Filosofia, uma dentada de cada vez (26)

O que são Categorias?

O que são Categorias?

A substância e os acidentes são formas de “ser”. Mas existem muitas formas de acidentes. Aristóteles destacou nove, e assim, em conjunto com a substância, ele falou em dez categorias (em Grego, Κατηγορίαι). Deixem-nos enumerá-las, juntamente com as originais em Grego e as correspondentes traduções em Latim, ambas entre parêntesis.

As dez categorias são: substância (ουσία/substantia); quantidade (ποσόν/quantitas); qualidade (ποιόν/qualitas); relação (προς τι/relatio); onde (που/ubi); quando (πότε/quando); posição (κείσθαι/situs); posse (έχειν/habitus); acção (ποιείν/actio); e paixão (πάσχειν/passio).

Já falámos sobre a substância. Deixem-nos então descrever as outras nove categorias.

Quantidade: É o acidente que todos os seres materiais possuem. Este acidente fornece-lhes as suas dimensões (altura, comprimento, volume).

Qualidade: Talvez a questão que defina esta categoria seja: “Como é isto?”. Ao contrário da quantidade, a qualidade pode ser encontrada também em coisas não materiais, como a alma ou os Anjos. A qualidade é um acidente que abrange muitas coisas, incluindo cor, temperatura, textura, etc. Aristóteles dividia a qualidade como se segue: hábitos e disposições, capacidades naturais e incapacidades, qualidades afectivas e afectos, figura. O intelecto e o arbítrio são qualidades e também graças concedidas por Deus.

Relação: Esta é a categoria pela qual um ser se relaciona com outro. A relação é encontrada em Deus, mas Nele não é um acidente. (Estudaremos mais sobre este assunto no futuro).

Onde: Por vezes chamada de “lugar”, mas nas metafísicas aristotélicas “lugar” tem um significado diferente. A Wikipedia descreve “lugar” como “a posição em relação ao restante ambiente circundante”. É um acidente que os seres imateriais (Deus e os Anjos) não possuem.

Quando: Algumas pessoas chamam-lhe de “tempo”, mas uma vez mais “tempo” tem um significado diferente. “Tempo” é uma medida de mudança, em termos materiais, de acordo com o “antes” e o “depois”. O acidente “quando” refere-se ao “instante específico em qualquer momento da mudança”. (T Alvira, L Clavell, T Melendo, Metaphysics).

Posição: Este acidente descreve a postura de um corpo em um dado lugar. Os exemplos dados por Aristóteles são: “deitado”, “sentado”, “em pé”.

Posse: Este é um acidente que no sentido estrito da palavra apenas é encontrado, exclusivamente, nos seres humanos, como quando dizemos que uma pessoa usa um relógio, ou está vestida.

Acção: O acidente no qual um ser produz uma mudança noutro ser.

Paixão: A palavra original em Grego significa que algo recebeu uma acção de outrem. Sendo assim, “paixão” está relacionado com a “acção” de outrem.

E tudo isto tem algo a ver com a Fé Católica? Sim, e muito particularmente com o que se relaciona com a Eucaristia.

Sabemos que depois da Consagração, durante a Missa, o pão e o vinho se tornam no próprio Cristo. Antes da Consagração a substância é pão ou vinho, com os seus correspondentes acidentes: cheiro, gosto, cor, textura, peso e formato (este último no caso do pão).

Mas o que acontece após a Consagração? Nada parece ter-se modificado: os acidentes (por exemplo: cheiro, gosto, cor, textura, peso e formato) ainda são os do pão e do vinho. No entanto, a Fé diz-nos que para além dessas aparências (acidentes) a substância do pão e a substância do vinho desapareceram. Em seu lugar é o próprio Jesus, a substância do próprio Cristo, que se fez presente. A Igreja Católica usa um termo especial para designar esta alteração: Transubstanciação. É a única mudança deste tipo em que os acidentes continuam a ser os mesmos, mesmo depois da substância ter desaparecido.

Neste fenómeno único Jesus disfarça-se a si próprio de Pão e Vinho.

Pe. José Mario Mandía

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