2º DOMINGO COMUM – Ano A – 18 de Janeiro

2º DOMINGO COMUM – Ano A – 18 de Janeiro

O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo

No Evangelho deste Domingo, João Baptista vê Jesus e exclama: «Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo» (Jo., 1, 29). Esta frase resume toda a missão de Cristo. Ele não vem apenas para ensinar ou fazer milagres. Ele vem para nos mostrar a profundidade do amor divino que se entrega sem limites, para nos libertar do pecado e nos reconciliar com Deus.

No Antigo Testamento, o sangue do cordeiro pascal protege o povo de Israel da morte. Agora, Jesus é o verdadeiro Cordeiro, cujo sangue nos salva da morte eterna. Como ensina o Catecismo da Igreja Católica, “Cristo morreu pelos nossos pecados segundo as Escrituras (1 Cor., 15, 3)” – CIC n.º 619. A Sua morte não é acidental, mas um dom de amor que nos ensina a profundidade do amor divino.

No Evangelho, João Baptista confessa algo comovente: «Eu não O conhecia» (Jo., 1, 31.33). Mesmo sendo primo de Jesus, João precisou da revelação divina para reconhecê-Lo como Messias. Isto ensina-nos que conhecer Jesus não é apenas uma questão de informação, mas, como dizia Santo Agostinho, de iluminação interior pela graça divina. Sabemos que Jesus é o Salvador. Mas será que O reconhecemos e vivemos como se Ele o fosse? Reconhecer Jesus como Cordeiro de Deus significa deixar que Ele tire os nossos pecados, é entregar-lhe os nossos pesos. É como chegar a casa depois de um dia cansativo e poder finalmente relaxar. Jesus quer ser esse lugar de repouso para a nossa alma. Não podemos guardar rancores e viver no orgulho de pensar que podemos salvar-nos a nós próprios e, ao mesmo tempo, afirmar que Jesus é nosso Salvador. Noutras palavras, a nossa fé exige coerência na vida.

Muitas vezes, passamos ao lado de Jesus sem reconhecê-Lo, mas Deus é como um Pai paciente. Ele envia o seu Espírito suave como uma pomba que nos aquece o coração como um fogo abrasador e nos sussurra: “É Ele, é o teu Salvador!”. Peçamos essa graça ao Espírito Santo, que nos abra os olhos do nosso coração para ver quem Jesus realmente é, e acolhê-lo na nossa vida, entregando-nos ao seu Amor e deixando que o Cordeiro repouse em nós e retire os nossos pecados.

E, tal como João Baptista, que não guardemos este encontro apenas para nós. Seremos, pois, saciados pela verdade e pelo Amor de Deus; daí que tenhamos a coragem de dar o nosso testemunho cristão com a nossa própria vida, num anúncio que até pode ser silencioso, mas luminoso, concretizando-se no nosso quotidiano. O Concílio Vaticano II afirma que “os leigos são chamados a buscar o Reino de Deus tratando das realidades temporais e ordenando-as segundo Deus” (Lumen gentium n.º 31). Não se trata apenas de falar de Cristo, mas de viver como Ele no trabalho, na família e em cada relação.

Caros irmãos, João Baptista cumpriu a sua missão: reconheceu Jesus, testemunhou sobre Ele e apontou os discípulos para Ele. Nós, agora, somos chamados a fazer o mesmo. O Papa Francisco desafiou-nos: “Não podemos ser cristãos ‘part-time’. Cristo deve ocupar o centro de nossa existência” (Jornada Mundial da Juventude, Rio de Janeiro). Se Jesus tira o pecado do mundo, devemos colaborar com Ele, renunciando ao pecado na nossa vida. Tal exige conversão diária, confissão sacramental e luta espiritual. Que o Espírito Santo nos conceda a graça de reconhecer Jesus como o Cordeiro de Deus que tira o nosso pecado. Que a nossa vida seja um testemunho vivo de que Cristo vive e salva. E que, tal como João Baptista, saibamos diminuir para que Cristo cresça em nós e ao nosso redor. Que este Evangelho se torne o projecto de vida que somos convidados a abraçar, neste novo ano que se inicia.

Padre Daniel Ribeiro, SCJ

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