Não vou, mas é como se fosse

Olhando em Redor

Não vou, mas é como se fosse

Quando o estimado leitor ficar ao corrente do que trago hoje à liça nesta crónica tenha bem presente que estarei a muitos quilómetros de distância, razão pela qual tudo o que aqui constar sobre as comemorações do 10 de Junho em Macau poderá soar-lhe a pura ficção… ou talvez não!

É preciso ver que não tenho o dom da adivinhação, por isso deixo as conclusões ao critério de cada um. Preenchida esta minha desinteressada declaração, vamos, pois, ao que interessa.

Sempre que marquei presença na recepção à comunidade portuguesa na Bela Vista, residência do cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, entretive-me primeiramente a observar os modos e os trajes das personalidades que chegavam a conta-gotas, umas mais embelezadas do que outras, enquanto aguardava na fila da praxe para cumprimentar o cônsul-geral e o enviado de Portugal às comemorações do 10 de Junho.

Segundo a Rádio Macau, a honra cabe este ano ao secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, que também aproveitará a deslocação oficial para contactar com membros do Executivo da RAEM e privar com determinadas figuras do PS local.

Independentemente de conhecer bem ou não a realidade de Macau, Jorge Gomes fará melhor figura do que Filipe Baptista, quando nas comemorações de 2008 o então secretário de Estado adjunto do Primeiro-Ministro português [José Sócrates] proferiu na Bela Vista um discurso completamente desenquadrado da realidade de Macau, o que lhe valeu severas críticas.

De Fernando Chui Sai On, ou de algum membro do Executivo da RAEM em sua representação, é de esperar que realce, uma vez mais, a importância da comunidade portuguesa para o progresso e multiculturalidade de Macau, etc., etc.

 

Tiago versus Rita

A intervenção de Tiago Bonucci Pereira no XXI Congresso Nacional do Partido Socialista, em Lisboa, presta-se a ser amplamente abordada nas conversas de ocasião, por o representante do PS/Macau ter defendido, há dias, «a extinção do CCP [Conselho das Comunidades Portuguesas] ou então um reforma profunda ao nível estatutário, com a definição de deveres que permitam a recolha de informação qualitativa e quantitativa das diferentes realidades das comunidades».

Nesta linha de ideias, não estranhei a reacção de Rita Santos ao Hoje Macau: «Acho que [Tiago Pereira] tem um ideia errónea e não está dentro daquilo que os conselheiros têm vindo a fazer ao longo dos doze anos. Nós não estamos a dormir e diariamente resolvemos os problemas dos cidadãos de Macau, independentemente se falam ou não Português».

As palavras da conselheira do CCP por Macau soam-me a pura demagogia, porque além de não gostar de perder o cargo (dá-lhe sempre estatuto, algo que muito preza), está a referir-se à actividade da ATFPM (ainda assim algo empolada), visto muito pouco ter feito ao nível do CCP.

Tiago Pereira fez mais nos poucos minutos que durou a sua intervenção do que o Conselho das Comunidades Portuguesas nos últimos anos. Não vale a pena – pelo menos para mim – tentarem demonstrar o contrário, porque o CCP, nos termos actuais, nada mais é do que uma Feira de Vaidades ou uma espécie de Passeio dos Alegres.

Posto isto, o representante do PS/Macau fez muito bem em tocar no assunto em sede própria, tal como qualquer outro militante faria bem ao nível das suas instâncias partidárias em Portugal.

Mas voltando ao propósito inicial… Na Bela Vista, será de esperar que Rita Santos se faça acompanhar de Pereira Coutinho, fiel companheiro nas lides sindicais, sendo quase certo que ambos disputem as atenções dos presentes com Alexis Tam, caso o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura não esteja ausente do território e compareça na recepção oficial à comunidade portuguesa.

Será ainda uma ocasião para a “malta” pôr os olhos, ainda que momentaneamente, em vários executivos das operadoras de Jogo – como o calor e a humidade apertam, cada qual seguirá destino logo após os discursos oficiais, porque as ventoinhas que vão cobrir o pequeno rectângulo debaixo do toldo não serão suficientes para prevenir que as camisas e os fatos fiquem encharcados de suor.

Assim sendo, elogio com antecedência a tenacidade de muitos compatriotas nossos, casos de Frederico Rato, João Manuel Costa Antunes, Paulo Rosa Rodrigues (de lacinho ao pescoço), Fernando Eloy (com o cachimbo da praxe), padre Luís Sequeira (sentado num banco, contando que se desloque-se à residência consular), Vicente Serafim, Miguel Bailote, Amélia António, Francisco Vizeu Pinheiro, Miguel de Senna Fernandes, Alfredo e Anabela Ritchie, José Manuel Rodrigues, Manuel Pires e Sales Marques, entre outros, mas também de Paul Spooner e Paul Poon, que muito apreço têm pela comunidade portuguesa. Atendendo que é sexta-feira, alguns poderão estar ausentes, por diversas razões…

Uma nota: entre os muitos convivas não faltará quem se delicie, aqui e ali, com dois dedos de conversa, sendo desaconselhável perder tempo com as carpideiras e os coscuvilheiros do costume.

 

Fórum e resistentes

A recepção na Bela Vista constitui uma soberana oportunidade para variadíssimos interesses empresariais se fazerem representar, ou não fosse este um bom ensejo para encetar contactos e trocar “business cards” com as pessoas mais indicadas.

Certa é a comparência de vários delegados do Fórum Macau, mesmo tendo em conta que regressaram há poucos dias de Kunming, província de Yunnan, onde participaram numa palestra do Fórum destinada a dirigentes governativos e empresários locais.

Ivo Almeida não vai servir imperiais, ao invés do que sucedeu no ano passado, mas poderá ser o DJ de serviço na galeria da residência consular, assim Vítor Sereno perceba que umas “musiquinhas” do estilo “soft” serão do agrado dos presentes.

A hora já irá tardia e ainda haverá resistentes na Bela Vista em animada cavaqueira, saboreando o que restar do presunto de pata negra, do queijo amanteigado, dos salgadinhos, dos vinhos portugueses, dos pastéis de bacalhau, e por aí adiante. Será que ainda estarão por lá para além das 21 horas e 45?

PEDRO DANIEL OLIVEIRA

pedrodanielhk@hotmail.com

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