C&C Clube promove recolha de roupas e brinquedos há mais de três anos

António Sotero

Marjory Vendramini

Dar mão à pobreza

António Sotero, presidente do C&C Clube, explica a’O CLARIM o contributo prestado à sociedade através da recolha de roupas e brinquedos promovida pela instituição. Marjory Vendramini, fundadora e responsável pela Associação Berço da Esperança, a grande beneficiária, descreve a importância do apoio que dedica a 76 crianças de Macau, abandonadas ou de famílias problemáticas.

«Notámos que as pessoas deitam fora muitas roupas e brinquedos que podiam ser reutilizados. Às vezes são roupas que estão como novas e brinquedos excelentes. Resolvemos dar uma segunda chance não só a estes materiais, como aos mais necessitados, porque há bastantes em Macau», foi assim que António Sotero explicou a’O CLARIM a razão da campanha promovida pelo C&C Clube, do qual é presidente.

«Temos a campanha de recolha de roupas e brinquedos há mais de três anos. Tem sido divulgada em alguns jornais portugueses e ingleses, por isso as pessoas que aqui passam deixam os materiais à entrada do escritório, onde temos uma caixa de recolha. Quando têm muita coisa e não podem trazer, ligam-nos e vamos buscar a casa, mais aos sábados», descreveu Sotero, acrescentando que, por vezes, também recebem livros.

Os destinatários são as crianças de Macau que recebem ajuda das instituições de solidariedade social. «Utilizamos uma carrinha para fazer o transporte. O voluntariado é muito importante. Já entregámos às Missionárias da Caridade e à Cáritas, agora tem sido à Associação Berço da Esperança. Variamos. As entregas acontecem quase todos os sábados, mas como por vezes não dão vazão então alternamos com outras instituições», frisou.

No seu entender, «a oferta tem sido excelente, pois temos pessoas que passam pela rua e depositam os brinquedos e as roupas, seja porque estão informadas, seja porque vêm o poster à entrada do C&C Clube», que é visível da rua. «Outras param os carros e tiram montes de coisas das bagageiras. Achamos que o devemos fazer. É a nossa contribuição para Macau. Porquê mandar isto tudo para a incineradora quando estão em boas condições e podem ser reaproveitadas?», vincou Sotero.

O altruísmo tem sido uma componente importante do C&C Clube. «Foi uma forma [de ajuda ao próximo] que desenhámos ao conceber esta recolha de roupas e brinquedos. Além disso, o nosso clube, sem fins lucrativos, também está virado para as áreas desportiva, cultural e social», disse.

António Sotero desmistificou a ideia que a população mais carenciada está apenas localizada na zona norte da cidade, por haver muita pobreza escondida. «Há os extremos em Macau. Há os que têm muito e os que têm pouco. Ainda há pessoas necessitadas, não necessariamente na zona norte da cidade», aclarou.

 

Solidariedade

A Associação Berço da Esperança é responsável por dois lares de acolhimento de crianças abandonadas, ou que estão a cargo da instituição devido a problemas ao nível das famílias biológicas, por vezes relacionados com maus tratos a menores, jogo, consumo de drogas e prostituição.

«No lar Fonte da Esperança, na Taipa Velha, acolhemos 42 crianças dos seis aos dezoito anos, e no Berço das Esperança, na Península de Macau, 34 crianças até aos seis anos de idade. No total, 90% são de famílias problemáticas», enumerou Marjory Vendramini, acrescentando a’O CLARIM que as crianças abandonadas estão à guarda da instituição, mas quem faz o processo de adopção ou de entrada e saída das mesmas é o Instituto de Acção Social.

As doações do C&C Clube são alvo criterioso de selecção. «Separamos os materiais por idades e distribuímos. Por vezes, recebemos certo tipo de brinquedos ou de roupas que não necessitamos e doamo-las a outras instituições. Já entregámos material que foi canalizado para o interior da China, para as Filipinas e para o Nepal», revelou a fundadora e presidente da Associação Berço da Esperança.

Os brinquedos têm levado algum conforto às crianças mais desafortunadas. «Elas gostam de brinquedos, mas não queremos criá-las num ambiente onde tudo é fácil, ao estilo da mentalidade consumista. Temos uma lojinha onde, por bons comportamentos, podem ganhar prendas. Temos ainda as prendas individuais de aniversário e das festas de Natal. Há depois os brinquedos colectivos», descreveu a mesma responsável, que é natural do Brasil.

Para António Sotero e Marjory Vendramini as pessoas de Macau são solidárias, sejam elas portuguesas, chinesas ou de outras nacionalidades. O principal problema são as desigualdades sociais.

PEDRO DANIEL OLIVEIRA

pedrodanielhk@hotmail.com

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