Sawasdee Barlavento

Street Food conquista o Algarve nos meses de Verão

Sawasdee Barlavento

Os últimos dias têm sido de grande azáfama em termos profissionais. Como este ano decidimos apostar, preferencialmente, nos eventos de street food que proliferam por Portugal, viemos até ao Algarve para participar no “Lagos Street Food” e no “Lota Cool Market” em Portimão. Embora o de Lagos já tenha terminado, quando lerem este artigo o de Portimão estará ainda a decorrer no espaço da antiga lota da cidade algarvia.

Sinceramente, quando decidimos vir estávamos um pouco apreensivos porque tínhamos de percorrer uma longa distância (entre Mira e o Algarve são quinhentos quilómetros) com dois carros e não sabíamos se seria ou não rentável.

A verdade é que se já em Vila do Conde, durante os festejos de São João, havia sido rentável e tínhamos sido obrigados a reabastecer diariamente, aqui no Sul foi ainda mais surpreendente.

Precavidos pela experiência no Norte, o nosso “stock” veio mais do que reforçado. Trouxemos produtos e materiais que teriam dado para o evento de Vila do Conde sem necessidade de reabastecermos. Pois a verdade é que no final do primeiro dia fomos obrigados a ir às compras!

Em termos de ingredientes específicos para a culinária tailandesa, foi possível gerir o “stock” de forma a que chegasse ao final do evento, mas assim que terminou (decorreu entre quinta-feira e Domingo) tivemos que contactar o nosso fornecedor de produtos orientais para que nos colocasse em contacto com o único supermercado chinês a sul. Felizmente é do mesmo proprietário e não houve grandes problemas em conseguir o necessário.

Fechámos Lagos no Domingo e na segunda-feira já estávamos instalados no Parque de Campismo de Armação de Pêra. No mesmo dia recebemos a nossa encomenda, que foi entregue no local: molho de peixe, massas, pasta de tamarino e arroz, tudo em quantidades que dariam para abastecer qualquer restaurante. Tanto assim foi que os nossos vizinhos no parque de campismo ficaram especados a ver onde iríamos arrumar tantas caixas.

Agora estamos cinco dias em Portimão. Felizmente que apenas servimos jantares, o que nos deixa com as manhãs mais livres para descansarmos e assegurarmos o que for preciso para vender ao final do dia.

No “Lagos Street Food” tínhamos de acordar por volta das oito da manhã, tomar o pequeno-almoço, ir de bicicleta para o local do evento (mais de dois quilómetros a pedalar), reunir tudo para confeccionar a comida, limpar o espaço de trabalho e, antes do meio-dia, abrir para começar a vender refeições. O ritmo era mais ou menos contínuo até ao final do dia. Não houve uma única noite em que tivéssemos chegado à nossa autocaravana antes da uma da manhã. Foram quatro dias em que, à excepção do pequeno-almoço, não conseguimos comer a horas normais. Apenas no último dia, pois não havia a pressão do dia seguinte, decidimos jantar no único restaurante que está aberto até mais tarde em Lagos, a “Antiga Adega da Marina”, onde comemos um peixe grelhado que nos soube muito bem.

No primeiro dia em Lagos, depois de nos termos instalado, fomos almoçar num dos muitos restaurantes da zona velha da cidade e, para surpresa nossa, vimos caras familiares. Encontrámos a Isa Manhão, que estava acompanhada da filhota, da mãe e de uma tia que vive há décadas entre Lisboa e Lagos.

Foi uma agradável surpresa, mas infelizmente não pudemos ficar na conversa dado que havia horários a cumprir. Ficou combinado que passariam pelo evento. Se o fizeram, não demos conta. Desde a abertura do “Dee Thai Food Truck” até ao fecho, não houve tempo para dois dedos de conversa com os clientes.

Como gozámos um dia de folga antes de rumarmos a Portimão, aproveitámos para ir à praia. Afinal de contas, estamos no Algarve!

Este tipo de trabalho, apesar de ainda ser olhado como apenas uma caravana que vende comida, está a ganhar cada vez mais adeptos em Portugal. Graças ao trabalho institucional da associação do sector, a imagem do street food está melhor definida. Os food trucks primam pela originalidade e pela qualidade dos seus produtos. Muitas pessoas ainda pensam que são como qualquer outro carro de comida que vende bifanas ou cachorros, mas tal é uma imagem errada que todos os dias tentamos mudar. Todos os conceitos que conhecemos, mesmo os que também vendem bifanas ou cachorros (por acaso no nosso ciclo não sabemos de nenhum que o faça), apostam na qualidade da oferta e na inovação do produto. Não é apenas a febra de porco no pão ou a salsicha na mini baguete. É uma experiência sensorial que oferece ao cliente sabores únicos.

O nosso conceito passa também por isso. Tentamos oferecer comida de rua tailandesa, sempre com altos parâmetros de qualidade para que o cliente fique com a melhor impressão da comida tailandesa. Explicamos que o que comem no nosso food truck é o que podem encontrar em qualquer rua da Tailândia. Não é igual à comida que encontram nos restaurantes!

Mas a verdade é que em Portugal ainda há um longo caminho a percorrer e isso é possível constatar olhando para a maioria dos clientes que frequentam este tipo de eventos: estrangeiros que já estão habituados a conviver com este conceito nos seus países e que vêem os food trucks como uma opção válida para comida de qualidade, em que há cuidado na sua preparação, confecção e criação.

A pouco e pouco vai-se alterando o panorama em Portugal e o futuro apresenta-se risonho para este sector de actividade. Para já estamos muito dependentes do Verão e do bom tempo, porque todos os eventos são realizados ao ar-livre. Falta começar a organizar alguns durante o Inverno, em locais cobertos onde as mudanças climatéricas não influenciem a afluência de público.

João Santos Gomes

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