O sentido da realidade

Família e Fé

O sentido da realidade

Em certa ocasião, alguém perguntou a Thomas Edison (1847-1931) como se sentia depois de ter fracassado incontáveis vezes na tentativa de fabricar uma lâmpada.

Edison, que foi autor de mais de mil e 200 inventos e transformou este nosso mundo ao aperfeiçoar as primeiras lâmpadas eléctricas de filamento incandescente, terá respondido mais ou menos o seguinte:

«– Eu nunca fracassei, muito pelo contrário. Consegui descobrir, com grande êxito, milhares de procedimentos de como não fabricar uma lâmpada».

Será uma lenda esta resposta?

Não sei.

No entanto, é um exemplo de resposta de alguém optimista. E, segundo consta, Edison era um homem vivamente optimista.

Se não fosse assim, teria desistido nos primeiros ensaios para criar novos inventos.

Ser inventor não é nem nunca foi um ofício fácil. É preciso ter uma vontade forte, uma persistência de aço e uma teimosia cheia de esperança.

Edison arriscou muitas vezes – e muitas vezes fracassou.

Contudo, não deixou que a tentação do desânimo tivesse a última palavra. Aprendeu com os seus fracassos e, de tanto começar e recomeçar, fez descobertas que ainda hoje nos são úteis.

O optimismo não é uma atitude ingénua e pouco realista, como muitos nos querem fazer acreditar. O optimismo também se manifesta nas derrotas e nos fracassos.

Um optimista sabe que a vida não é constituída somente por êxitos. Nem permite que a sua imaginação a apresente como um mar de rosas. Tem consciência de que a vitória não aparece sozinha e com pouco esforço.

Sabe que tem de aceitar os inevitáveis fracassos e procurar aprender com eles, condição sine qua non para não se afundar no desânimo.

Só não fracassa quem nunca faz nada!

Por outro lado, há uma faceta das derrotas que é importantíssima na nossa vida: levam-nos pela mão ao conhecimento próprio.

É muito difícil conhecermo-nos a nós mesmos, entre outros motivos porque nunca somos imparciais nesse conhecimento.

Já dizia a inscrição esculpida no dintel do templo de Delfos, na Antiga Grécia: “Conhece-te a ti mesmo”. E apresentava esta máxima como o princípio da verdadeira sabedoria.

É mais fácil conhecer o modo de ser dos outros e aquilo que nos rodeia. Pelo contrário, o conhecimento próprio é uma tarefa árdua e sujeita a muitas dificuldades.

Como dizia alguém, os fracassos permitem-nos recuperar o sentido da realidade. Colocam-nos no lugar contingente que nos corresponde.

Cada um de nós não é o centro do Universo, por muito que nos custe reconhecer esta verdade. Aqui, nesta Terra que agora pisamos, estamos de passagem, como todos os outros que por cá passaram.

Os fracassos ajudam-nos a reconhecer e aceitar as nossas próprias limitações, rindo-nos um pouco de nós próprios – maravilhoso remédio que mantém a nossa saúde mental.

Só os loucos não sabem rir-se de si mesmos!

Os fracassos evitam-nos o desgosto de descobrir um dia, quando nos apresentarmos diante de Deus tal como somos, que a imagem que forjamos de nós próprios não corresponde quase nada à realidade.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria 

Doutor em Teologia

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