500 Anos após a Reforma Protestante

A minha viagem para casa, a Igreja Católica

A minha viagem para casa, a Igreja Católica

«Também Eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo nada poderão contra ela. Dar-te-ei as chaves do Reino do Céu; tudo o que ligares na terra ficará ligado no Céu e tudo o que desligares na terra será desligado no Céu» (Mateus, 16:18-19).

Este ano celebram-se 500 anos da Reforma Protestante. Na Universidade em que estudo houve uma exposição sobre este período da história. Uma grande parte dessa exposição cobria a corrupção e os escândalos da Igreja no século XVI. Um amigo meu, protestante, que visitou a exposição comigo, perguntou-me, no fim, sem rodeios: «– Porque ainda és católica?».

Vivendo num momento em que todas as religiões são consideradas mais ou menos as mesmas, e onde os desentendimentos são muitas vezes varridos para baixo do tapete, por medo de ofender aqueles com quem diferimos, precisamos estar cada vez mais prontos para dar uma explicação a esta questão. Ainda assim, devemos fazê-lo com gentileza e reverência (1 Pedro, 15-16).

Eu sou católica, não sou protestante porque Jesus veio estabelecer uma Igreja, uma Igreja particular, para ser guardiã, professora e intérprete da fé. Ele não veio escrever um livro com todos os Seus ensinamentos, e depois deixou-o para nossa própria interpretação. Ele próprio identificou a Igreja como a autoridade final para ser apelada, quando os seus discípulos lhe perguntaram como deveriam tratar um irmão pecador (Mateus, 18:15).

A sucessão apostólica da Igreja é evidência de que esta é a Igreja que Jesus fundou, pois nós podemos ir buscar as nossas crenças aos Apóstolos de Jesus.

Não lhe dá calafrios, quando pensa nos primeiros mártires da Igreja a professarem o mesmo Credo, tal como nós fazemos hoje?

Eu sou católica, não sou protestante porque a Igreja precede a Bíblia, e não aceito uma e rejeito a outra. Foi a Igreja que discerniu os livros que deveriam formar o cânon da Sagrada Escritura.

Se eu reconhecer a Bíblia como Sagrada, devo reconhecer a autoridade da Igreja. Que autoridade tinha Martinho Lutero para retirar sete livros das Sagradas Escrituras, que por mais de mil anos foram considerados inspirados?

Eu sou católica, não sou protestante porque a salvação unicamente pela fé é uma doutrina feita pelo homem, não é encontrada em nenhum lugar nas Escrituras. A salvação é pela fé e pelas obras.

Eu sou católica, não sou protestante porque não vejo nenhuma outra interpretação razoável para João 6:53-56,58, além daquilo que a Igreja Católica detém: a Eucaristia é a presença real do corpo e sangue de Jesus Cristo.

Se isso é verdade, como pode um cristão afastar-se de Nosso Senhor, que humilhando-se vem a um pedaço de pão para que possamos permanecer n’Ele, e Ele permanecer em nós? A Igreja Eucarística é o lugar por excelência do descanso para todo o coração humano.

Eu sou católica, não sou protestante porque me preocupo com o culto correcto. Louvar e adorar a música, testemunhos de vidas transformadas e pregações apaixonantes… todas essas coisas – que constituem um megaculto de uma igreja – são óptimas, mas não são essenciais porque Deus não as ordenou. Jesus, no entanto, instituiu a Eucaristia na Última Ceia, pedindo aos apóstolos que a perpetuassem, e prometeu vida àqueles que participarem dela.

Adoração, então, não é como eu quero. O culto é a participação no sacrifício perfeito da oferta de Si mesmo, de Jesus ao Seu Pai pelo Espírito Santo, que é precisamente a Santa Missa.

Eu sou católica, não sou protestante porque experimentei o derramamento das graças dos Sacramentos. Onde encontro a força para rejeitar os pecados e, talvez mais importante, como ter a coragem para começar de novo, depois de pecar, se não pelo Sacramento da Reconciliação? Como pode uma pecadora, como eu, crescer em santidade, senão pela nutrição do novo Pão da Vida?

Eu sou católica, não sou protestante porque Jesus honrou Sua mãe, e assim também eu devo honrá-La.

Eu sou católica, não sou protestante porque experiencio a assistência, todos os dias, dos meus amigos celestes, ou seja, os Santos.

Se posso orar por si, por que os santos que subiram ao céu não podem orar por nós? Os santos não privam Jesus da Sua Glória. A família de Deus é expansiva e Ele anseia que possamos participar da Sua Glória. Ele morreu precisamente por isso. Negar a comunhão dos santos é cortar a árvore genealógica de Deus.

Eu sou católica, não sou protestante porque ao seguir o ensino moral e social, não-negociável da Igreja – exigentes como são – encontrei uma vida de liberdade, felicidade e realização.

Eu sou católica, não sou protestante porque penso que os Pais da Igreja, os primeiros cristãos que na verdade viram Jesus, assim como os seus discípulos, com seus próprios olhos, e ouviram as suas palavras, conhecem melhor o que Jesus ensinou e fez do que os reformadores protestantes, nascidos mais de mil anos depois.

Eu sou católica, não sou protestante porque entendo que chamamos à Igreja, Santa, não porque os seus membros leigos católicos, sacerdotes, bispos ou mesmo o Papa, sejam santos. A Igreja é composta de pecadores e continuará a pecar. Mas nós a chamamos Santa, porque a cabeça da Igreja, o seu fundador, Jesus Cristo, é Santo. Nós a chamamos Santa porque no dia de Pentecostes Jesus enviou o Espírito Santo para habitar na Igreja. E nós a chamamos Santa porque a natureza da Igreja, sendo o corpo e a noiva de Cristo, é Santa.

«Não rogo só por eles, mas também por aqueles que hão-de crer em mim, por meio da sua palavra, para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em mim e Eu em ti…» (João 17: 20-21).

Nicole Leung 

Aluna do curso de Direito, na Universidade de Hong Kong

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