Ganhou o PSD. Perdeu o PPD.

Ganhou o PSD. Perdeu o PPD.

Ganhou o PSD. Perdeu o PPD.

O Partido Social Democrata tem novo presidente!

No último sábado, com uma diferença de dez pontos percentuais em relação ao seu adversário, os militantes do PSD elegeram Rui Rio para presidir aos destinos do seu partido. Para trás ficou, mais uma vez, o “persistente” Santana Lopes e… RRR (Rui Rio ‘Riu’)!

Em crónica anterior já havia tecido algumas considerações sobre a pobreza dos debates televisivos entre os dois candidatos à liderança daquele que é, por enquanto, o maior partido político português. Até às eleições do passado sábado, um e outro, pouco adiantaram quanto ao projecto que têm para o País, excepto num ponto que foi o tema mediático da discórdia.

Para Rui Rio, uma aliança com o Partido Socialista não está fora de hipótese, se daí resultarem benefícios para Portugal. Para Santana Lopes isso era o “diabo”, usando uma expressão grata ao demissionário Passos Coelho, cuja prole apoiou este candidato.

É muito cedo para conjecturar sobre o comportamento do novo presidente eleito, Rui Rio. E isto por várias razões que não têm apenas a ver com as parcas informações que ambos se dispuseram a fornecer durante a campanha eleitoral. Mas, o facto de Rui Rio ter declarado que, em nome do interesse nacional, estaria disposto a aliar-se ao PS e que o PSD não pode ser um clube de amigos com interesses individuais ou de grupo, marca a diferença de personalidade política ente ele e Santana Lopes.

Santana Lopes esperou que a máquina do partido, liderada pelo anterior presidente, conseguisse elegê-lo à liderança do seu PPD/PSD, senão e eventualmente, com a promessa de manter os lugares para os “boys” do partido no Governo e na Assembleia da República. Tal não aconteceu!

Rui Rio, nas suas declarações, deixou vincada a promessa de alterar tais “acomodações” partidárias e teve a coragem de sobrepor os interesses do País aos interesses do seu próprio partido, assumindo a raiz social-democrata do PSD.

Mas esta coragem demonstrada pelo candidato agora vencedor ao lugar de presidente do PSD e ex-presidente da Câmara do Porto não é isenta de uma sua leitura objectiva das dificuldades que tem pela frente, face à necessária unificação do partido, que ganhou com uma diferença mínima de 54,3 por cento, com muitas abstenções e votos nulos dos militantes e a prova final que serão as próximas eleições legislativas de 2019.

Para unir o partido, Rui Rio terá de desmistificar, entre os militantes do partido, a argumentação de oposição casuística utilizada pelo seu antecessor e que tão poucos resultados tiveram, utilizando um discurso claro e plausível sobre as reformas necessárias ao País, capazes de erradicar alguns dos males de que sofrem ainda as nossas instituições. E isso não se faz com uma oposição de guerrilha personificada a que muitos dos “diabretes” passistas estavam habituados, mas com propostas que traduzam um verdadeiro interesse pelo desenvolvimento do todo nacional, mesmo que elas coincidam com o actual partido no poder.

Por outro lado, o Governo do Partido Socialista tem criado e mantido boas condições sócio-económicas, capazes de granjear a maioria do apoio popular, tornando mais difíceis as oportunidades de um PSD renovado vir a atingir a maioria em 2019. E, se tal não acontecer, Rui Rio será visto por alguns dos seus detractores como um presidente com um “lugar a prazo”; um “traidor”, se pensar concretizar um “bloco central” com o PS, ou um “perdedor” para o CDS, uma vez que este último não deixará passar a oportunidade de ultrapassar o seu “parceiro” habitual.

Tudo está em aberto e dificilmente será fechado nos próximos tempos.

Após 44 anos de democracia em Portugal, o nosso sistema partidário evoluiu por influência de circunstâncias internas – também dependentes de influências externas – tornando absurdas as designações ideológicas de alguns partidos.

O Partido Socialista, com mais ou menos tendências periféricas, é hoje um partido social-democrata e o Partido Social Democrata exibe duas tendências manifestas: a social-democrata e a liberal. Neste contexto, em que me parece haver apenas lugar para um partido social-democrata, alguma transformação terá de haver.

A hipótese de “bloco central” de Rui Rio (e porque não de António Costa?!) pode ser a antevisão dessa transformação, limadas as arestas “ensanguentadas” dos respectivos militantes, acossados permanentemente à rivalidade.

O que fará então Santana Lopes, que diz que “vai andar por aí”? Talvez aquilo que Pacheco Pereira denunciou que ele queria fazer aqui há uns anos: formar um novo partido com as hostes liberais que sobram do seu partido e (acrescento eu) aqueles que, no CDS, comungam dos mesmos ideais.

Está aberta a “Caixa de Pandora”. Salve-se a esperança por um Portugal cada vez melhor para todos!

LUIS BARREIRA

 

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