Combustível para tufões e furacões

Padre Franz Gassner e o desperdício alimentar

Combustível para tufões e furacões.

O professor-assistente da Universidade de São José (USJ), padre Franz Gassner, disse a’O CLARIM que Macau deve adoptar, o quanto antes, medidas que previnam o excesso de desperdício alimentar, especialmente nos hotéis, dado que o problema, sendo pouco debatido, tem sérias consequências por haver uma ligação directa com os tufões e furacões que assolam cada vez mais o planeta.

«Estamos a testemunhar o aumento alarmante de alterações climáticas extremas à escala mundial, seja em Macau, no sul da China, no Golfo do México ou nas Caraíbas.

O aumento da temperatura do globo faz com que o mar aqueça ainda mais, originando que mais energia se transforme em ventos, criando tufões monstruosos e furacões dos mais poderosos da história», descreveu o padre Gassner, docente da Faculdade de Estudos Religiosos da USJ.

Nesse sentido, «Macau tem que se tornar muito mais resiliente contra fenómenos extremos, que foram previstos há muitos anos, através de um melhor planeamento e melhoria das infra-estruturas, na medida que [tais ocorrências] irão aumentar [de frequência] no futuro».

Ao sustentar que «um terço de todos os alimentos produzidos no mundo é perdido ou desperdiçado, fazendo do desperdício alimentar, em termos de países, o terceiro maior emissor de CO2, após os Estados Unidos e a China», acrescentou que «é uma injustiça muito grave quando a comida vai para as lixeiras, em vez de ir para os estômagos de quem passa fome».

Em Macau – segundo explicou – os resíduos orgânicos e alimentares constituem a maior parcela de resíduos (mais de 40 por cento), conforme verificaram os estudantes de mestrado em Ciências Ambientais da USJ. A incineradora de resíduos de Macau também é afectada negativamente pelo alto teor de humidade no fluxo de resíduos devido ao desperdício alimentar, criando menos energia e mais cinzas de combustão.

«Evitar a perda e o desperdício de alimentos reduz a pressão sobre os recursos naturais e o clima, ajudando a reduzir o aquecimento global e a acalmar as tempestades. Ao mesmo tempo, é moralmente exigido e justo a nível social», vincou.

A mudança de hábitos é vital, «a moderação do nosso estilo de vida, a diminuição da pegada ecológica e a prevenção do desperdício alimentar não vêm geralmente à tona quando enfrentamos um tufão. Mas devem definitivamente estar presentes na nossa mente, pois existe uma profunda relação do clima com as árvores, as emissões de gases e a pegada ecológica, especialmente com o nosso sistema alimentar», frisou.

De acordo com o sacerdote, é preciso adoptar medidas relativas à “Hierarquia da Recuperação Alimentar”, baseadas na ideia prática de “ouvir a língua da natureza”. A opção preferencial é a «redução na fonte e a prevenção de resíduos alimentares», incutindo nas «pessoas que façam pedidos em quantidades razoáveis nos restaurantes».

Entre outras medidas, há que alimentar os necessitados com «alimentos excedentários», por via de «doações para bancos de alimentos e cozinhas», algo que «deve ser legalmente possível em Macau».

PEDRO DANIEL OLIVEIRA

pedrodanielhk@hotmail.com

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