Motoristas da Uber na primeira pessoa

MOTORISTAS DA UBER NA PRIMEIRA PESSOA

O lado bom da controvérsia.

W. Chow, 57 anos, era motorista na área da indústria hoteleira. K. Yip, 54 anos, quis experimentar a Uber para ver se gostava ou não do trabalho quando ainda era relações públicas no sector VIP de um casino. Falando sob anonimato, por medo de represálias por parte das autoridades, assumem que o seu principal objectivo é garantir um bom serviço aos clientes.

W. Chow contou com um elemento da família para dar o primeiro passo. «Foi a minha filha que deu uma olhadela na Uber e apercebeu-se que seria um trabalho adequado para mim. Na Uber tenho mais flexibilidade [no horário] e posso ajudar a minha família, pois ganho mais dinheiro agora. Além disso, tenho mais tempo livre para cuidar dos netos», salienta a’O CLARIM, justificando que outra das razões por que decidiu trabalhar para a empresa foi a de poder «ajudar os outros».

As boas estórias também acontecem com frequência. «Numa ocasião, uma cliente acedeu ao serviço da Uber para que fosse buscar o seu pai, na casa dos oitenta anos, o qual se recusou a pôr o cinto de segurança. Depois de o ter persuadido a pôr o cinto começámos a falar e confidenciou-me que estava feliz por ir num carro de marca [de gama alta], assim como pelo serviço prestado», sustenta W. Chow.

«No fim de tudo, a filha enviou-me uma mensagem de agradecimento, porque caso contrário o seu pai não sairia de casa, dado que em determinadas zonas do território é muito difícil encontrar táxis disponíveis».

Um caso recorrente sucede de manhã, quando há muitas pessoas com pressa de chegar a horas ao trabalho, razão pela qual se socorrem da companhia, o que é motivo de satisfação pessoal para esta motorista, pela ajuda que lhes presta.

A W. Chow não lhe preocupa o facto do serviço não estar ainda regulamentado em Macau. Na sua opinião, também não há disputas entre motoristas da Uber e taxistas, até porque conhece muitos profissionais de ambos os sectores sem que haja qualquer tipo de conflito entre as partes.

Já K. Yip gosta do trabalho na Uber «pela flexibilidade do horário e por ter mais tempo disponível para dedicar à família». Vincando que tem agora «menos stress» do que quando trabalhava na indústria do jogo, explica que os motoristas da Uber estão em contacto uns com os outros por intermédio de uma aplicação, com a qual comunicam e partilham informação relacionada com o sector, enquanto o contacto com a empresa é feito por e-mail. No seu entendimento, o grau de exigência para aderir à Uber «é grande», pois os candidatos «têm que ter o registo criminal limpo».

Antes de trabalhar para a empresa, K. Yip foi cliente de táxis, notando haver grande diferença em termos de delicadeza, limpeza e eficiência, a favor da Uber. «Por causa destes factores muitas pessoas preferem esperar pela Uber, do que simplesmente “apanhar” um táxi», compara.

Em jeito de conclusão, K. Yip deseja que a Uber seja regulamentada no território, dado que «muitos cidadãos já utilizam o serviço» e também porque «vai contribuir para melhorar a imagem de Macau».

PEDRO DANIEL OLIVEIRA

pedrodanielhk@hotmail.com

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