Chefe da Igreja Ortodoxa elogia Francisco

CHEFE DA IGREJA ORTODOXA ELOGIA FRANCISCO

Bênção e comunhão

O Patriarca Bartolomeu I, chefe da Igreja Ortodoxa, considera que a encíclica do Papa Francisco, “Laudato Si”, é uma «bênção» para as relações ecuménicas entre católicos e ortodoxos. «É uma verdadeira bênção sermos capazes de compartilhar uma preocupação e uma visão comum sobre a criação de Deus», escreve o Patriarca Bartolomeu, num artigo publicado na revista norte-americana TIME.

Os passos de aproximação entre católicos e ortodoxos estão cada vez mais próximos. Se já Bento XVI também tinha promovido esta aproximação, os últimos tempos de Francisco têm revelado uma vontade indesmentível de unir cada vez mais católicos e ortodoxos, sem nunca colocar em causa as diferenças que separam ambas as confissões.

Há dias, Francisco afirmava que era importante encontrar uma data única para a celebração da Páscoa e mostrava-se disponível para criar uma data fixa, que servisse para católicos e ortodoxos. Agora, com a publicação da encíclica, abraça a visão ecológica do Patriarca, citando-o, e convidou um representante dos ortodoxos a estar presente na apresentação da obra.

Durante a apresentação, muito provavelmente com a anuência de Bartolomeu, o seu representante, o metropolita de Pergamo, D. John Zizioulas, tinha sugerido algo inédito: a união dos católicos aos ortodoxos de todo o mundo ao dia de oração pelo ambiente que a liturgia ortodoxa celebra a 1 de Setembro. Um gesto que seria, na sua opinião, «um passo importante na relação de todos os cristãos».

Bartolomeu afirma estar ao lado do chefe da Igreja de Roma nestas questões. «A verdade é que, acima de quaisquer diferenças doutrinárias que possam caracterizar as diversas confissões cristãs, e para além das divergências religiosas que podem separar as várias comunidades de fé, a terra une-nos de forma única e extraordinária», defende o prelado ortodoxo no artigo da TIME.

Bartolomeu reconhece, como Francisco, a importância da água como «o símbolo mais divino de todas as religiões do mundo», e afirma que os ortodoxos já tinham chamado a atenção para estes aspectos há muitos anos atrás, com conferências em que juntaram especialistas sobre o tema. «Em última análise, no entanto, qualquer discussão sobre terra ou águas resulta inevitavelmente naquilo que o Papa chama de “um declínio na qualidade da vida humana e um colapso da sociedade”», escreve, concordando com o Papa quando ele afirma que se vive apenas uma crise que é, ao mesmo tempo, ambiental e social, e que a mesma nos obriga a enfrentar os problemas do «emprego e da habitação».

Uma nota particular para a questão do pecado contra a natureza, que também deixou satisfeitos os ortodoxos. «Em 1997, nós alegámos humildemente que prejudicar a criação de Deus era pecado. Estamos especialmente gratos ao Papa Francisco por reconhecer a nossa insistência na necessidade de ampliar o nosso conceito estreito e individualista do pecado; e congratulamo-nos com a ênfase na “conversão ecológica” e “reconciliação com a criação”», escreve ainda Bartolomeu.

In Família Cristã

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