“O Silêncio Cúmplice dos Países Ocidentais”

Síria, A Verdadeira História (3)

“O Silêncio Cúmplice dos Países Ocidentais”

Era ridículo! Mas quem é que compreendia arábico para saber que eles estavam, na realidade, a apoiar o seu Presidente? É por isso que uma das maiores tristezas deste povo foi que uma grande mentira tivesse sido construída à volta de toda esta história. Os sírios foram abandonados pelo Ocidente. O Papa chamou a isso “O Silêncio Cúmplice dos Países Ocidentais”. Sempre que o povo sírio se tentou fazer ouvir e expressar a sua opinião, as suas palavras, foram totalmente deturpadas.

É preciso frisar que tudo o que se refere a esta guerra foi uma grande operação que necessitava do apoio e da aprovação da opinião pública. Era preciso que o Ocidente aprovasse estes “rebeldes moderados” na sua revolta contra o ditador.

Mas tal foi um erro do Ocidente, um erro que os países ocidentais cometeram, ao julgarem o povo árabe pelos nossos padrões ocidentais. Nós vivemos em democracia e tentamos impô-la aos outros, exportando-a para outras nações.

O povo desses países viveu, durante décadas, com o seu estilo próprio, e viviam bem, posso-vos assegurar. Em Allepo os padrões de vida eram de tal ordem que ninguém invejava a democracia ou pseudo-democracia ocidental.

Para além disso, os cristãos, apesar de serem uma minoria, tinham uma certa liberdade religiosa. Mostravam-se, influenciavam o Governo, ocupavam cargos governamentais…

Dizem (aqueles que conseguiram asilo na Europa, pois falei com alguns deles) que gozavam de várias liberdades (quando estavam na Síria) que em muitas democracias de países europeus não existem na realidade.

Temos que ser críticos quando ouvimos as notícias. Não podemos ser demasiado simplistas; pensar que a democracia vem do paraíso e a ditadura vem do inferno, e que não há diferenças intermédias.

Este povo tem outra forma de pensar, outra cultura. Sempre viveram dessa forma, e esse facto era bom para eles. Com que direito nos intrometemos na sua soberania?

Como as demonstrações se multiplicavam pelo País, mesmo com a forte oposição do exército nacional sírio, eles continuavam a avançar para Norte, em direcção a Aleppo. Embora seja a segunda maior cidade do País, Aleppo é, na prática, a mais importante. É o coração financeiro do País. Aleppo ainda não foi tomada pelos grupos fundamentalistas, mas no dia em que for capturada – que Deus impeça esse facto – o Governo cairá e a presença cristã desaparecerá da Síria, pois será imposta a Lei Islâmica.

Aleppo é uma cidade importante, com cinco milhões de habitantes, uma cidade realmente muito próspera, com muita gente dedicada aos negócios. Há pessoas das classes média e alta. Além disso, era famosa no Médio Oriente por ser uma cidade muito ocidentalizada, próspera e pitoresca. Era famosa pelas suas grandiosas celebrações e eventos sociais, e ainda pela sua excessiva vida social.

Este era o povo que menos pensaria ver a cidade onde viviam, a bela cidade de Aleppo, reduzida a um monte de escombros. «Quando os terroristas vieram, lançando assaltos dia após dia, muitos dos distritos de Aleppo ficaram neste estado [a irmã aponta para fotos dos locais destruídos]».

Irmã Maria da Guadalupe Rodrigo

(Tradução: Pe. José Mario Mandía e António R. Martins)

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