Carta ao Pai Natal

Carta ao Pai Natal

A semana que passou decorreu com alguma normalidade, dentro da anormalidade em que temos vivido.

Os chineses continuam a comprar as nossas “jóias da coroa”, para além dos vistos “gold” e outras chinesisses. E os ministros das Finanças europeus ameaçam Portugal com mais austeridade, porque não acreditam que o Governo português cumpra a meta do défice para 2015. No entanto, a nossa ministra das Finanças, qual “padeira de Aljubarrota”, apressou-se a tranquilizá-los afirmando que, se for preciso, acrescentará mais umas “pazadas” de impostos.

O ex-“dono disto tudo”, Ricardo Salgado, que está a ser alvo de um inquérito parlamentar e da justiça portuguesa, continua a ir descansadamente à missa domingueira, rezando para não perder o que eventualmente tem escondido, já que o que estava “à vista” tem vindo a ser vendido em retalhos.

A acrescentar a isto e a pouco menos de um ano das próximas eleições legislativas portuguesas, os partidos políticos “mexem-se e remexem-se” na procura de cativar o eleitorado. Os que governam dizem-nos que para o ano é que é bom. Os da oposição dizem-nos que vai ser mais do mesmo. Mas agora é preciso mais alguma atenção com estas declarações porque, uns e outros, começam já a afinar as “armas” para o grande combate que se avizinha.

O PSD já elegeu o seu “bode expiatório”, ou seja, o “culpado disto tudo”. São eles o preso José Sócrates e todo o Partido Socialista que o tem visitado na cadeia. Com esta atitude atingem dois objectivos: fazem de Sócrates culpado, antes de ser julgado, e tentam arrastar todo o PS para a mesma lama política. Para estes intitulados social-democratas, ele foi o gastador que levou o País à ruína. Mas, curiosamente, foi quando o ex-Primeiro-Ministro começou a poupar (PEC 1, 2, 3 e 4) que o PSD o apeou do Governo, opondo-se a que se cortasse nos rendimento das pessoas e afirmando que bastaria cortar nas “gorduras do Estado” para equilibrar as contas públicas. O povo não esquece!

O CDS, companheiro do Governo, está em fase de “malabarismo político”. Beliscando à esquerda e à direita, o “irrevogável” Paulo Portas procura trilhar um caminho de independência para que, após as eleições, possa escolher a sua melhor dependência. Os seus ministros queixam-se de que, no Governo, ninguém lhes passa “cartão” e correm atrás do irrequieto chefe, à espera de uma orientação.

O PS, embora ainda não tenha exposto os seus detalhes programáticos para o futuro do País, diz claramente que nunca fará alianças com esta direita no Governo e, entretanto, vai “piscando o olho” à esquerda, procurando estreitar consensos. Mas, a avaliar pela alergia com que é tratado pela chamada esquerda parlamentar, António Costa corre o risco de arranjar uma “infecção ocular”.

É ainda muito cedo para fazer um diagnóstico do que vão ser as próximas eleições onde, por força das circunstâncias, se misturam as legislativas e as presidenciais, mas não será demais prever que irá ser uma renhida luta pelo voto dos portugueses. Espero, no entanto, que uns e outros tenham aprendido alguma coisa sobre o estado de espírito dos cidadãos, relativamente aos seus políticos.

Em 2011, nas últimas eleições legislativas, cerca de 46% dos eleitores não votaram em nenhum partido e, em 2014, para as eleições europeias, sendo embora eleições com habitual fraca participação, mas que este ano tinham um outro significado nacional, esse número, os que não votaram em nenhum partido, aumentou para 73%.

Embora a frase “quem não vota não conta” tenha uma aplicação correcta, no sentido de mobilizar as pessoas para os actos eleitorais, espero que a nossa comunidade política não faça de conta que os que não votam não são importantes, ou seja, não contam. Por este andamento, um destes dias os nossos políticos elegem-se a si próprios.

E porque andamos preocupados e já que estamos na quadra natalícia, atrevo-me a pedir ao Pai Natal, fiel depositário de tantos desejos, que nos traga candidatos a governantes que mereçam a confiança dos portugueses, por um conjunto de qualidades humanas essenciais a quem quer governar um povo farto de tanta besteira.

Um último pedido ao “Pai Natal”: se passar junto ao “presépio” de Belém, aproveite e leve consigo o “burro”, uma vez que este personagem deixou de fazer parte das referências cristãs, porque era apenas uma representação “à portuguesa” da história da Natividade.

Luis Barreira

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