Ricardo Machado, Gerente-Executivo na Thunderbird Resorts & Casinos (Filipinas)

Ricardo Machado

«Macau marca a tendência e os outros vão segui-la».

O turismo nas Filipinas pode ter um exponencial desenvolvimento ao ponto de poder concorrer com Macau, sustenta o português Ricardo Machado, para quem o território irá mesmo assim continuar a marcar a tendência no sector do Jogo e os outros mercados vão segui-la. A’O CLARIM o gerente-executivo de “Food and Beverage” na Thunderbird Resorts & Casinos fala sobre Rodrigo Duterte, Donald Trump e o Japão.

O CLARIMTrabalha num resort localizado na Poro Point Freeport Zone, a norte de Metro Manila. Qual é a natureza da sua actividade profissional?

RICARDO MACHADO – Basicamente tem a ver com o planeamento e a organização ao nível de gestão para executar todas as estratégias de F&B. E como estamos a expandir ambas as infra-estruturas – em Poro Point e no Rizal Resort – no número de “outlets” e na qualidade, posso dizer que estou numa companhia muito sólida nas Filipinas. Ambos os resorts são de quatro estrelas, mas queremos chegar às cinco estrelas. Estamos a preparar toda a infra-estrutura para ter a qualificação de cinco estrelas, com o intuito de ficarmos preparados para a grande avalanche do Jogo que está a ir para as Filipinas.

CLEstá numa infra-estrutura com uma área de casino. Que percepção tem sobre a indústria do Jogo nas Filipinas?

R.M. – Tal como tudo nas Filipinas, está a crescer. Está a crescer muito exponencialmente. As Filipinas são um grande mercado, bem localizadas no Sudeste Asiático. É um país bastante amigável. Falam todos perfeitamente o Inglês. É um destino turístico perfeito. A indústria do Jogo está a crescer bastante. Não apenas na companhia onde trabalho, mas também a economia local.

CLMudou algo no sector após Rodrigo Duterte ter assumido o poder nas Filipinas?

R.M. – Nem por isso. Podemos sentir que há um maior cumprimento das regras. No meu ponto de vista, este novo grupo de pessoas [da era Duterte] está a fazer um trabalho muito bom, certificando-se que o cumprimento da lei é para todos e que ninguém obtém benefícios extra. Parece quase como num país de primeiro mundo.

CLTerá as Filipinas capacidade para concorrer com Macau a longo prazo?

R.M. – Julgo que sim… Mas vamos olhar para a questão de uma outra perspectiva. As Filipinas têm um enorme potencial turístico. Não há ainda uma cultura turística, mas estão a construí-la agora. Claro que vão chegar os resorts, os casinos e as excursões, mas ainda há falta de aeroportos e de infra-estruturas para acolher todas estas pessoas. As Filipinas recebem, na sua globalidade, cerca de seis milhões de turistas por ano. É mais ou menos metade de [o que recebe] uma cidade média na Europa. Se olharmos para o fenómeno, que é o turismo em si, julgo que sim [as Filipinas terão capacidade para concorrer com Macau], porque conseguem desafiar qualquer mercado.

CLO Japão é um grande parceiro económico. Será também um país importante para aumentar e desenvolver as capacidades das Filipinas?

R.M. – Definitivamente! Todos falam dos Estados Unidos e da China, mas o Japão é o parceiro silencioso das Filipinas. Fez coisas erradas durante a Segunda Guerra Mundial, mas desde então tem assumido um papel de maior responsabilidade na ajuda às Filipinas.

CLA Trump Tower está a ser construída em Makati, Metro Manila. Após Donald Trump tomar posse como Presidente dos Estados Unidos será que irá melhorar a relação entre ambos os países? Ou irá continuar na linha do que têm sido os desentendimentos entre Rodrigo Duterte e Barack Obama?

R.M. – Todas as relações com os Estados Unidos vão mudar. Agora não vai haver um político no poder, mas sim um homem de negócios. Acredito que esta vai ser a tendência mundial: pôr de lado os filósofos e os sociólogos para serem os CEO a gerir os destinos dos países. Donald Trump vai certamente alterar a relação [com as Filipinas].

CLPara melhor ou para pior?

R.M. – Gostamos de relações em que todos ficam a ganhar, por isso será para melhor.

CLSheldon Adelson não só apoiou, como foi um dos principais doadores de Donald Trump durante a corrida presidencial. Poderá este relacionamento ser benéfico para o Sudeste Asiático?

R.M. – A equipa que Trump está a formar irá beneficiar grandemente o Sudeste Asiático em particular, e a Ásia em geral. Isto aqui ainda é um diamante em bruto, que precisa ser lapidado. Voltando ao mesmo: gostamos sempre de relações em que todos saem a ganhar e de parcerias fortes.

CLOs recentes casos de corrupção no sector do Jogo nas Filipinas podem minar o desenvolvimento da indústria hoteleira ligada aos casinos no País?

R.M. – Prefiro não falar de nenhum caso de corrupção em particular, porque é tudo tão abstracto e não tenho uma opinião formada. No entanto, acredito que a corrupção é uma coisa má em qualquer parte do mundo, e não só nas Filipinas. É algo que deve ser combatido para que os ganhos sejam mais justos e transparentes. Penso que as Filipinas estão a tentar fazer o que deve ser feito.

CLComo vê o Jogo em Macau? Há comparação possível com o das Filipinas?

R.M. – Não há nenhuma. Macau é pioneira em muitas áreas no Sudeste Asiático, especialmente no sector do Jogo. Macau é Macau. É imbatível. É a cereja no topo do bolo. Os mercados ao redor não vão destruir Macau. Macau marca a tendência e os outros vão segui-la.

CLE o Japão?

R.M. – Seguirá também a tendência. Macau será a referência.

PEDRO DANIEL OLIVEIRA

pedrodanielhk@hotmail.com

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