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Semanário Católico de Macau

O aconteceu depois da morte de Pedro?
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Teologia, Uma Dentada de Cada Vez (14)

O que aconteceu depois da morte de Pedro?

Deixem-me chamar a atenção para a supremacia de Pedro sobre os outros apóstolos. O capítulo 12 dos Actos dos Apóstolos mostra-nos como Herodes, depois de executar Tiago, irmão de João, prendeu Pedro (versículos 1-3) – «mas foi feita a Deus uma sentida oração por ele, pela Igreja» (versículo 5). Pedro foi libertado por um anjo, e quando visitou os que tinham rezado por ele deu-lhes instruções para que dissessem aos outros discípulos que ele havia sido libertado (Actos 12:17).

O capítulo 15 dos Actos também revela o poder (autoridade) que Pedro detinha. Houve uma discussão sobre se os não-judeus que se tornassem cristãos deveriam ou não ser circuncidados de forma a serem salvos – «e depois de muito debate, Pedro levantou-se» (versículo 7) «e explicou que não era necessário impor esse fardo aos gentios convertidos» (versículo 10). E qual foi a reacção dos que o ouviam? «Toda a assembleia ficou silenciosa…» (versículo 12). Como Pedro tomou uma decisão, o problema ficou resolvido e a assembleia dedicou-se a outros assuntos.

Mas o que aconteceu depois da morte de Pedro? Jesus garantiu aos apóstolos que a Sua presença seria constante – «estarei sempre convosco, até ao fim dos tempos (Mateus 28:20)» – e que a assistência do Espírito Santo seria permanente – «e Eu rezarei ao Pai, e Ele dar-vos-á um outro Conselheiro, que ficará para sempre convosco (João 14:16)».

E há algum registo que demonstre a existência de sucessores com a mesma primazia de Pedro? Sim, temos documentos dos primórdios da Cristandade que registaram esse facto.

Santo Irineu, bispo de Lyon (130/140-203 d.C.), na sua obra “Adversus Haereses” (“Contra os Heréticos” ou “Contra as Heresias”), livro III, 3, 3, fala-nos sobre os sucessores de Pedro até ao ano 180 d.C.: “Os Bem-Aventurados Apóstolos, tendo fundado e edificado a Igreja, entregaram nas mãos de Lino a tarefa (o ofício) do episcopado. A ele sucedeu Anacleto (também conhecido por Cleto), depois dele, em terceiro lugar, Clemente, a quem foi entregue o bispado. A Clemente sucedeu Evaristo. Alexandre sucedeu a Evaristo. O sexto de entre os apóstolos foi Sisto, depois deste Telésforo, que foi gloriosamente martirizado. Seguiu-se Higino, depois Aniceto e Sotero. Eleutério é o vigésimo a herdar o lugar dos apóstolos no episcopado. Por esta ordem de sucessão, com tradição eclesiástica dos apóstolos e a pregação da verdade chegamos aos nossos tempos”.

São Optato, bispo de Milevi, em África (faleceu em 385 d.C.), na sua obra (livro II, 1-3) alarga a lista de Papas até ao ano 366 d.C. “Não podes negar que a Cátedra Episcopal foi entregue inicialmente a Pedro, na cidade de Roma, na qual sentou Pedro, o chefe de todos os Apóstolos. Por isso Pedro foi o primeiro a preencher essa preeminente Cadeira, a qual foi a primeira marca visível da Igreja. Lino sucedeu a Pedro, Clemente sucedeu a Lino. Então sucederam-se um após outro na ordem que se segue: Anacleto, Evaristo, Alexandre, Sisto, Telésforo, Higino, Aniceto, Pio, Sotero, Eleutério, Victor, Zeferino, Calisto, Urbano, Ponciano, Antero, Fabiano, Cornélio, Lúcio, Estevão, Sisto, Dionísio, Félix, Eutiquiano, Caio, Marcelino, Marcelo, Eusébio, Milícias, Silvestre, Marcos, Júlio, Libério, Damásio”.

“O sucessor de Damásio foi Sirício, o qual é agora um companheiro Bispo e com o qual todo o mundo concorda, numa irmandade de comunicação com trocas mútuas de correspondência formal”.

Santo Agostinho (354-430 d.C.) adicionaria o nome de Anastácio, a seguir a Agapito, actualizando a lista até 400 d.C. Os Papas desta lista, à excepção do Papa Libério, foram todos canonizados.

Alguém que queira ver a lista completa dos Papas até ao Papa Francisco, o 265º sucessor de Pedro (isto é, o 266º Papa) pode consultar a o “site” oficial do Vaticano.

Pe. José Mario Mandía

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