Ir até ao fim

Chamada para a Grandiosidade (18)

Ir até ao fim

Dashrath Manjhi era um operário pobre da vila de Bihar, na Índia. Ainda muito novo fugira de casa. Mais tarde, porém, regressaria. Casou-se e conseguiu um emprego. A sua esposa levava-lhe regularmente o almoço, tendo para isso de subir as terríveis montanhas de Gehlour. Um dia escorregou e ficou gravemente ferida. Os ferimentos acabaram por levá-la à morte.

Manjhi ficou destroçado, mas a perda da esposa levou-o a decidir escavar uma passagem na rocha, através das montanhas Gehlour, para que desse modo os aldeões da vila pudessem ter um acesso mais fácil aos cuidados médicos. As pessoas pensaram que estaria maluco.

De 1960 a 1983, usando apenas um martelo e um escopro, escavou uma passagem (um túnel) de 110 metros de comprimento, 9,1 metros de largura e sete metros de altura, através do cerro. Ao fim de 22 anos de trabalho duro, Dashrath conseguiu encurtar a distância entre os dois lados da montanha, de 55 para apenas 15 quilómetros. «Apesar de no início muitos aldeões me terem provocado», recordou Manjhi, «houve bastantes que me deram o seu apoio, mais tarde, dando-me comida e ajudando-me a comprar as minhas ferramentas». As pessoas chamavam-lhe o “Homem Montanha”.

Manjhi morreu, vítima de cancro da bexiga, a 17 de Agosto de 2007, aos 73 anos de idade. Em reconhecimento dos seus serviços, o Governo de Bihar fez-lhe um funeral de Estado.

Manjhi personificou muitas das virtudes de que falámos antes. Coragem, magnanimidade, generosidade, paciência… e ainda uma outra: perseverança. A perseverança tem a ver com o facto de acabarmos o que começamos. Tem a ver com ir até ao fim.

«Muitas pessoas começam, mas poucas acabam. E nós, que tentamos comportarmo-nos como filhos de Deus, devemos estar entre esses poucos. Lembremo-nos que apenas o trabalho que é bem feito e concluído com amor merece o louvor de Deus, como se pode ver nas Sagradas Escrituras: “é melhor o fim de uma tarefa, que o seu começo (Eclesiastes 7:8)”» (São Josemaría, “Trabalhando para Deus”).

O Papa Francisco afirmou que vivemos no que chama de “Cultura do Efémero” ou “Cultura do Passageiro”. As pessoas não se querem envolver em tarefas duradouras, para toda a vida; querem poder abandonar o barco quando “as coisas” se tornam mais complicadas. Mas desse modo nunca terão a possibilidade de acabar alguma coisa. Se hoje quero ser engenheiro, amanhã doutor e no dia seguinte advogado, acabarei por ser apenas um pobre indigente. Se fora viajar e estiver constantemente a mudar de ideias sobre para onde quero ir, acabarei sem ir a lugar algum.

A perseverança é necessária não apenas para o sucesso mundano. O próprio Jesus diz-nos: «Aquele que se mantiver firme até ao fim será salvo (Mateus 24:13)». A nossa própria felicidade eterna depende disso. Vocês, como eu, somos chamados a sermos Santos. Este facto requere que sejamos persistentes na nossa luta para nos assemelharmos a Cristo, a cada dia que passa. Se falharmos podemos recomeçar de novo, com a Graça de Deus. Foi para isso que Jesus nos deu a confissão, aonde podemos ir «setenta vezes sete (Mateus 18:22)» para sermos perdoados. São Josemaría explicou que o tentar ser-se Santo significa exactamente isso: «Começar, começar de novo, sempre e apenas começar».

Seja qual for o caminho escolhido para nos entregarmos a Deus, seja ele o casamento ou o celibato, necessitamos de renovar o nosso amor a cada dia. E onde o vamos renovar? Nos nossos Sacramentos e na Oração. Porque é o Senhor quem o renova.

«Porventura não sabes? Será que não ouviste? O SENHOR é um Deus eterno, que criou os confins da terra. Não se cansa nem perde as forças. É insondável a sua sabedoria. Ele dá forças ao cansado e enche de vigor o fraco. Até os adolescentes se cansam e se fatigam e os jovens tropeçam e vacilam. Mas aqueles que confiam no SENHOR renovam as suas forças. Têm asas como as águias, correm sem se cansar, marcham sem desfalecer (Isaías 40:28-31)».

Pe. José Mario Mandía

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