Diocese celebrou o Dia Mundial dos Pobres

Agrava-se o fosso entre mais e menos favorecidos

Agrava-se o fosso entre mais e menos favorecidos.

A diocese de Macau assinalou na segunda-feira, pelo segundo ano consecutivo, o Dia Mundial dos Pobres, uma data celebrada no ano passado pela primeira vez por iniciativa do Papa Francisco e que em 2018 voltou a ser assinalada um pouco por todo o mundo.

No território, a evocação do Dia Mundial dos Pobres teve lugar na Taipa, com a Cáritas a oferecer um almoço a cerca de uma centena de pessoas. Na iniciativa, organizada em estreita cooperação com a Diocese, participaram residentes em situação social muito distinta, explicou a’O CLARIM o secretário-geral da Cáritas Macau, Paul Pun: «Juntámos cem participantes, entre os quais idosos que vivem sozinhos, alguns sem abrigo e ainda crianças, sobretudo de famílias monoparentais. A diocese de Macau tentou encorajar os jovens a fazerem chegar o seu apoio aos menos privilegiados».

«Fizemos questão de assinalar a data de uma forma discreta, porque a pobreza não se celebra. O nosso objectivo foi o de passar a mensagem que estas pessoas, que sofrem privações, não estão sozinhas. Mais do que a refeição que lhes oferecemos, a iniciativa foi importante porque lhes deu a possibilidade de conviver com outras pessoas e de o fazerem sem qualquer tipo de constrangimentos», complementou o responsável.

Instituído em 2017, pela “pena” do Papa Francisco, o Dia Mundial dos Pobres – celebra-se anualmente a 19 de Novembro – surge como um apelo da Igreja aos católicos para que promovam, nas suas comunidades e famílias, «um verdadeiro encontro e uma partilha que se torne estilo de vida e prova da sua autenticidade evangélica». O objectivo, sublinhou o Sumo Pontífice na mensagem que escreveu para a edição inaugural da efeméride, é «que todas as comunidades se tornem, em todo o mundo, cada vez mais e melhor sinal concreto da caridade de Cristo pelos últimos e mais carenciados».

A faceta social da pobreza em Macau

Em Macau, a pobreza tem, sobretudo, uma faceta social. Na segunda-feira o diário South China Morning Post noticiou que em Hong Kong há 1,37 milhões de pessoas a viver abaixo do limiar da pobreza, um quinto dos quais são crianças. Na RAEM a situação não é tão drástica, reconhece Paul Pun, mas os efeitos do encarecimento do custo de vida começam a ter um impacto pernicioso a vários níveis, incluindo na educação e no desenvolvimento das novas gerações. «Em Macau ainda estamos melhor do que em Hong Kong, mas com o aumento do custo das rendas o que temos notado é que os pais não gastam tanto dinheiro com a nutrição das crianças ou com actividades que possam propiciar o seu desenvolvimento», salientou o secretário-geral da Cáritas Macau.

«Temos vindo a fazer um esforço no sentido de encorajar as pessoas que estão nesta situação a levarem os seus filhos a uma série de actividades sociais para que as crianças não cresçam com o estigma da pobreza», acrescentou Paul Pun.

Apesar de em Macau a pobreza não constituir ainda um fenómeno tão drástico como em Hong Kong, o responsável considera que a tendência em termos de distribuição de riqueza é semelhante, «com os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres»: «Os números em Macau não se comparam com os de Hong Kong, obviamente. Mas a Cáritas faz chegar alimentos, através do Banco Alimentar, a dois mil agregados familiares. Metade destas famílias correspondem a idosos, mas não deixa, ainda assim, de ser um número substancial».

Marco Carvalho

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