Olhando em Redor

Quanto vale uma vida humana?

Quanto vale uma vida humana?

O Circuito da Guia ceifou mais uma vida humana e outra vez no motociclismo. Daniel Hegarty estava consciente dos riscos a que estava sujeito ao competir em Macau. Lamento profundamente a sua morte. Assim como lamento profundamente as mortes passadas de outros pilotos, tanto de motos, como de carros, no nosso Grande Prémio.

Sejamos realistas! O Circuito da Guia não oferece praticamente nenhumas condições de segurança aos pilotos de motos, porque cada recta e cada curva é delimitada por uma parede ou por uma barreira de protecção, o que em si mesmo é sinónimo de fatalidade iminente.

A única excepção vai para a primeira curva do Hotel Lisboa, na qual os pilotos podem ir em frente. Posto isto, não há homologação alguma que garanta a segurança dos corredores de motos, pois eles estão por sua própria conta e risco nesta improvisada pista citadina rodeada de obstáculos que “convidam” à morte nas provas de motos.

Num simples exercício de matemática, basta ver quantos carros estiveram envolvidos em acidentes e quantas mortes daí resultaram, e fazer a mesma conta para as motos. O rácio é bastante elucidativo…

Em pleno século XXI a preservação da vida humana devia ter outro significado que não fosse apenas o espectáculo pelo espectáculo e a adrelanina pela adrenalina, ou outro tipo de interesses subjacentes às “road races”. Seja em Macau, na Ilha de Man ou em qualquer outra parte do planeta.

Por esta razão, as autoridades competentes devem abolir a prova de motos em Macau, caso contrário, mais ano, menos ano, vamos voltar a assistir a outras mortes. Pense, a quem de direito, quanto vale uma vida humana?

Pedro Daniel Oliveira

 

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