E o Agosto acontece!

E o Agosto acontece!

Chegou finalmente o Agosto! O mês que, teimosamente, a grande maioria dos portugueses escolhe para fazer férias… no país europeu que menos férias e feriados tem.

Um mês das férias para os “felizardos” que têm emprego, porque para aqueles 600 mil desempregados, mais os muitos milhares que se encontram em cursos de formação temporária (escapando às estatísticas…) e que depois não conseguem emprego, e todos os outros que desistiram e já nem nas estatísticas se inscrevem, as férias são, angustiosamente, todos os dias! Mas alegrem-se, porque a economia portuguesa está a crescer e, se a retoma correr como está prevista, este ano vão ser criados sete mil empregos!?

Embora não da mesma forma, o mês de Agosto é para todos. O Sol, as praias, os passeios pelas florestas e a visão das mais belas paisagens de Portugal ainda não foram privatizadas e a sua utilização ainda não nos obriga a pagar bilhete (pelo menos por agora). Bem certo que muito poucos dispõem de recursos para desfrutar, completamente e agradavelmente, este carismático mês mas, a grande maioria – os que não têm dinheiro para pagar o transporte; comer todos os dias em restaurantes ou alugar um quarto junto a uma praia – fica, pelo menos, com uma esperança dada pelo nosso Primeiro-Ministro. Ou seja, se as receitas fiscais dos impostos que pagamos (IRS e IVA) aumentarem 4,2% e o actual Governo sair vencedor nas próximas eleições legislativas do dia 4 de Outubro, Passos Coelho compromete-se, em 2016, a baixar um outro imposto que pagamos (a sobretaxa) em 0,7%…

Com esta “promessa” podem assim ficar descansados os portugueses porque, para o ano, poderão pensar em férias no estrangeiro. Todos, todos, também não, porque a Maria Luís (a nossa ilustre Ministra das Finanças) quer manter os cortes salariais da Função Pública e gastar menos 600 milhões de euros com as pensões, o que permite pensar que, em 2020 e se estes governantes voltassem a ser eleitos, os funcionários públicos poderiam receber, como “prémio”, voltar a ganhar os salários que tinham há uns anos atrás e os pensionistas, bom, porventura uma boa parte deles, já estaria em férias definitivas no “paraíso”.

Mas, meus caros, férias são férias e não é tempo para preocupações sérias.

“Que se lixem as eleições”, dizia o nosso PM, a antecipar o que vamos encontrar depois das férias e reconhecendo que já não ganha com promessas, depois do que prometeu e não cumpriu, após as últimas eleições. Além de que quem agora quiser travar a austeridade é visto como fomentador da agitação social, destruidor da “notável” recuperação da dívida nacional, do emprego dos “boys” e do visível aumento do nível de vida dos muito ricos, para além da crise de “confiança” dos mercados. Por isso não há alternativa à coligação PSD/CDS. Nem se percebe porque é que se vão fazer eleições!?

Acho até que, durante este mês de Agosto, os portugueses deveriam fazer uma “limpeza” às ideias destes comentadores corrosivos que só falam mal do Governo.

O tempo é para “conversas de praia” e leituras cor-de-rosa. Tempo para comentar episódios com piada, como o “deslize” de Passos Coelho quando afirmou que, “por acaso”, foi ele que desbloqueou as negociações com os gregos mas, mais tarde, não desmentiu o presidente do Eurogrupo quando este afirmou ter sido o autor do desbloqueio. Ou aquela outra “cena”, confirmada pelo Presidente da Comissão Europeia e mal desmentida pelo nosso PM, de que este último tinha pedido aos seus colegas europeus para não se discutir qualquer matéria relacionada com o alívio da dívida grega antes das eleições de Outubro (não fossem os portugueses chamarem pateta ao seu PM por não defender a mesma coisa). Essas sim, são conversas de Verão para se terem entre amigos, enquanto se mastigam uns tremoços e se bebem umas “bejecas” fresquinhas para esquecer.

Temos tempo para falar de eleições quando viermos de férias. Até porque os partidos que nos governam e aquele que se apresenta como seu substituto terão de fazer umas campanhas “soft”, sem grandes alaridos, por falta de fundos. Desta vez não podem contar com o “dono disto tudo” (Espírito Santo), que era um grande financiador dos arraiais eleitorais e está “preso” na sua luxuosa casa, sem pulseira electrónica…

Enfim, “disto tudo” e de outras coisas falaremos mais tarde, quando regressarmos de férias. Até lá, gozem bem o Agosto, com muito humor e saúde porque, à volta, cá vos espero!

Luis Barreira

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