O regresso do Perkins

Rota dos 500 Anos-O regresso do Perkins

Finalmente temos o motor a funcionar novamente. A bomba de injecção foi retirada, a custo, e completamente reparada por um especialista colombiano que trabalha em Curaçao. Aproveitámos a ida ao mecânico para também fazer a manutenção dos injectores dos quatro cilindros do motor. Passados quatro dias vieram reinstalar tudo no barco e testar o seu funcionamento. Como previsto, a bomba e os injectores ficaram a funcionar bem. No dia seguinte apenas notámos uma pequena fuga de fumo num dos injectores, mas pensamos que tal se deve ao facto de não ter sido bem apertado. O mecânico foi de imediato informado e ficou de voltar ao barco para verificar e reparar o problema.

Saber que podemos usar o motor dá-nos uma tranquilidade acrescida, ainda que não a cem por cento dado ainda ter outros problemas por resolver. No entanto, em caso de necessidade, sabemos que está pronto a funcionar. Até termos verba disponível para uma reparação completa, temos de poupar o velhinho Perkins e esperar que nada de errado aconteça nos próximos meses.

A paz de espírito que o motor nos dá deixa-nos também com ânimo para meter mãos a outros afazeres no barco. Mais uma porta em rede e tecido foi terminada – estamos a substituir as que tinham sido feitas na República Dominicana e que estão muito danificadas – e retirámos o gerador eólico, substituindo-o pelo de reserva, porque estava a dar sinais de cansaço e necessita de manutenção. Também testámos uma membrana de osmosis reversa para água do mar do nosso pequeno dessalinizador.

A máquina de fazer água potável não trabalhava porque nas últimas semanas o nível de sal na água foi muito elevado. Com a chegada de um casal brasileiro que tinha a membrana do dessalinizador desmontada aproveitámos para a testar no nosso. Era algo que planeávamos fazer há muito tempo, visto que as membranas do nosso equipamento custam quatrocentos dólares americanos cada uma! A marca não permite que se possam usar membranas de marca branca, daí o preço ser muito elevado. Tentando sempre dar a volta ao problema, não desistimos em encontrar uma solução. Não aceitamos de bom grado que a marca nos obrigue a pagar fortunas por algo que custa pouco mais de duzentos dólares. A nossa máquina usa duas membranas pequenas, de pouco mais de trinta centímetros. A que testámos tem mais de um metro e a água saiu aceitável. O maior problema foi encontrar forma de ligar os tubos de alta pressão da máquina à membrana. Com alguma paciência e engenho o dilema foi resolvido e testámos o sistema. Não foi um teste completamente positivo porque a bomba de pressão é pequena para a membrana, mas mesmo assim deu para descobrir que se usarmos uma membrana mais pequena o aparelho funciona sem quaisquer problemas.

Nos próximos dias podemos ter acesso a uma membrana de dimensões mais reduzidas para voltar a testar a bomba e a água produzida. Esperamos que os resultados sejam finalmente os que procuramos. Se assim for, quando tivermos disponibilidade financeira, iremos proceder à encomenda de uma membrana para substituirmos as duas da nossa máquina e assim deixarmos de estar atados às exigências da marca. Caso sejamos bem sucedidos, iremos publicar no nosso blogue todos os passos a dar para converter o dessalinizador. Há muitos proprietários que desesperam com o facto de serem obrigados a usar membranas da marca, desperdiçando dinheiro sem qualquer justificação.

Na próxima semana, depois de comemorarmos o meu aniversário, vamos meter mãos a outro dos trabalhos que queremos fazer antes de seguirmos viagem: vamos substituir o plástico transparente do restante resguardo do poço. A primeira parte foi feita em Guadalupe, faltando mais duas peças para que tudo seja substituído. Depois faltará terminar o segundo painel lateral e estaremos com a lista de trabalhos quase concluída e a pensarmos em começar a preparar o veleiro para partirmos rumo à Colômbia ou Panamá.

Iremos aproveitar a estadia em Curaçao para tentarmos reparar a máquina de costura. Deixou de funcionar há vários meses e ainda não a reparámos, apesar de já termos tentado por diversas vezes. Infelizmente não conseguimos e parece que vamos mesmo de ter de recorrer a um especialista para resolver mais este problema. Descobrimos que em Curaçao há um homem que o faz por pouco dinheiro.

João Santos Gomes

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