Mais encanto em Chinês

Universidade de Coimbra integra alunos da RPC

Mais encanto em Chinês

A história da Universidade de Coimbra (UC) e a China cruzam-se desde tempos imemoriais. Desde o século XVI que a instituição portuguesa de Ensino Superior desempenha um papel importante na acumulação de conhecimento sobre o Oriente e, nomeadamente, sobre a China, assim como tem “representado” Portugal no estabelecimento de contactos entre a Europa e o antigo Império do Meio. Prova disso é o extenso espólio existente nas diversas bibliotecas que fazem parte do pólo da UC.

Do vasto conjunto de artefactos e documentos que testemunham os séculos de relações amistosas entre a China e Portugal, destaca-se a magnetite de doze quilos que o Imperador Kangxi ofereceu ao Rei D. João V e uma coroa real que pode ser admirada num dos museus da Universidade.

Este historial e acumular de documentos esteve na origem de uma exposição que se realizou em 2013, sob o título “Do Sul ao Sol”. A mostra esteve patente na Biblioteca Joanina e no Museu da Ciência em Coimbra, entre Julho e Dezembro daquele ano.

Sabendo desta ligação à China, O CLARIM procurou saber o que liga actualmente a Universidade de Coimbra ao país onde o navegador português Jorge Álvares desembarcou em 1513.

A presença de estudantes da China e de outros países orientais tem sido, desde sempre, uma constante nas salas de aula da UC, nomeadamente nos cursos de mestrado e doutoramento. Até 2014 era impossível recrutar alunos estrangeiros para frequentarem cursos de licenciatura em Portugal. A mudança da legislação constituiu uma oportunidade única para a Universidade reforçar a relação com a China.

«Antes, os estudantes chineses que frequentavam cursos da Universidade de Coimbra faziam-no em cursos de mestrado ou doutoramento», explicou Helena Rodrigues, da Divisão de Relações Internacionais da UC. Se havia estudantes “chineses” a frequentar licenciaturas devia-se ao facto de terem nacionalidade portuguesa, fossem provenientes de Macau ou de qualquer outro local.

A mudança a nível legislativo possibilitou que as instituições de ensino de Portugal avançassem para o reconhecimento dos exames nacionais de países terceiros para o acesso ao Ensino Superior.

Actualmente, a Universidade reconhece, na Ásia, apenas os exames nacionais da República Popular da China, razão pela qual decidiu apostar no recrutamento de alunos na China para frequentarem o Ensino Superior em Portugal.

Os cursos são exactamente os mesmos que qualquer outro aluno frequenta na UC, havendo apenas uma diferença no caso dos inscritos não terem conhecimentos de língua portuguesa, pois são obrigados a estudar um ano de Português, de forma intensiva, para que fiquem aptos a frequentar o curso para o qual concorreram. «Os alunos que não têm bases de Português sabem de antemão que têm de completar o curso intensivo, findo o qual continuam os estudos na área científica desejada», acrescentou Cris Yin, também da Divisão de Relações Internacionais.

Há um balcão denominado China@UC que se ocupa essencialmente de todos os assuntos relacionados com a China, desde o recrutamento de alunos, até seminários, encontros, entre outras iniciativas.

Pela primeira vez, no ano lectivo de 2015-2016, a UC contou com quatro alunos da China, sendo que dois tiveram de frequentar o curso intensivo de língua portuguesa. Este ano lectivo estão inscritos sete alunos, todos eles a frequentar o curso de Português.

As candidaturas para 2016-2017 abriram a 1 de Dezembro, esperando os responsáveis duplicar o número de alunos inscritos. Os interessados deverão aceder às páginas de Internet www.uc.pt/iii/iniciativas/china ou www.uc.pt/en/china/ch, onde estão publicadas as condições de candidatura e o contacto directo do “China desk” da Universidade (dri.china@uc.pt). Os e-mails podem ser redigidos em Português, Chinês e Inglês.

«Os alunos podem candidatar-se a qualquer curso oferecido pela Universidade de Coimbra, como se se estivessem a candidatar aos cursos na RPC» sublinharam as duas entrevistadas. «Caso precisem de qualquer apoio ou esclarecimento, podem contactar o “China desk” que estará completamente disponível para apoiar os alunos em todo o processo de candidatura, assim como no processo de vinda e adaptação ao ambiente de Coimbra».

Além da presença na Internet, a Universidade, através da Divisão de Relações Internacionais, tem marcado presença anualmente em diversas feiras de educação na China, procurando divulgar esta nova oferta junto do público chinês. Paralelamente, há toda uma série de documentação promocional em Chinês e um apoio personalizado para que todas as dúvidas e anseios sejam esclarecidos.

JOÃO SANTOS GOMES

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