OS NÚMEROS NA NATUREZA

Os números da Natureza

0, 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34… E o que se segue?

Alguns de vocês devem saber a resposta a esta pergunta: A sucessão dos números chama-se “Série de Fibonacci” (Fibonacci Series), assim denominada em honra de Leonardo Fibonacci (1170 a 1250), também conhecido pelos nomes de Leonardo Bonacci, Leonardo de Pisa, ou ainda Leonardo Pisano Bigollo. Ainda hoje é considerado o maior matemático ocidental da Idade Média.

As sequências numéricas que Fibonacci popularizou resultaram de um problema hipotético por ele idealizado, baseado na reprodução de casal de coelhos. Ignoraremos alguns dos detalhes do problema. Na sua solução defrontou-se com um série de números em que cada número era a soma dos dois números anteriores. Por exemplo: 5, resulta da soma de 2+3, (os dois números que o precedem); segue-se o 8 resultado da soma de 3+5 (uma vez mais os dois números que o precederam) e assim sucessivamente. Conseguem realizar qual o número que se segue, nesta série?

Bem, acontece que os números da Série de Fibonacci estão presentes na Natureza. Por exemplo: as pétalas das flores aparecem em grupos de 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, ou 98.

Os números de Fibonacci podem ser encontrados nos ananases, nos cactos, nas pinhas, nos girassóis, e nas conchas dos Nautilus. Ainda são encontrados no formato da galáxia e mesmo nas moléculas do DNA. Caso desejem, podem verificar estes factos na Internet.

E qual é o interesse? A Série de Fibonacci mostram-nos como muitas coisas na Natureza podem ser representadas por números. Este facto prova que na realidade existe um desenho, e, onde existe um desenho, existe lógica.

Assim vejamos como este facto se relaciona com a Fé.

O “Livro do Génesis” diz-nos que quando Deus começou o seu trabalho de criação, «Deus disse…», Deus falou – Ele criou tudo através da sua Palavra (“Logos”, palavra em Grego). São João explica-nos no Evangelho que Logos é DEUS. «No princípio existia o Verbo; o Verbo estava em Deus; e o Verbo era Deus». (João 1.1)

Em Grego, Logos é um termo muito lato, que pode ser traduzido como “palavra”, “significado”, “explicação”, “razão”… por outras palavras. No início já existia a Razão, e foi através dessa Razão que Deus criou.

Este facto significa que há um significado na Criação, que só esperava para ser explorado. «Por Ele é que tudo começou a existir; e sem Ele nada veio à existência». (João1:3). Esta verdade da Fé é corroborada, mesmo por pensadores que não professam a Fé Judaico-Cristã. Já no quinto século depois de Cristo um filósofo grego pré-socrático, de nome Anaxágoras, ensinava que o Mundo tinha sido organizado segundo “Nous” (Mente – inteligência).

Já vimos acima que encontramos Desenho na Natureza, encontramos lógica. A palavra “lógica” vem do Grego “Logos”, e assim implica racionalidade. Encontramos lógica. Encontramos lógica e racionalidade na Natureza porque ela foi criada através do Logos. A Natureza é organizada, ordeira, e por isso inteligível porque a sua origem foi um Ser Inteligente.

Se a Natureza é inteligível, então pode ser explorada. A Natureza apresenta-se-nos regularmente (exemplos: a revolução dos planetas à volta do Sol, a frequência da luz visível) e esta regularidade pode ser investigada e mesmo expressa em fórmulas matemáticas. É por isso que a Fé Judaico-Cristã encoraja a Ciência, porque quanto mais a Ciência nos mostrar do Universo, mais e melhor nós podemos apreciar a grandiosidade da Sua Origem. Os seus efeitos levam-nos até à Causa. A Ciência não é inimiga da Fé. O inimigo da Fé é a falta de conhecimentos (“conhecimentos”: em Latim “scientia”) e ignorância.

A disputa entre a Fé e o descrédito é uma luta entre o Desenho e o Acaso, entre a Razão e a falta dela. É por isso que as pessoas de Fé foram os pioneiros dos estudos sobre o Mundo e o Universo. Deixem-me dar-lhes alguns exemplos:

D. Robert Grosseteste (1175-1253), bispo de Lincoln de 1235 a 1253, que se especializou em matemáticas, óptica, e Ciência em geral. Grosseteste é considerado o fundador do movimento científico da Universidade de Oxford. Roger Bacon, um monge franciscano, foi aluno de Grosseteste. Bacon foi um dos advogados iniciais dos métodos científicos modernos.

O padre Gregor Mendel (1822 a 84) iniciou a ciência da Genética e o padre Georges Lemaitre (1894-1966) foi quem propôs a Teoria do Big Bang. Os jesuítas lideraram os procedimentos sobre a Astronomia – cerca de 40 das crateras lunares foram baptizadas com os nomes desses jesuítas. Podemos dizer que a Ciência cresceu graças ao impulso dado pela Fé Católica. Vejam a lista de cientistas católicos patente na Wikipédia. Mesmo hoje a Igreja continua a encorajar os estudos científicos. Por exemplo, a Igreja suporta a Pontifícia Academia das Ciências e o Observatório do Vaticano.

Deixem-me concluir com as palavras de São João Paulo II na sua Carta Encíclica de 1998, “Fide et Ratio” (Fé e Razão): «A Fé e a Razão são duas asas com as quais o espírito humano voa para a contemplação da Verdade: e Deus pôs no coração Humano um profundo desejo de conhecer a verdade – numa palavra de se conhecerem a eles próprios – e com isso, conhecerem e amarem a Deus, homens e mulheres poderão também chegar à plenitude da verdade sobre eles próprios (Ex 33:18; Ps 27:8-9; 63:2-3; Jn 14:8; 1 Jn 3:2)».

Pe. José Mario Mandía

(Tradução: António R. Martins)

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