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Papa pede “aliança ética a favor da vida humana”

 

O Papa recebeu, na passada segunda-feira, em audiência, os membros da Pontifícia Academia para a Vida, reunidos em assembleia plenária em Roma, dedicada ao tema “Roboética: Pessoas, máquinas e saúde”.

Na mensagem que deixou aos participantes, publicada pela Sala de Imprensa da Santa Sé, Francisco alertou para o “paradoxo dramático” que marca a relação actual entre o Homem e a Tecnologia e destacou a urgência de uma “aliança ética a favor da vida humana”.

Se “por um lado a humanidade possui actualmente a capacidade científica e técnica para atingir uma era de bem-estar generalizado”, ela continua, no entanto, “espartilhada por conflitos e pelo crescimento desmesurado das desigualdades, que ameaça a unidade da família humana e o seu futuro”, apontou o Papa argentino.

Francisco frisou ainda que “a evolução tecnológica tem gerado um encantamento perigoso”, que em vez de “fornecer mais-valias para a subsistência humana”, concorre para “consignar toda a vida à lógica dos dispositivos”, uma lógica destinada a ter “efeitos nefastos”.

Quando “a máquina não se limita a andar sozinha, mas acaba por guiar o Homem”, isso “reduz a razão humana a uma racionalidade alienada dos seus efeitos”, algo que “não pode ser considerado digno do Homem”, disse.

No campo dos efeitos, o Papa recordou os “danos graves que o uso indiscriminado da tecnologia tem causado ao planeta” e reforçou a “bioética global como uma frente essencial a trabalhar” pela Igreja Católica, em conjunto com toda a sociedade.

“A inteligência artificial, a robótica e outras inovações tecnológicas devem ser colocadas ao serviço da humanidade e da protecção de nossa Casa Comum, e não para o oposto, como infelizmente prevêem algumas estimativas”, referiu Francisco.

O Papa concluiu a audiência aos membros da Pontifícia Academia para a Vida lembrando a cada um o seu “compromisso, intelectual e especialista”, de “prosseguir no estudo e na pesquisa a fim de que a obra da promoção e defesa da vida seja cada vez mais eficaz e fecunda”.

A assembleia plenária da Pontifícia Academia para a Vida decorreu entre segunda e terça-feira, no Vaticano, e teve como objetivo debater as questões e as potencialidades da robótica e da genética, entre outras matérias.

Fundada por São João Paulo II, a Academia Pontifícia para a Vida está a assinalar 25 anos de existência e tem reforçado nos últimos anos o objectivo de responder às interrogações suscitadas pelo “crescente ritmo da inovação tecnológica e científica”.

Composto por 151 membros espalhados pelos cinco continentes, este organismo destaca-se pelo “compromisso com a promoção e protecção da vida humana em todo o seu desenvolvimento, a denúncia do aborto e da eliminação do doente”.

Recorde-se que em 2020 o Vaticano vai promover uma assembleia sobre a Inteligência Artificial.

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