O que foi Ungido

A Manjedoura, a Cruz e o Tabernáculo

A Manjedoura, a Cruz e o Tabernáculo.

Giovani Pierluigi da Palestina (1525-1594) compôs uma polifonia encantadora, para coro masculino, com os versos de um hino atribuído a São Bernardo de Clairvaux (1090-1153). Aqui deixamos parte dessa obra.

Iesu, Rex admirabilis / et triumphator nobilis, / dulcedo ineffabilis, / totus desiderabilis.

Iesu, dulcedo cordium, / fons vivus, lumen mentium, / excedens omne gaudium / et omne desiderium.

“Jesus, Rei Maravilhoso, nobre vencedor, indescritível doçura, tudo o que o coração alguma vez possa almejar”.

“Jesus Tu és a doçura dos corações, Tu és uma fonte viva, a luz das mentes, que ultrapassa toda a felicidade e todo o desejo”.

O Natal convida-nos a virar a nossa atenção para o Recém-Nascido Jesus. Ele é o Messias há tanto tempo esperado, o Cristo, o que foi ungido.

No Antigo Testamento esses ungidos eram, ou Profetas, ou Sacerdotes, ou Reis. O Ungido, no Novo Testamento, é todas essas três condições: um Profeta que nos ensina a verdade; um Sacerdote que actua em nome dos homens para oferecer sacrifícios a Deus; e actua em nome de Deus para santificar o Homem; e um Rei e Pastor que governa e guia o seu povo ao seu destino final.

Mas Jesus cumpriu a sua missão de uma nova forma. Os seus métodos são de facto revolucionários. Ele executou a sua tarefa, não a partir de um templo, de uma sala de aula, ou de um palácio. De facto Ele falou na Sinagoga e no Templo, mas os locais onde Ele foi mais efectivo foram na Manjedoura, na Cruz e no Tabernáculo.

Da Manjedoura Ele ensinou-nos o significado de nos desprovermos – Ele desfez-se da Sua Natureza e Poderes Divinos. Ele ensinou-nos a desligarmo-nos do poder, das posses terrenas e do prazer. Da manjedoura Ele oferece-se a Ele próprio ao Pai, enquanto abençoa os que o vêm adorar. Da manjedoura Ele conquista os nossos corações, Ele atrai-nos para nos poder conduzir ao Reino Celestial.

Da Cruz Ele ensina-nos ainda com mais eloquência as mesmas lições de obediência, humildade e desprendimento. Ele nem mesmo reivindica os seus direitos humanos: quando lhe tiraram as suas roupas, Ele não disse: “vós não tendes o direito de fazer isso, essas roupas são minhas!”. Na Cruz Ele oferece-se como Vítima para o Pai, no mais perfeito dos sacrifícios e abençoa aqueles que olham para Ele. Da Cruz Ele derrota o mal e assegura-nos da vitória dos nossos próprios problemas.

Do Tabernáculo Ele ensina-nos a grande lição da nossa própria humildade. Ele esconde, não apenas a sua Divindade, mas também a sua Natureza Humana. Ele disfarça-se, a Ele próprio, em pão e vinho. No altar Ele renova a oferta que nos fez na Cruz, aceita as nossas fracas ofertas, abençoa-as, multiplica o seu valor, e devolve-as generosamente, com o Seu próprio Sangue e Corpo. E mantém-se atrás do Tabernáculo, de forma que alguém que deseje receber uma bênção pode fazê-lo como melhor lhe convier; Jesus está disponível 24 horas por dia, sete dias por semana. E, do Tabernáculo, Ele é o Bom Pastor que domina os nossos corações com a sua gentileza e perdão amoroso característicos. «Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei (Mateus 11:28)».

“Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tende piedade de mim, pecador! Não sou digno, mas dizei uma palavra…”

Pe. José Mario Mandía

(Tradução: António R. Martins)

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