmo significado da “cabeça” na segunda premissa. O silogismo só pode ser correcto se o termo médio for empregue com o mesmo significado em ambas as premissas. Não pode ser usado com ambiguidade (este facto também é chamado de “equívoco”). É um exemplo de falácia (erro) dos quatro termos.

Aqui temos mais um exemplo:

O touro muge.

Touro é uma constelação.

Uma constelação muge.

E aqui em que consiste o problema? É a palavra “touro”. Tem significados diversos nas duas premissas. Os demagogos, muitas vezes, usam este tipo de raciocínio falacioso (enganador).

Um outro exemplo:

O que é raro é valioso.

As joias baratas são raras.

As joias baratas são valiosas.

Aqui o termo ambíguo é “raro”.

A falácia (ilusão) dos quatro termos aparece em piadas e trocadilhos.

E porque é que ocorrem ambiguidades? Uma razão de peso é que muitos dos termos que usamos não são unívocos (unívoco = possuir um único e simples significado). Muitos dos termos que usamos têm diversas possibilidades de significado – possibilidades de interpretação – (são termos analógicos) ou possuem em si significados completamente diferentes (são termos equívocos – ambíguos). É importante ter-se estes factos presentes na nossa mente sempre que escrevemos ou falamos.

Acontece muitas vezes duas pessoas estarem a discutir ou a brigar por qualquer coisa, e quando lhes pedimos para definirem os termos empregues verificamos que estão a usar as mesmas palavras, mas com significados diferentes. E muitíssimas vezes também descobrimos que na realidade concordam com os pontos básicos da discórdia.

Por ouro lado, duas pessoas podem aparentemente parecer ter acordado em um qualquer caso, mas, por não terem definido claramente os termos do acordo, surjam mal entendidos (desentendimentos).

Acabámos de estudar a primeira regra do silogismo categórico. Ela mostra-nos o quão importante é a lógica!

Pe. José Mario Mandía

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