Teologia, uma dentada de cada vez (2)

O que é a apologética?

O que é a apologética?

«Estejam sempre preparados para se defenderem de qualquer pessoa que vos responsabilize por essa esperança que tendes em vós, mas deverão fazê-lo com gentileza e reverência» (I Pedro 3:15). “Defesa” é a tradução do termo grego “apologia”. É desse termo que surge a palavra “apologética”. Assim sendo, a apologética trata da defesa pessoal.

Além disso, note-se, São Pedro disse que as pessoas serão chamadas «a explicar (dar a entender) a esperança que existe em vós». O termo grego para “prestar contas” é “logos”, o que pode ser traduzido como “palavra” (ver, por exemplo, João 1:1), ou “causa” (explicação). No entanto, a nossa defesa não é feita com meios violentos, mas sim através da (razão), do raciocínio. São Pedro acrescentou “gentilmente e com reverência” e assim a nossa defesa deverá ser uma explicação racional, suave e reverente. Podemos dizer que a apologética é um exercício da sabedoria (o primeiro dos sete dons do Espírito Santo – vejam Isaías 11:2-3) e da caridade (a mais importante de entre todas as virtudes teológicas – ver Coríntios 13:13). Bastante desafiante, não acham?

 

PORQUE E QUANDO É QUE COMEÇA A APOLOGÉTICA?

O cardeal D. Avery Dulles, no seu ensaio “History of Apologetics” (História da Apologética), explica que nas primeiras décadas da Igreja, até 125 d.C., os Pais Apostólicos (pessoas que conheceram pessoalmente os Apóstolos: Papa Clemente, Inácio de Antioquia, Policarpo de Esmirna e outros) ocuparam-se “com o estabelecimento da fé e disciplina da comunidade cristã, em vez de tentarem demonstrar a credibilidade da fé cristã”.

O cardeal D. Dulles afirmou que no entanto, depois de 125 d.C., apareceram escritos a defender a fé, que começava a emergir, motivados por quatro diferentes tipos de pessoas: Pessoas eruditas e convertidas que procuravam uma explicação intelectual para a fé; filósofos que atacavam a fé; imperadores que perseguiam a fé; e judeus fora da Igreja que caluniavam os cristãos ou os entregavam às autoridades. Os cristãos sentiram então necessidade de demonstrar que a sua religião era razoável e credível.

A partir deste momento, os pensadores e teólogos cristãos tiveram que se defender face a diferentes desafios ao longo dos séculos, especialmente do Islão no século VII, do Protestantismo no século XVI, do Racionalismo no século XVII, do Iluminismo no século XVIII e das consequências dos tempos presentes.

A apologética é agora estudada como parte da chamada “Teologia Fundamental”, a qual também inclui um estudo da revelação e fé.

 

AS QUESTÕES BÁSICAS DA APOLOGÉTICA

A apologética tenta “fazer uma defesa” e esforça-se para responder a três questões principais:

1– Porque devo professar uma qualquer religião? 2– Porque devo ser cristão? 3– Porque devo ser católico? Estas três questões necessitam de três grupos de demonstração explícitos:

1– Demonstração religiosa (demonstratio religiosa): Estudos religiosos genéricos e sobre as razões porque acreditar na existência de Deus é razoável e racional.

2– Demonstração cristã (demonstratio christiana): Estuda a afirmação que Deus Se revelou pessoalmente por intermedio da pessoa de Jesus Cristo (Cristo encarnado). Falou ao Homem e estabeleceu uma religião (revelou uma religião).

3– Demonstração católica (demonstratio catholica): Estuda a afirmação de que Cristo fundou a Igreja Católica.

Pe. José Mario Mandía

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