TRÁFICO HUMANO

Tráfico Humano para a prostituição forçada

Atacar as saunas e as casas de massagens

O director-executivo do Mekong Club, Matthew Friedman, disse a’O CLARIM que o grande problema de Macau relacionado com o tráfico humano continua ser a prostituição forçada. O foco deve incidir na fiscalização das saunas e das casas de massagens.

«Tal como em muitos lugares com uma grande indústria do Jogo, as mulheres e as raparigas são atraídas para a cidade com promessas de trabalho muito bem remunerado, porém, quando chegam são forçadas a prostituir-se. Em muitos casos, as vítimas são menores de idade», referiu o responsável do Mekong Club, movimento que combate o negócio da escravatura nesta região asiática, incluindo o tráfico humano.

«Há uma série de organizações criminosas associadas à prostituição forçada em Macau, com membros da China [continental], da Rússia, das Filipinas e da Tailândia. Em todo o mundo a prostituição continua a ter ligações directas aos sindicatos do crime», sublinhou.

«Tem havido muitos casos documentados em que as vítimas estrangeiras de prostituição forçada foram confinadas a casas de massagens e saunas. Para evitar que isto ocorra as empresas com negócios legítimos precisam de monitorizar regularmente o que acontece dentro dos seus estabelecimentos. Por vezes, tais actividades são realizadas por funcionários que exploram estas mulheres e menores de idade sem o conhecimento dos proprietários», acrescentou Matthew Friedman.

No seu entender, «o Governo de Macau considera que o problema do tráfico humano é uma prioridade», tendo posto em prática «acções de sensibilização para o público em geral e para o sistema legal». Contudo, «as acusações [de âmbito criminal] têm subido e descido ao longo dos anos. Uma resposta mais consistente na aplicação da lei é tida muitas vezes como uma recomendação para combater o problema. Isto assegura que mais vítimas sejam identificadas e tenham o apoio que necessitam».

«Devido à natureza clandestina deste tipo de crime nem sempre é fácil localizar as vítimas. Os agentes da lei precisam de fazer investigações mais pró-activas para encontrar e resgatar as vítimas, o que exige esforços dos agentes à paisana para identificar as menores de idade», analisou.

Em jeito de conclusão, Matthew Friedman sustentou que «os recentes raides policiais em Macau têm demonstrado que o Governo está a tentar reprimir a prostituição forçada, mas ainda há muito a fazer para resolver o problema».

PEDRO DANIEL OLIVEIRA

pedrodanielhk@hotmail.com

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