«Jesus, sei que morreste por mim. Mas eu não me...»

Cuidando das ovelhas uma a uma – II

«Jesus, sei que morreste por mim. Mas eu não me…»

Uma vez, durante a homilia, o cardeal D. Jean-Marie Lustiger (arcebispo de Paris, de 1981 até se reformar em 2005) contou uma história acontecida em 1939, referente a um grupo de rapazes de Orleães, França. Os rapazes queriam divertir-se um pouco e desafiaram-se mutuamente a entrarem na igreja e a confessarem uma lista de pecados terríveis ao padre que se encontrava no confessionário. Um deles, um judeu de nome Aaron, aceitou o desafio. Entrou na igreja e foi confessar-se, mas o padre que era tão esperto como santo descobriu de imediato as intenções do rapaz. Sem qualquer sinal de aborrecimento, o confessor deu-lhe uma pequena penitência: ir até ao altar, ajoelhar-se frente a uma grande imagem de Jesus crucificado, e dizer três vezes: “Jesus, eu sei que morreste por mim, mas eu não me importo nem um pouco com isso”.

Aaron pensou para consigo mesmo: “Haha! Mais simples do que eu esperava”, e dirigiu-se até ao altar para cumprir a penitência. «Jesus, eu sei que morreste por mim, mas eu não me importo nem um pouco com isso», gritou ele.

«Jesus, eu sei que morreste por mim, mas eu não me importo nem um pouco com isso», disse uma vez mais.

E novo começou: «Jesus, eu sei que morreste por mim, mas eu não me…» E não conseguiu terminar a frase!

No ano seguinte, em Agosto de 1940, Aaron foi baptizado com o nome cristão “João-Maria” (Jean-Marie). E o cardeal Lustiger acabou a história dizendo: «Esse rapaz é o que está agora na vossa presença, falando convosco».

Durante o tempo em que foi arcebispo de Paris, o judeu convertido em cardeal foi responsável por um grande desenvolvimento na vida da Igreja Católica da cidade. Novos movimentos deram um renovado vigor aos paroquianos e as vocações para o sacerdócio cresceram.

Quase todos os Domingos, ao final do dia, o cardeal Lustiger celebrava missa para os jovens na igreja de Nossa Senhora de Paris (Notre Dame).

Não é fantástico o poder da misericórdia de Deus? Na realidade, a confissão do jovem Aaron não era válida (uma pessoa tem que ser baptizada para realmente se poder confessar). Mas esse facto não impediu Deus de “agarrar” a oportunidade de trazer de volta a casa um filho tresmalhado.

É por essa razão que os Santos estão constantemente a referir-se ao Sacramento da Confissão. Por exemplo, São João Bosco era visto muitas vezes fora de portas a ouvir as confissões do rapazes. Ele dizia-lhes: «Queres ser Santo? Aqui está o segredo: a Confissão é a fechadura, ter confiança no vosso confessor é a chave. É assim que vós podereis abrir as Portas do Paraíso».

Nosso Senhor disse a Santa Faustina: «Diz às almas que onde elas poderão encontrar apoio é no Tribunal da Misericórdia. É o lugar onde os grandes milagres acontecem (e são) incessantemente repetidos. Para conseguirmos usufruir desses milagres não é preciso fazer uma grande peregrinação, ou promover uma grande cerimónia; basta irmos com fé até junto do Meu representante e revelar-lhe as nossas misérias, e o milagre da Misericórdia Divina será completamente demonstrado uma vez mais».

«Uma alma que se pareça como um corpo em decomposição, de um certo ponto de vista humano, onde já não haja esperança de recuperação, e leve a pensar que tudo está perdido, não existe para Deus. O milagre da Misericórdia Divina recuperará completamente essa alma».

«Oh… quão miseráveis são os que não aproveitam o Milagre da Misericórdia de Deus! Chamareis em vão, mas já será demasiado tarde» (“A Divina Misericórdia na Minha Alma” – “Divine Mercy in My Soul”).

Quando nos ajoelhamos para confessar os nossos pecados dizemos: “Perdoai-me padre, porque pequei”. Bem, Deus nosso Pai leva muito a sério as nossas palavras. Ele não apenas nos perdoa, mas ainda nos abençoa com graças para além do que nós merecemos. Ele não apenas nos cura e levanta de novo, mas também nos torna um pouco mais divinos de cada vez que nos confessamos; um pouco mais parecidos com Ele.

Pe. José Mario Mandía

(Tradução: António R. Martins)

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *