Category Archives: Eclesial

Filosofia, uma dentada de cada vez (12)

Como é que ligamos os pontos?

Como é que ligamos os pontos?

Há alguma coisa para além da Inferência Imediata? A resposta é Sim.

A Inferência Imediata leva-nos a conhecimentos que estão escondidos noutros conhecimentos que já possuímos, mas este facto não nos leva muito longe. A nossa própria experiência mostra-nos que não pensamos apenas através da Inferência Imediata, mas também através da Inferência Mediata.

Porque é que se chama Inferência Mediata? Lembramos que com a Inferência Imediata somos capazes de ver a relação entre dois conceitos, sem a necessidade de termos um terceiro conceito mediato.

Cismas, Reformas e Divisões na Igreja – XV

Mito e realidade

Mito e realidade

Para muitos autores, principalmente a partir do Renascimento, a aproximação do ano Mil foi um tempo de medo. Hoje em dia, todavia, os historiadores tendem a minimizar esse clima de pânico generalizado. Ou seja, houve um exagero de interpretação. Na mesma linha que coloca a Idade Média como uma época de trevas, de gente em grutas, de retrocesso civilizacional. O texto do Apocalipse possui trechos, como vimos, que se prestam a atordoantes e contraditórias interpretações.
Já Orígenes, historiador cristão dos primeiros séculos, advertia que tais textos se tornariam perigosos na boca de aproveitadores e oportunistas, com grande ascendência sobre os crentes, podendo por isso provocar resultados inesperados e perigosos, alimentando fanatismos de toda ordem.

Família e Fé

Força de vontade

Força de vontade

“Não sei se isto está bem ou está mal. Sinceramente, quero lá saber! O que eu sei é que gosto disto. E também sei que sou livre.

Ninguém me pode impedir de fazer aquilo que me apetece. Ninguém me pode impedir de ser feliz. Aqueles que insistem na existência do bem e do mal, lá no fundo, pretendem impedir-nos de sermos felizes.

Porquê?

Segunda-feira de Páscoa

Papa recorda cristãos «perseguidos e oprimidos»

Papa recorda cristãos «perseguidos e oprimidos»

O Papa Francisco recordou, na passada segunda-feira, no Vaticano, as comunidades cristãs «perseguidas e oprimidas» em «tantas partes do mundo».

«São chamadas a um testemunho ainda mais difícil e corajoso» da sua fé, realçou, falando aos peregrinos que encheram a Praça de São Pedro para a oração do “Regina Coeli”, que durante 50 dias é recitada no lugar do Ângelus.

A segunda-feira da oitava de Páscoa é conhecida na Itália como “segunda-feira do Anjo”, dando continuidade à celebração da Ressurreição de Jesus.

Filosofia, uma dentada de cada vez (11)

Como evitar não nos contradizermos?

Como evitar não nos contradizermos?

Da última vez vimos as regras respeitantes à Subalternação. Hoje vamos ver as regras a respeito da Contradicção (A-O, E-I) das Contrárias (A-E) e das Subcontrárias (I-O).

Aqui estão as regras das proposições Contraditórias (A-O, E-I).

Regra 2a: As proposições Contraditórias não podem ser verdadeiras em conjunto. Se A é verdadeiro, então O é falso; e o contrário, se O for verdadeiro, A é falso. Se E for verdadeiro, I é falso; se I for verdadeiro, E é falso.

Cismas, Reformas e Divisões na Igreja – XIV

O Milenarismo

O Milenarismo

«Quando se cumprirem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão / e partirá para seduzir as nações dos quatro cantos do mundo, a Gog e Magog, a fim de os reunir para a batalha». No último livro da Bíblia, o Apocalipse (20,7), surge esta frase. Como outras mais. E na cabeça de tantos cristãos, muitos mais temores, crenças e anseios, medos e dramas surgirão. Cada um multiplicado por tantos e insuflado de ignorância ou crendice, de inocências pastoris e discernimentos incipientes, resultarão em pânico, em turbas de gente ensandecida e em heresias. E a espiral recomeça e repete-se, mas cada vez mais intensamente. Porque o milénio da Encarnação aproximava-se. Inexorável. O ano Mil, ano de todos os medos, de todas as interpretações, de todas as ignorâncias. O pavor escatológico de uma heresia a que chamamos hoje de Milenarismo. Mais do que uma heresia, foi um regressão cultural e mental colectiva. Por falta de uma fé esclarecida, de cultura cristã e de ensinamento.

Família e Fé

A má-educação

A má-educação

Certa vez, dizia um jovem cheio de vitalidade: Sabe, nós, a nova geração, não somos hipócritas. Dizemos o que pensamos, sem duplicidades nem “palavras bonitas”. Somos sinceros e autênticos.

Acho que isto é profundamente natural. As pessoas mais velhas deviam aprender connosco. Acabavam de vez com fingimentos e falsidades. Neste mundo com tendência para a hipocrisia, nós, a gente nova, não conseguimos respirar bem.

Domingo de Ramos

Papa denuncia certos interesses

Papa denuncia certos interesses

O Papa denunciou no Vaticano os «interesses» por trás da exploração humana, das guerras e do terrorismo, ao dar início às celebrações da Semana Santa, com a cerimónia do Domingo de Ramos, no passado dia 9 de Abril.

«[Jesus] Está presente em muitos dos nossos irmãos e irmãs que hoje, sim hoje, padecem tribulações como Ele: sofrem com um trabalho escravo, sofrem com os dramas familiares, as doenças, sofrem por causa das guerras e do terrorismo, por causa dos interesses que se movem por trás das armas que não cessam de matar», disse na homilia da missa a que presidiu, diante de dezenas de milhares de pessoas.

Filosofia, uma dentada de cada vez (10)

O que é a Inferência Imediata?

O que é a Inferência Imediata?

Da última vez vimos que uma proposição categórica pode ser uma entre quatro:

(A) Universal afirmativa: “Todos os S são P” ou “Cada S é P”.

(E) Universal negativa: “Todos os S não são P” ou “Nenhum S é P”.

(I) Particular afirmativa: “Algum S é P”.

(O) Particular negativa: “Algum S não é P”.

Cismas, Reformas e Divisões na Igreja – XIII

Os últimos concílios no Oriente

Os últimos concílios no Oriente

Para as crises mais graves, para as controvérsias mais acesas ou duradouras, a Igreja respondeu sempre com concílios, ecuménicos principalmente. As querelas teológicas foram sempre uma realidade na Igreja antiga, antes do ano Mil. A Oriente, no Império Romano, ou Bizantino, eram frequentes. A Ocidente, na fragmentação surgida com as invasões germânicas e com as tendências “nacionalistas” ao nível eclesial nos novos reinos nascentes, as controvérsias iam-se diluindo, para mais com o espectro do Islão a aproximar-se inexoravelmente da Península Ibérica. Mas as divisões criadas pelas querelas teimavam em subsistir, algumas antigas. As tensões religiosas criavam divisões.

Família e Fé

Falar de Deus

Falar de Deus

Numa reunião com os pais dos alunos de uma escola, o director falou da presença do “bullying” no estabelecimento de ensino:

«– Que podemos fazer para acabar com esta “praga” que nos persegue há algum tempo?».

Seguidamente, fez referência a alguns factos lamentáveis que tinham sido o motivo daquele encontro. Por fim, acrescentou:

«– Como pode Deus permitir coisas assim na nossa escola?».

Filosofia, uma dentada de cada vez (9)

Afinal o que é o Quadrado das Oposições?

Afinal o que é o Quadrado das Oposições?

Apreensão simples, julgamento, raciocínio: estas são as três operações do intelecto que estamos a estudar. Na última edição falámos da importância do “conversio ad phantasmata” (regresso às imagens”) para a apreensão simples.

Também dissemos que o produto da apreensão simples era conceito/ideia/noção. E onde é que encontramos conceitos/ideias/noções? Na nossa mente.

Quando exprimimos um conceito em linguagem escrita ou falada chamamos-lhes “termo” (em Grego, “horos”).

Cismas, Reformas e Divisões na Igreja – XII

A Igreja e o Mundo Germânico

A Igreja e o Mundo Germânico

Não serão propriamente cismas ou divisões, mas avanços e expansões. De uma Igreja em crescendo, a ganhar a Europa e a formar uma cristandade, na formação do mundo medieval. Trata-se da implantação e definição religiosa e espiritual, mas também geopolítica, de regiões de onde mais tarde brotarão movimentos de reforma, de ruptura, de onde nascerão heresias e levantamentos de carácter anti-eclesial. Importa pois conhecermos as raízes da formação desse mundo, amplamente germânico e oriental, abaluartado no que será a futura Alemanha, ou Império Germânico, entre os Alpes e o Mar do Norte e o Báltico, até à Escandinávia e a leste até à Rússia. Da Irlanda, semeada a árvore do Cristianismo, esta não mais parou de crescer, sem crises nem cisões. Da vizinha Inglaterra para leste, aí sim, o futuro não será tão estável como na ilha de São Patrício.

Cristóvão Ferreira

Cristóvão Ferreira

O jesuíta apóstata.

Cristóvão Ferreira nasce por volta de 1580 em Zibreira, Torres Vedras, e entra na Sociedade de Jesus no final do ano de 1596. Depois de cumprir o período de noviciado, faz os primeiros votos em Dezembro de 1598, em Coimbra, onde estuda durante os dois anos seguintes. A 4 de Abril de 1600, embarca para a Índia a bordo do navio “São Valentim”, tendo chegado a Goa alguns meses depois. A “Roma do Oriente” foi apenas o primeiro passo na sua jornada rumo ao Extremo Oriente. Após recuperar dos rigores dessa viagem, Ferreira e vários outros companheiros que estavam destinados às missões da China e Japão partiram novamente, desta feita para Macau.

Filosofia, uma dentada de cada vez (8)

Porque é que me devo preocupar com o “regresso às imagens”

Porque é que me devo preocupar com o “regresso às imagens”

Porque é que alguém se deve preocupar com o “conversio ad phantasmata” (regresso às imagens)? Boa pergunta!

Façamos uma rápida revisão. Vimos que o intelecto trabalha em três fases. A apreensão simples, o julgamento e o raciocínio. A primeira operação intelectual (a apreensão simples) consta de três pequenas etapas. O intelecto abstrai o essencial do “phantasma” ou imagem, o intelecto produz um conceito/ideia/noção, e então o intelecto volta ao objecto concreto através da sua imagem ou “phantasma”. Esta acção, de voltar a atenção novamente para a imagem, é conhecida, apropriadamente, como “regresso à imagem” “conversio ad phantasma” (“phantasmata” é a forma plural).