A Igreja encontra-se perante o aumento de ataques diabólicos e possessão demoníaca

Chamados à batalha espiritual

Chamados à batalha espiritual.

A Igreja considera que os casos de ataque e possessão demoníaca estão a aumentar praticamente em todo o mundo. Este mês, o Vaticano realizou mais um curso de Exorcismo e Oração de Cura e Libertação para um grupo específico de sacerdotes. Muitos Papas, ao longo da história da Igreja, foram inspirados a alertar os fiéis para esta realidade, instruindo-os no combate espiritual. O Papa Paulo VI, no século XX, em resposta a erros da teologia moderna – em que alguns teólogos chegam a negar a existência do diabo – alertou-nos: «Sai do âmbito dos ensinamentos bíblicos e eclesiásticos [da Igreja] quem se recusa a reconhecer a existência desta realidade». Em Novembro de 1972, numa audiência, o mesmo Papa chegou a referir que «uma das maiores necessidades da Igreja é a defesa daquele mal a que chamamos demónio».

Voltou a realizar-se, em Roma, entre os dias 16 e 21 de Abril, a XIII edição do curso de exorcismo e oração de libertação, organizado pelo Instituto Sacerdos do Ateneu Pontifício Regina Apostolorum, em parceria com o Grupo de Estudos e Informação Sócio-Religiosa de Bolonha, para uma plateia reservada. Os trabalhos decorreram à porta fechada.

O sacerdote espanhol Pedro Barrajón, professor de teologia naquele instituto, disse sobre o curso: «Há quinze anos, alguns sacerdotes que frequentaram o nosso instituto pediram-nos para aprender mais sobre exorcismo e oração de libertação. Eles sentiam-se mal preparados. Naquele momento nasceu a ideia de oferecer uma visão séria, científica, teológica e interdisciplinar. (…) É importante: todo o padre deve ter um acompanhamento. Deve ser formado para lidar com casos específicos. Fazer um exorcismo não é um acto de magia». O padre Barrajón considera que todo o sacerdote deve estar pronto para receber o ministério de exorcista se o bispo lhe pedir, mesmo que não goste, pois não podemos esquecer que este é um ministério de caridade e misericórdia.

Em 2014 o Vaticano reconheceu formalmente a Associação Internacional de Exorcistas, um grupo de 250 exorcistas – padres católicos, anglicanos e ortodoxos – espalhados por trinta países.

O Papa Francisco tem alertado os fiéis, nas suas diversas homilias, que se um padre se aperceber de «genuínos distúrbios espirituais» não deverá hesitar em encaminhar a questão àqueles que, na sua diocese, estão encarregados deste «ministério delicado».

Os sacerdotes no ministério de cura e libertação enumeram as diferentes formas de como o demónio pode entrar na vida das pessoas. Um exemplo é o recurso a curandeiros, bruxaria, espiritismo, feitiçaria, magia negra, satanismo e, mais subtilmente, a práticas de suposta cura natural e energética, como o reiki e certas formas de yoga…

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) ensina-nos algo muito importante sobre o Mal: “O poder de Satanás não é infinito. Ele não passa de uma criatura, poderosa pelo facto de ser puro espírito, mas sempre criatura: não é capaz de impedir a edificação do Reino de Deus. Embora Satanás actue no mundo por ódio contra Deus e o seu Reino em Jesus Cristo, e embora a sua acção cause graves danos – de natureza espiritual e, indiretamente, até de natureza física – para cada homem e para a sociedade esta acção é permitida pela Divina Providência, que com vigor e doçura dirige a história do homem e do mundo. A permissão divina da actividade diabólica é um grande mistério, mas «nós sabemos que Deus coopera em tudo para o bem daqueles que o amam (Rm., 8:28)»” (CIC 395).

O próprio Jesus foi tentado três vezes pelo demónio no deserto, e venceu-o com o jejum, a oração e a força da Palavra de Deus (Mt., 4:3-10). Jesus referiu-se a ele como Seu adversário e chamou-o de «dominador deste mundo» (Jo., 12:31; 14:30; 16:11).

O apóstolo Paulo preveniu-nos contra as lutas ocultas que devemos travar na sua pluralidade: «Finalmente, tornai-vos fortes no Senhor e na sua força poderosa. Revesti-vos da armadura de Deus, para terdes a capacidade de vos manterdes de pé contra as maquinações do diabo. Porque não é contra os seres humanos que temos de lutar, mas contra os Principados, as Autoridades, os Dominadores deste mundo de trevas, e contra os espíritos do mal que estão nos céus» (Ef., 6:10-20).

São Paulo também nos alerta para a astúcia do demónio e como facilmente podemos ser enganados: «O próprio Satanás se transfigura em anjo de luz» (2 Cor., 11:14).

 

A IMPORTÂNCIA DA REVELAÇÃO DIVINA

O apóstolo João, no fim do seu evangelho, realça: «Há ainda muitas outras coisas que Jesus fez. Se elas fossem escritas, uma por uma, penso que o mundo não teria espaço para os livros que se deveriam escrever» (Jo., 21:25). Assim, compreendemos a importância sublime dos ensinamentos registados nas Sagradas Escrituras, onde o demónio está presente desde o Génesis ao Apocalipse.

O crente consagrado ou laico, que cria ideias próprias e filosofias sobre a acção do demónio nas escrituras, ao ponto de transformar os acontecimentos bíblicos em puras metáforas e remeter os casos relatados de possessão ou expulsão de espíritos malignos, relatados nos evangelhos, para o foro da saúde mental, destrói as escrituras e a História da Salvação, colocando-se acima do próprio Cristo, questionando que afinal não se soube diferenciar uma possessão de uma doença mental… e a própria missão que Jesus deixou aos seus discípulos: «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura. (…) Em meu nome expulsarão demónios, falarão línguas novas, apanharão serpentes com as mãos e, se beberem algum veneno mortal, não sofrerão nenhum mal; hão-de impor as mãos aos doentes e eles ficarão curados» (Mc., 16:15-18).

Duvidar da acção demoníaca não torna as pessoas livres dela. Muito pelo contrário, um inimigo torna-se muito mais forte e eficaz quando é ignorado.

Face à realidade da nossa fé e do mundo, só nos resta saber como podemos enfrentar este inimigo que nos ronda como um leão, procurando a quem devorar (1 Pe., 5:8). E a própria Igreja ensina-nos as “armas” para combatê-lo, como a oração do terço, do rosário, dada pela própria Virgem Maria, relembrando a sua importância na aparição em Fátima (Portugal) intitulando-se de Nossa Senhora do Rosário de Fátima.

Frei Paolo Covino, um dos melhores amigos do padre Pio, enaltecia a oração do rosário na devoção deste Santo: «Padre Pio estava sempre com o rosário nas mãos, a sua arma mais poderosa contra o inimigo. Ele rezava entre quinze a vinte rosários completos por dia».

Santa Maria Mãe de Deus, rogai por nós.

São Miguel Arcanjo, defendei-nos neste combate!

MIGUEL AUGUSTO 

com Aleteia

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