Fernando Marques

Fernando Marques e o negócio da restauração e bebidas

Mais barato comer num casino do que num restaurante.

O negócio da restauração e bebidas «registou uma quebra» com o reajustamento da economia de Macau, mas o empresário Fernando Marques observa que «por vezes é mais barato comer num casino do que num restaurante de rua».

«É bom que haja um limite para tudo. Foi bom que o mercado [imobiliário] tivesse arrefecido porque estava a ser impossível a muitos empresários e comerciantes de suportarem os seus negócios», atira.

Outro factor a contribuir para o abrandamento do sector profissional a que pertence advém de causas externas. «Os turistas também começaram a despertar a sua curiosidade para outros destinos asiáticos bem mais acessíveis ou com outro tipo de atractivos que não há em Macau», explica Fernando Marques, contrapondo que «o turista de Hong Kong continua a vir ao fim-de-semana, seja para jogar nos casinos ou para lazer».

«No sector da restauração e bebidas, como em tudo, é preciso haver qualidade e não ter preços bastante elevados. Ainda há mercado para quem abre um negócio. Macau precisa de apostar na qualidade, no bom serviço, na boa gerência e não na quantidade», vinca Fernando Marques, que lamenta a «dificuldade» sentida por muitas PME do ramo para contratarem mão-de-obra.

«Os hotéis-casino são um concorrente de peso porque estão focado no Jogo, enquanto a restauração e as bebidas aparecem como um complemento para agradar ao cliente. Têm flexibilidade para praticar preços acessíveis», contrapõe novamente, justificando assim a razão dos preços poderem ser mais acessíveis nas operadoras do Jogo.

Instado a analisar o passado recente, o empresário português traça dois períodos distintos para descrever o seu ramo de actividade: «Entre 2001 e 2014 a restauração dava para tudo e para todos. Quem abria um espaço, fazia negócio».

«Claro que agora o Governo deu outra iniciativa aos jovens. Embora uns fechem e outros abram, vêem-se agora muitos negócios da restauração com jovens empreendedores, como acontece com vários “coffee shop” e lojinhas muito bonitas com boa qualidade e muito bom requinte, por exemplo nas zonas da Barra, do Mercado Vermelho e do Kiang Wu», acrescenta.

Não foi o caso de Fernando Marques, que depois de obter assinalável sucesso na zona do Leal Senado mudou-se de armas e bagagens para a ilha da Taipa: «Apostei numa rua bastante atractiva e tenho aqui próximo outros restaurantes portugueses».

O restante período decorre entre 2014 e 2016, quando a sentiu «a quebra no negócio da restauração e também na venda de produtos alimentares, portugueses e não portugueses, por via da empresa Olivier Pacific de Hong Kong», da qual é representante em Macau.

«Houve uma fase em que o negócio quebrou bastante, mas penso que desde há cinco meses a esta parte está a subir novamente», explica o empresário, concluindo: «as rendas ainda são difíceis de suportar, mas quem tiver sorte pode ter a sua oportunidade porque o senhorio será agora mais flexível quanto a esta questão».

Fernando Marques chegou a Macau em 1998 para trabalhar no grupo que compreendia os estabelecimentos de restauração Bolo de Arroz, Barril, Papatudo e Caçarola. Em 2001 abriu por conta própria o célebre “Ou Mun Cafe”, na zona do Largo do Senado, trespassando o negócio em 2014. Foi sócio-gerente do restaurante Casa-Lisboa, que abriu em 2008 na zona de Lan Kwai Fong em Hong Kong, sendo agora consultor daquele espaço de gastronomia portuguesa. Abriu oficialmente o restaurante Toca, na Vila da Taipa, em Fevereiro de 2016, do qual é proprietário.

PEDRO DANIEL OLIVEIRA

pedrodanielhk@hotmail.com

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