Domingo é Dia Mundial das Missões

DOMINGO É DIA MUNDIAL DAS MISSÕES

Entregues à Palavra de Deus.

Este Domingo celebra-se o Dia Mundial das Missões em todo o mundo. Na ocasião, os cristãos renovam o seu compromisso missionário. A’O CLARIM, os padres Daniel Ribeiro, Ryan June Real e José de Miguel Fernández partilham experiências sobre os momentos mais marcantes da sua vida missionária na Ásia.

«Ser missionário é poder vivenciar a Providência Divina, agindo além das minhas limitações, e uma possibilidade concreta de contribuir com a obra evangelizadora realizada pela Igreja», disse o padre Daniel Ribeiro, natural do Brasil, a propósito do Dia Mundial das Missões, instituído pelo Papa Pio XI em 1926.

Missionário desde Agosto de 2013, o padre Ribeiro passou quatro meses nos Estados Unidos para estudar Inglês e igual período de tempo nas Filipinas para preparar o início da missão da congregação dehoniana na China, seguindo-se vinte meses em Hong Kong, onde aprendeu Chinês, antes de chegar a Macau em Abril de 2016.

Um dos episódios mais marcantes da vida missionária coincidiu com o dia do seu aniversário, a 2 de Abril de 2015, ao celebrar a primeira missa em Chinês. «Quando fui convidado para ser missionário na China, em Agosto de 2012, alimentei e pedi a Nossa Senhora a graça de celebrar, pelo menos, uma missa em Chinês. Durante os meus estudos, principalmente nos momentos mais difíceis, era este sonho que me ajudava a perseverar», lembrou o sacerdote.

Até que os colegas de curso e professores resolveram marcar a primeira missa em conjunto: «foi justamente no dia do meu aniversário… Ser convidado a presidir à missa, celebrada na minha casa, foi como um grande carinho de Deus para comigo».

Outro momento marcante surgiu mediante um convite para tomar um café da manhã com alguns chineses. «De repente, um deles convidou-me para ser o seu padrinho de baptismo. Este convite foi especial porque foi o meu primeiro afilhado fora do Brasil», recordou o padre Ribeiro, vigário paroquial na Sé Catedral, capelão da Universidade de São José, confessor no Seminário Diocesano e director espiritual do Grupo de Escuteiros Lusófonos de Macau.

De acordo com o padre Ryan June Real, da Sociedade de Nossa Senhora da Santíssima Trindade, «ser missionário não é estar apenas no terreno, mas é ter como missão a conquista do coração das pessoas».

No seu caso, o espírito missionário foi-se desenvolvendo ao longo do tempo. «A minha primeira vocação foi a de ser contemplativo, mas é preciso dizer que foi no período da formação seminarista que desenvolvi dentro de mim o espírito missionário. E uma coisa que me apercebi, ao ser missionário, é que se consegue conquistar mais pessoas e mais almas para a Igreja. Julgo que é a própria missão da Igreja, a de conquistar almas e proclamar a Boa Nova de Cristo», descreveu o padre filipino, que em Dezembro de 2016 chegou a Macau, onde teve a primeira experiência missionária fora do seu país.

«Tem sido gratificante e um enorme desafio, dado que a população católica ronda os dois por cento e há liberdade religiosa. O trabalho é redobrado porque num país ou território progressista as pessoas raramente ouvem os missionários», referiu.

 

Formação de jovens

O padre José de Miguel Fernández, superior da comunidade dominicana em Macau, está «preocupado com a formação dos jovens que vão integrar a futura missão» da Província de Nossa Senhora do Rosário nas nações em que estão presentes.

«Temos que ensinar os jovens com matérias de Teologia; em como ajudá-los a se prepararem para serem os verdadeiros portadores da Boa Notícia de Jesus, como missionários. Obviamente, o meio ambiente e a cultura também são importantes», frisou o sacerdote, que desde muito cedo emergiu «num ambiente muito cristão» no seio da sua família.

«Foi para mim realmente fácil entregar-me aos estudos, que me facilitaram e permitiram continuar, e ingressar nesta vida de missionário, até porque na minha família havia seis ou sete pessoas que queriam ser dominicanas», realçou o padre Fernández, natural de Espanha, e que antes vir para Macau esteve na Irlanda, Alemanha, Itália e Filipinas, transitando depois para o Chile, onde esteve vinte e oito anos.

No seu entender, a missão dominicana em Macau «é muito especial» por ser uma espécie de missão silenciosa. «Limito-me a ajudar os jovens na vida religiosa, nas suas dificuldades, na formação sacerdotal e em partilhar o meu testemunho», sublinhou o padre Fernández, que durante trinta anos ensinou Antropologia Cultural e Religiosa.

 

Compromisso com a Igreja (Caixa)

A diocese de Macau assinala amanhã, pelas 19 horas e 30, no Seminário de São José, o Dia Mundial das Missões, com um momento de oração e reflexão sobre a História da Igreja missionária.

«No calendário da Igreja o mês de Outubro é chamado “mês missionário”, por causa de uma celebração muito especial: o Dia Mundial das Missões», disse a’O CLARIM o padre Manuel Machado.

«O mês inicia-se com a celebração litúrgica de Santa Teresa do Menino Jesus, proclamada “Padroeira das Missões”, porque com a sua oração e sacrifício participou na missão evangelizadora da Igreja enviada por Deus a todas as gentes para ser o sacramento universal de salvação», acrescentou o chanceler da diocese de Macau e pároco da igreja de São José Operário.

Na mensagem deste ano «o Papa Francisco recorda essa identidade: “a missão no coração da fé cristã”», vincou o padre Machado, dado que «a Igreja é, por sua natureza, missionária», porque «se assim não for deixa de ser a Igreja de Cristo».

PEDRO DANIEL OLIVEIRA

pedrodanielhk@hotmail.com

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