A música como fonte evangelizadora, Lugar de culto e oração

Hinos de louvor

Hinos de louvor.

A música ocupa um lugar privilegiado no nosso dia-a-dia, transportando-nos muitas vezes no tempo; liga-nos a momentos que despertam em nós sentimentos, por vezes adormecidos, nostálgicos e marcantes das nossas vidas. A música é um verdadeiro palco de emoções – alegria, tristeza, paz… No campo espiritual, a música é capaz de elevar-nos, transforma a nossa oração e amplia o nosso amor por Deus. Quando louvamos a Deus pelo canto e pela música, louvamos sempre com emoção. Como disse Santo Agostinho, «quem canta, reza duas vezes».

A música popular anglo-saxónica, que domina no planeta a indústria musical, foi catapultada no século XX por bandas inglesas como os pioneiros The Beatles. Os talentos britânicos trouxeram ao mundo grupos famosos e lendários do rock, como Rolling Stones, The Who e Pink Floyd. A rádio e a televisão ajudaram a difundi-los, tendo estes contagiado milhões que se tornaram fãs e mensageiros das gerações futuras.

À parte dos excessos, vícios e estravagâncias, cada banda tinha o seu carisma, e muitas delas cresceram pelo seu trabalho genuíno, unido a uma musicalidade própria.

Muito se tem escrito sobre a conhecida música Pop-Rock, que faz parte do universo popular, hoje diversificada em muitos ramos. Nota-se que actualmente esta vertente musical tem vindo a transformar-se numa grande máquina de produzir músicos e bandas, quase fabricadas em laboratório, com intuitos que servem apenas interesses económicos e ideológicos de minorias que dominam o mercado global. As letras das músicas, a apresentação estética dos artistas e das bandas, o abuso e exagero da exposição do corpo da mulher, entre tantas outras coisas, nada – como sabemos – é feito de modo ingénuo.

Por vezes, damos conta de nós próprios e dos nossos filhos a imitarmos estas “criadas” celebridades, cantarolando músicas e letras que, algumas delas, “envenenam” as nossas almas, num mundo que caminha para o abismo social, económico, ecológico e religioso. Jesus, no domínio religioso, advertiu-nos: «Mas, quando o Filho do Homem voltar, encontrará a fé sobre a terra?» (Lc., 18:8). É preciso perseverança na fé, e assim, encontremos conforto nas palavras do apóstolo Paulo: «Onde aumentou o pecado, superabundou a graça» (Rm., 5:20).

Muitos músicos procuram apenas a fama, o prestígio, a glória deste mundo que é apenas uma passagem – um abrir e fechar de olhos, comparado com a eternidade que Deus nos oferece ao Seu lado.

Quando soube que Lázaro estava morto, o Senhor chorou porque amava aquela família – assim como nos ama a todos – e por amor o trouxe de volta para a vida, um milagre que espera fazer em muitos de nós, que sentados no túmulo do pecado, surdos pelo grito do mundo, não ouvimos a voz doce de Cristo que nos chama para fora da escuridão e do engano. Por vezes, esperamos ser nós próprios “o milagre” nas nossas vidas. Incrédulos, muitos se afundam na tristeza, no desespero e na depressão, pois sem Deus a felicidade é uma escalada rumo a um pico alto e inalcançável. Porquê? Porque fomos criados por Deus e para vivermos em comunhão com Ele. Fora desta comunhão e intimidade estamos em comunhão com o mundo que jaz no maligno. «E bem sabemos que somos de Deus, ao passo que o mundo inteiro está sob o poder do Maligno» (1 Jo., 5:19).

Jesus pede-nos uma fé do tamanho de um grão de mostarda capaz de mover uma montanha (Mt., 17:20), convidando-nos a caminhar com Ele sobre as águas, tal como o fez com o apóstolo Pedro, sem duvidarmos que o podemos fazer (Mt., 14:25-31). Felizmente, quando procuramos, encontramos nas diversas áreas pessoas que procuram ser luz no mundo, onde as trevas predominam.

No campo da música há também quem se destaque por louvar a Deus, usando a música como um instrumento de fé, oração e canal de evangelização. Estes artistas põem Deus no centro das suas vidas.

A música pode ser um momento de oração, um encontro com Deus. Pode ser um meio que nos leva às Escrituras, ao interesse pela leitura da Palavra de Deus e um caminho para deixarmos que o Senhor nos fale. Muitos adultos e jovens talentosos sentiram-se chamados pela graça a usarem o seu talento para serem instrumentos de Deus. Com as suas músicas e letras – muitas delas inspiradas na Bíblia – o Senhor nos toca.

Alguns grupos cristãos, internacionalmente conhecidos, apesar de não serem católicos, não deixam de ser para nós inspiradores, por meio do que cantam, da sua musicalidade, do testemunho das suas vidas na vivência da fé. Alguns grupos musicais e cantores, nascidos nas suas igrejas, conquistaram o mundo e ganharam um nível de popularidade semelhante ao das bandas e dos cantores mais famosos do universo popular anglo-saxónico, tendo inclusivamente ganho prémios como o GMA (Gospel Music Awards) Dove Awards. Cada um fará por si uma filtragem do que o mercado oferece.

Na vertente católica, têm surgido também músicos e religiosos que colocam nas mãos de Deus o seu talento ao serviço do próximo. A música acaba por ser muitas vezes uma oração evangelizadora que ganha uma nova dimensão e projecção, tantas vezes com o uso das novas tecnologias, como os “smartphones” e meios de comunicação imediatos (exemplo: Internet).

Estas são algumas das bandas e músicos católicos que integram a lista de favoritos dos fãs, divulgada na 3ª edição anual dos Cecilia Catholic Music Awards e publicada recentemente pela Aleteia (https://pt.aleteia.org/2018/11/26/top-30-artistas-da-musica-catolica-em-2018/).

Um dos músicos mais apreciados é o tenor italiano Andrea Bocelli, mundialmente conhecido, que recentemente formou um dueto emocionante com o seu filho, Matteo Bocelli, no single “Fall on Me”. Andrea Bocelli define-se como um católico fervoroso e defensor da vida.

Também o padre brasileiro Marcelo Rossi tem juntado milhares de fiéis com as suas músicas. Por meio do seu exemplo, procura que outros atinjam a santidade.

Muito há ainda por fazer. Com os talentos que Deus nos deu, devemos procurar unirmo-nos ao Senhor, para que Ele nos mova, nos toque e se faça presente em nós com a Sua luz – presença que nos ilumina e erradia tudo o que criamos junto d’Ele.

«Aclamai o SENHOR, terra inteira, exultai de alegria e cantai. Cantai hinos ao SENHOR, ao som da harpa, ao som da harpa e da lira; ao som de cornetins e trombetas, aclamai o nosso rei e SENHOR. Ressoe o mar e tudo o que ele contém, o mundo inteiro e os que nele habitam» (Sl., 98:4-7).

Miguel Augusto

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