O poder da Acupunctura e da Fitoterapia Chinesa

Terapia das agulhas e das plantas

Terapia das agulhas e das plantas

No início da década de 1970, na sequência da histórica visita do Presidente Nixon à China, a comitiva que o acompanhava teve a oportunidade de contactar de perto com a medicina tradicional e verificar, para espanto de muitos, as suas potencialidades no combate à doença, quer através da acupunctura quer da fitoterapia. Um episódio marcante terá sido a observação de várias cirurgias cuja única anestesia utilizada se resumia a algumas agulhas minuciosamente colocadas em determinados pontos do corpo e estimuladas por pequenos aparelhos geradores de fraca corrente eléctrica. Desde então, a medicina tradicional chinesa tem vindo a popularizar-se, sendo hoje aceite e utilizada por milhões de pessoas em todo o mundo.

Foi com perplexidade que muitos ocidentais ficaram a saber que a acupunctura mais não é que um ramo da medicina tradicional chinesa. «Um dos nossos mais valiosos utensílios», como disse Choi Seung-Hoon, antigo responsável pelo Gabinete de Medicina Oriental para a Região do Pacífico Oeste da Organização Mundial da Saúde.

Na verdade, a medicina tradicional chinesa é constituída pela fitoterapia e a acupunctura, mas também pela dietética, o “chi kung”, o “tai chi chuan”, a massagem, a pressoterapia, a moxabustão, etc. Todas elas complementos da fitoterapia e da acupunctura, não constituindo por si mesmos medicina.

Segundo alguns estudos, a fitoterapia é o ramo da medicina tradicional mais utilizado na China actual. Refere-se mesmo que 70 por cento das doenças são tratadas pela fitoterapia. No Ocidente a acupunctura tem supremacia evidente, não por ser mais eficaz, mas por ser mais fácil de aprender.

Foram os jesuítas os primeiros a trazer para a Europa a “Medicina das Agulhas” – ou seja, acupunctura, do Latim “acus” (agulha) e “punctus” (ponto) – e a traduziram os primeiros livros do conhecimento médico chinês.

Aprender acupunctura implicava apenas a repetição de um gesto “mágico” de inserção de uma agulha num certo ponto do corpo, sem ser preciso entender os mecanismos pelos quais se rege o efeito terapêutico, tão pouco a teoria lógica da medicina energética chinesa.

Fitoterapia, por estranho que pareça, foi sempre mais difícil de entender e estudar, mas também menos exótica, pois o Ocidente sempre se tratou através das plantas. Na altura, aprender a utilizar as plantas implicava conhecer profundamente a língua, o pensamento e o conhecimento médico chinês.

O exercício da fitoterapia exige um conhecimento profundo da medicina chinesa, pois a sua acção é energética, aplicando-se por isso o mesmo raciocínio que na acupunctura. Deste modo, um só diagnóstico permite duas terapias.

A fitoterapia é administrada em fórmulas compostas por várias plantas, entre três a quarenta. Uma ou duas são para produzir o efeito terapêutico desejado, e as restantes para eliminar os eventuais efeitos colaterais. Difere da fitoterapia ocidental que, em regra geral, recorre apenas a um planta de cada vez. As fórmulas da fitoterapia chinesa, algumas com milhares de anos, produzem efeitos terapêuticos poderosos com segurança e garantia de não terem efeitos secundários ou outras formas de toxicidade para o organismo.

Para a medicina chinesa, a energia (chi) é a base de toda a existência: a terra, o universo, a vida, a natureza e o homem. A energia origina a matéria, a matéria a energia. O yang origina o yin, o yin o yang. Deste equilíbrio, mais ou menos variável, surge a noção de saúde.

As perturbações patológicas são energéticas, podendo ter maiores ou menores repercussões na matéria. Esta é a grande diferença em relação à medicina convencional, que baseia grande parte do seu raciocínio na alteração estrutural ou da matéria, como causa das doenças. Assim, o diagnóstico em medicina tradicional é energético e a sua acção terapêutica também é energética.

A medicina tradicional chinesa classifica as doenças de acordo com o grau e tipo de alteração energética em dois grandes grupos: “doenças de vazio” (insuficiência ou deficiência de energia) e “doenças de plenitude” (excesso de energia). A acupunctura, por exemplo, é mais eficaz nas patologias de plenitude, enquanto a fitoterapia aplica-se sobretudo às doenças de vazio. Todavia, alguns sintomas de excesso têm frequentemente etiologia de vazio, daí que a verdadeira medicina tradicional chinesa utilize a sinergia destes seus dois ramos para tratar as doenças.

Há, no entanto, necessidade absoluta da monotorização dos alimentos ditos saudáveis e da medicina tradicional chinesa que garanta, a uns e outros, maior credibilidade a nível internacional, pois dela, de certa forma, carecem. Apesar de, desde meados da década de noventa do século passado, o Governo Central ter vindo a monitorizar a qualidade desse tipo de produtos, a China confronta-se ainda com problemas substantivos. Primeiro, há um clara insuficiência, por falta de financiamento, de meios técnicos sofisticados que permitam melhorias no processo de investigação e produção dos ditos produtos. Segundo, as empresas que se dedicam a este tipo de actividades tendem a preocupar-se mais com os lucros do que propriamente com a qualidade dos produtos e até com a sua própria reputação. Terceiro, a gestão governamental tem dado prioridade à produção dos fármacos e mezinhas, descurando a sua monitorização.

Em conclusão: A medicina chinesa precisa de estandardização. E essa estandardização é definida por autoridades reguladores, não só a nível nacional, mas sobretudo a nível internacional. Só elas poderão estabelecer os parâmetros de segurança, qualidade e eficácia dos produtos de medicina tradicional chinesa.

Joaquim Magalhães de Castro

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