Madonna pouco recomendável

Olhando em Redor

Madonna pouco recomendável

Foi esta semana tornado público que vão ser colocados à venda, a partir das 11 horas de hoje, os bilhetes para o duplo concerto da Madonna, a realizar nos dias 20 e 21 de Fevereiro de 2016, no Centro de Eventos do Studio City, propriedade da Melco Crown.

O puro entretenimento está garantido neste evento que integra a digressão mundial “Rebel Heart”, ou não tivesse a estrela da música pop, agora com 56 anos, tanto de talentosa, como de polémica. Para os mais saudosistas, será de esperar que “Like a Prayer” e “Material Girl” façam parte do alinhamento…

Considerações à parte, julgo que qualquer um dos concertos agendados para Macau não se destina essencialmente a quem aqui vive, mas maioritariamente a quem vem de fora, seja de Hong Kong, da China continental ou das regiões vizinhas. Outra leitura a ter é que se trata de um evento elitista, o que em nada abona a favor de quem aqui desenvolve uma actividade que deve ter em conta a diversificação do tecido económico local.

Por outras palavras, como poderá um normal cidadão de Macau desembolsar entre 2.588 patacas (bilhete mais barato) e 10.588 patacas (o mais caro, que inclui acesso exclusivo ao “Club Lounge”, podendo ser aplicadas taxas)?

É certo que os cinco mil lugares disponíveis deverão ser rentabilizados ao máximo porque o espaço é pequeno. Contudo, para o público em geral é um tipo de condicionante que não lhe diz respeito, mas sim o quanto pode ou não gastar pelo ingresso.

Mais em conta foram os preços praticados para o duplo concerto agendado para os dias 17 e 18 de Fevereiro de 2016, no “AsiaWorld-Expo Arena”, em Hong Kong: 688 HKD, 1.488 HKD, 1.888 HKD e 2.488 HKD. Para os mais abastados houve seis pacotes VIP à disposição, variando entre os 4.888 HKD e os 16.888 HKD. Conclusão? O bilhete normal mais caro em Hong Kong consegue ser mais barato do que o mais barato em Macau.

Já para o “Impact Arena”, em Banguecoque, onde Madonna vai actuar a 9 e 10 de Fevereiro de 2016, os ingressos (entretanto esgotados) variavam entre os dois mil baht (453 patacas) e os 16 mil baht (três mil 625 patacas), enquanto os três pacote VIP estavam à venda por 20 mil baht (4.529 patacas), 25 mil baht (5.662 patacas) e 30 mil baht (6.797 patacas).

Se tivermos em conta que os bilhetes disponíveis para o duplo concerto dos Bon Jovi, realizado a 25 e a 26 de Setembro último no COTAI Arena, da Sands China, oscilaram entre os 580 HKD (mais barato) e os três mil e 580 HKD (mais caro, com direito a viagem de ida e volta entre Hong Kong e Macau, na “COTAI Water Jet”), parece-me ponto assente que a estratégia do Studio City terá inevitavelmente que mudar, sob pena de perder competitividade. Obviamente, os meus reparos nada têm a ver com a Madonna…

 

Gastronomia

Diversificar, diversificar e diversificar, é o mote que está subjacente à quebra de receitas brutas dos casinos que por inerência estão a afectar a economia. Em tempo de “vacas menos gordas” Macau precisa de se reinventar, sendo mais fácil que tal desiderato parta do sector privado do que do público, devido à capacidade empreendedora do primeiro e à pesada máquina administrativa do segundo.

O restaurante Man Ho, no hotel Marriott, oferece-nos até 31 de Outubro catorze pratos que conciliam a confecção de vários tipos de cogumelos e míscaros, colhidos nas montanhas de Yunnan, com a medicina tradicional chinesa.

As soluções gastronómicas idealizadas pelo chefe Andy Ng – galardoado com uma estrela “Michelin” quando estava ao serviço do restaurante “Eight”, no Grand Lisboa – evidenciam o quanto importante é a alimentação saudável, razão pela qual a experiência deve ser alargada a outras gastronomias.

Os restaurantes em actividade nos hotéis de Macau, face à excelência do que produzem, estão em perfeitas condições de adoptar o conceito de comida saudável inspirado nas gastronomias mais tradicionais do território, entre as quais a portuguesa e a cantonense, sendo esta uma interessante oportunidade para atrair um maior número de clientes, entre residentes, visitantes e turistas. Ou não fossem muitos deles “bons garfos”… Para que a medida resulte em cheio é preciso conciliar a qualidade dos pratos com o equilibro dos preços.

 

Oktoberfest

Decorreu ontem – em boa hora – a inauguração do 7º “Oktoberfest” do MGM Macau, evento que eleva a cerveja e a cultura alemã. Estão de parabéns o MGM China e o Consulado Geral da Alemanha em Hong Kong e Macau por continuarem a garantir um evento de excelência, assente em boa comida, boa cerveja e melhor disposição, tanto para os residentes, como para os visitantes e turistas.

O “Oktoberfest” do MGM granjeou já o apreço e a simpatia de quem olha para esta festa da cultura alemã como um momento de puro convívio com familiares e amigos. Mais ainda: não há aqui falsificações, muito menos preços exorbitantes, no primeiro caso porque a cerveja é mesmo alemã, assim como o sabor dos pratos confeccionados; no segundo caso, porque os bilhetes de entrada e os preços dos pratos e das bebidas não estão sobrevalorizados.

Se atendermos ao facto do MGM China também estar a contribuir para a promoção da cultura local e internacional nas instalações da sua galeria de arte é caso para dizer que tem havido uma grande preocupação da operadora em chegar a todos os públicos, incluindo os residentes de Macau. Quanto a mim é algo de louvar!

PEDRO DANIEL OLIVEIRA

pedrodanielhk@hotmail.com

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