Família e Fé

A escravidão da preguiça

A escravidão da preguiça

Na parede do armazém estava afixado um cartaz com a seguinte inscrição: “Que bom é não fazer nada. E depois de não fazer nada, descansar”.

Acompanhava tal conselho uma fotografia de um rosto despreocupado, tranquilo e com um sorriso de orelha a orelha. Era um convite a não preocupar-se com a vida, a deixar as coisas andarem por si. No fundo, era um apelo a anestesiar qualquer ânsia insensata e vergonhosa de trabalhar.

A preguiça parece um defeito simpático. Chega mesmo a dar mostras de – à primeira vista – ser um rasgo da personalidade completamente pacífico. No entanto, por trás dessa aparência inofensiva, esconde-se uma verdadeira escravidão.

Quem se deixa embalar pela lei do menor esforço – lei número um de qualquer preguiçoso – acaba por entediar-se com o trabalho mais simples. Porque a preguiça cansa – e cansa muito!

Acorrenta a pessoa. Suga-lhe as forças que lhe permitiriam reagir. Não é nada fácil libertar-se de uma languidez tolerada e cultivada durante anos como um estilo fantástico de vida.

Porque é que há pessoas que fazem o seu trabalho com um sorriso nos lábios e outras, pelo contrário, para quem o mesmo trabalho representa um fardo insuportável?

Em todas as profissões é frequente encontrarmos pessoas bem-dispostas. Quem não teve a experiência de ser bem atendido quando necessitou de comprar alguma peça de roupa?

No entanto, nessas mesmas profissões e em circunstâncias de trabalho muito similares, também é frequente encontrarmos pessoas carrancudas e antipáticas.

Porque é que isto acontece?

Muitas vezes, a raiz da tristeza e da má vontade no trabalho está precisamente neste defeito que parece inofensivo: a preguiça.

O preguiçoso faz o seu trabalho, mas fá-lo com uma má vontade que o azeda por dentro. O trabalho não o faz crescer interiormente – entre outras coisas porque o faz só por obrigação.

Não é um homem livre: é escravo da sua preguiça. Ao contrário do que dizia o cartaz, não é nada bom não fazer nada.

Mas esse não é o único engano da inscrição afixada na parede do armazém. Depois de não fazer nada, é impossível descansar. Ninguém descansa se antes não se cansou. Pode tentar, mas não pode experimentar o gosto do verdadeiro descanso.

A preguiça é uma das mais dolorosas formas de pobreza do ser humano. Torna-o infeliz no trabalho e infeliz no descanso. Um descanso que entende como matar o tempo e que acaba por encher a sua alma de um profundo tédio.

Sugiro uma nova inscrição: “Que bom é trabalhar com entusiasmo e desejo de ajudar os outros. E depois de trabalhar, é bom descansar mudando de actividade, entretendo-nos com ocupações que exigem menos esforço”.

A fotografia pode permanecer a mesma.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria 

Doutor em Teologia

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