Ele está a chegar!
O dia de hoje, Primeiro Domingo do Advento, marca o início de um novo ano litúrgico na Igreja Católica. A palavra “Advento” vem do verbo latino “advenire”, que significa “vir”, “chegar” ou “alcançar”.
São Bernardo fala de três vindas do Senhor, sendo a primeira e a terceira visíveis e a segunda invisível. Ele explica: “Na primeira, o Senhor veio na fraqueza da carne; na intermediária, vem espiritualmente, manifestando o poder da sua graça; na última, virá com todo o esplendor da sua glória” (Salmo 5, In Adventu Domini).
O primeiro Advento deu-se quando Jesus Cristo se tornou homem, quando o Deus invisível se tornou visível: «E a Palavra se fez carne e habitou entre nós. Vimos a sua glória, glória como a do Unigénito do Pai, cheio de graça e verdade» (João 1, 14).
O terceiro Advento dar-se-á no fim dos tempos, quando «surgirá no céu o sinal do Filho do homem, e todos os povos da terra prantearão e verão o Filho do homem a chegar nas nuvens do céu com poder e majestosa glória» (Mateus 24, 30).
E o segundo Advento? Está a acontecer agora. Jesus está sempre a vir! São Bernardo ensina: “Caso alguém pense que o que dizemos sobre esta vinda intermédia é pura invenção, oiça o que o próprio Senhor diz: «Se alguém me ama, obedecerá à minha Palavra; e meu Pai o amará, e nós viremos até ele e faremos nele o nosso lar» (João 14, 23)”.
Além disso, sabemos e acreditamos que Jesus vem até nós pessoalmente na Sagrada Eucaristia. Ele está “verdadeira, real e substancialmente contido” (Catecismo da Igreja Católica, 1374) naquela pequena Hóstia. Tanto a sua natureza divina como a sua natureza humana são invisíveis para nós, mas acreditamos e sabemos que Ele está lá, porque Ele nos disse!
Podemos até falar de uma quarta vinda, que é o momento da nossa morte, quando Jesus vem para nos chamar de volta para si. É um momento que naturalmente tememos. O Concílio Vaticano II descreve a angústia que o pensamento da morte desperta em nós. “É em face da morte que o enigma da condição humana mais se adensa. Não é só a dor e a progressiva dissolução do corpo que atormentam o homem, mas também, e ainda mais, o temor de que tudo acabe para sempre. Mas a intuição do próprio coração fá-lo acertar, quando o leva a aborrecer e a recusar a ruína total e o desaparecimento definitivo da sua pessoa. O germe de eternidade que nele existe, irredutível à pura matéria, insurge-se contra a morte. Todas as tentativas da técnica, por muito úteis que sejam, não conseguem acalmar a ansiedade do homem: o prolongamento da longevidade biológica não pode satisfazer aquele desejo duma vida ulterior, invencivelmente radicado no seu coração” (Gaudium et spes, 18).
Mas graças à nossa fé católica sabemos o que existe para além da morte. Sabemos que há algo infinitamente melhor para além desta vida, se formos fiéis: «Olho algum jamais viu, ouvido algum nunca ouviu e mente nenhuma imaginou o que Deus predispôs para aqueles que o amam» (1 Coríntios 2, 9).
No Evangelho de hoje, Jesus adverte-nos: «Por isso, vigiai, porquanto não sabeis em que dia virá o vosso Senhor» (Mateus 24, 42). Como nos preparamos para a vinda do Senhor? Encontramos a resposta na segunda leitura de hoje: «Fazei desta maneira, discernindo o tempo em que vivemos. Pois que já é hora de despertardes do sono; porque agora a nossa salvação está mais próxima do que quando cremos. A noite vai passando e chegando ao seu final; o dia logo alvorecerá. Portanto, abandonemos as obras das trevas, e revistamo-nos da armadura da luz. Vivamos de modo decente, como em plena luz do dia, não em orgias e bebedeiras, não em imoralidade sexual e depravação, não em desavenças e invejas. Ao contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo; e não fiqueis idealizando como satisfazer os desejos da carne» (Romanos 13, 11-14).
Como podemos “abandonar as obras das trevas”? O Senhor deu-nos um remédio poderoso na Sua Igreja: o Sacramento da Reconciliação. A confissão frequente e regular é a forma mais eficaz de nos prepararmos para a vinda de Cristo, quer estejamos a falar da comemoração da Sua vinda no Natal, da Sua vinda na Eucaristia, da Sua vinda no fim do mundo ou da Sua vinda na hora da nossa morte.
Se ficarmos acordados, se estivermos constantemente vigilantes, então poderemos cantar com o Salmo de hoje: «Alegrei-me quando me convidaram: “Vamos à Casa do Senhor”» (Sl., 122, 1).
Não teremos mais medo, mas sim esperá-Lo-emos com ansiosa expectativa: “Vem, vem Emanuel | E resgata Israel cativo | Que aqui chora em exílio solitário | Até que o Filho de Deus apareça” (Hino “Vem, vem, Emanuel”).
Pe. José Mario Mandía

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