Jornal O Clarim

Semanário Católico de Macau

Frances Moffett-Kouadio
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Frances Moffett-Kouadio, Comissária da Agência de Comércio e Investimento do Reino Unido em Hong Kong

«Estamos interessados na Ilha da Montanha»

A Agência de Comércio e Investimento do Reino Unido em Hong Kong promoveu, no passado dia 19 de Junho, uma missão empresarial em Macau para atrair investimentos, com incidência nos “resort” integrados. Para Frances Moffett-Kouadio o objectivo é claro: «Estamos interessados na Ilha da Montanha». A’O CLARIM, a comissária para o comércio da entidade subordinada ao Governo britânico falou também sobre entretenimento e diversificação económica na RAEM.O CLARIMÉ a primeira vez, enquanto comissária para o comércio da UKTI (sigla inglesa) em Hong Kong, que promove uma missão empresarial em Macau com o intuito de potenciar novas oportunidades de negócio para as companhias britânicas. Quais os sectores mais atractivos?

FRANCES MOFFETT-KOUADIO – Estamos obviamente interessados em todos os “resorts” integrados. Embora haja um número considerável de empresas britânicas ligadas à arquitectura, à engenharia, à finança, ao serviço ao cliente e aos eventos, e a desenvolver projectos nos empreendimentos da indústria do Jogo, penso que os “resorts” integrados são a melhor solução para a diversificação económica porque trazem novas oportunidades nas áreas da formação, dos cuidados de saúde e das infra-estruturas dos transportes públicos, entre outras.

CLA julgar pela dimensão geográfica do território e pela competição com as demais empresas aqui estabelecidas, sejam locais, do continente chinês, de Hong Kong, de Portugal ou de outros países, haverá assim tantas oportunidades que chamem à atenção dos empresários britânicos?

F.M.K. – Penso que o mercado é atractivo. O maior desafio para a obtenção de lucros é levar os “resorts”, neste momento, a pensar mais no lazer e no entretenimento. No Reino Unido temos as fenomenais indústrias da música, do cinema e da televisão. Há companhias a trabalhar nestas áreas com potencial para ajudar os “resorts” a desenvolver novos produtos para os seus clientes.

CLEstão focados apenas em Macau?

F.M.K. – Há também o interesse de encontrar parceiros em Macau para que as empresas britânicas entrem na Ilha da Montanha e também na China continental. Macau não só é um mercado muito atractivo, como também é um trampolim para o continente chinês.

CLSerá assim tão linear?

F.M.K. – Pode definitivamente acontecer. Os novos empreendimentos na Ilha da Montanha são um bom ponto de partida porque são boas oportunidades para as companhias britânicas com actividade em Hong Kong de estreitarem parcerias com empresas de Macau, por forma a desenvolverem projectos em conjunto na Ilha da Montanha e também no resto da China.

CLApesar das boas ofertas dos hotéis-casino, maioritariamente direccionadas para turistas e visitantes, não há nada de substancial fora destes empreendimentos que sirva as comunidades aqui residentes. Algo do género de Lan Kwai Fong…

F.M.K. – Há um grupo de britânicos a apoiar o desenvolvimento do entretenimento na Vila da Taipa, com investidores do Reino Unido que estão a financiar a renovação e a regeneração daquela zona. É um exemplo de como o pensamento britânico pode ajudar à regeneração. Felizmente, há restaurantes e cafés [de várias tendências] em redor. Penso que o desenvolvimento acontecerá de forma natural à medida que parte da “cidade” se regenera. Há um número fenomenal de edifícios cuja utilidade pode ser alterada de modo a haver uma melhor rede social na zona [da Vila da Taipa], à imagem de tudo o que já existe em Lan Kwai Fong.

CLVoltando aos empreendimentos ligados ao sector do Jogo…

F.M.K. – Fui ao novo Broadway Macau e vi o mercado de rua… Por exemplo, em vez de irmos para dentro de um casino ou de um hotel onde até há entretenimento e divertimento, penso que virá o tempo das pessoas quererem e exigirem algo diferente, o que também resultará em novas oportunidades para as empresas tornarem isso em realidade.

CLO que fazer então?

F.M.K. – Os residentes de Macau são um grupo poderoso em termos de consumo, por isso há que exigir junto do seu Governo [da RAEM] medidas para haver mais negócios locais.

CLAs receitas do Jogo decrescem a olhos vistos, o que estará a afectar o desempenho da economia local e, por arrasto, das PME. Como ultrapassar esta situação?

F.M.K. – É preciso inserir a situação no seguinte contexto: embora estejam em queda, as receitas ainda são muito elevadas. A Venetian em Macau conseguiu mais em seis semanas do que num ano inteiro em Las Vegas. A taxa de desemprego ainda é muito baixa. Há muitas oportunidades, mas se chegarem tempos difíceis as pessoas terão que ser mais criativas a desenvolver uma grande variedade de negócios.

PEDRO DANIEL OLIVEIRA

pedrodanielhk@hotmail.com

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