Cesários do nosso descontentamento

Cesários do nosso descontentamento

O 10 de Junho deste ano foi melhor. Foi melhor porque Portugal esteve mais bem representado; foi melhor porque a RAEM esteve mais bem representada; foi melhor porque o programa de festas foi mais português; foi melhor porque eu e muitos outros achamos que foi melhor… e pronto! Afinal de contas, a festa é para nós, não para eles, os políticos. Na página 4 contamos os pormenores.

Infelizmente Portugal não está melhor – Nuno de Lima Bastos na entrevista que concede esta semana a’O CLARIM é da mesma opinião (pág. 7) – apresentando sinais apenas possíveis de combater se se mudar o Regime (ver Centrais).

E não se pense que apenas sofrem os portugueses que sobrevivem em Portugal. Nós, emigrantes, também sofremos. Passo a explicar:

Os males de que Portugal enferma são exportados para o estrangeiro, pois os políticos que nos (des)governam dentro de portas são os mesmos que há muito estendem os seus interesses para outros países, servindo-se das embaixadas, dos consulados e das delegações do Instituto Camões e do AICEP.

Pior ainda do que utilizarem os instrumentos do Estado – até porque a eles já recorrem dentro de fronteiras – é servirem-se das associações, grémios, clubes, enfim, de todo o tipo de colectividades de emigrantes, para se promoverem pessoalmente e politicamente, com vista a beneficiarem dos inúmeros negócios privados e públicos entre as empresas portuguesas e as empresas dos países de acolhimento, e também garantirem votos para os partidos a que estão encostados.

O que acabo de escrever tem sido promovido com mais afinco pelo Partido Social Democrata (PSD) nos países que constituem o Círculo Fora da Europa, com Macau a monopolizar muita atenção por parte da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, com o secretário de Estado, José Cesário, a movimentar as peças de um enorme xadrez de interesses.

Refiro apenas dois exemplos: 1 – Algumas privatizações de monta têm passado por Macau, através de poderosas sociedades que gerem os processos. 2 – Macau é um dos poucos locais no mundo onde os principais bancos portugueses têm representação “offshore”, constituindo um chamariz para os capitais das famílias que controlam – ou controlavam – o País.

A terminar, volto a partilhar uma das situações mais horripilantes da política portuguesa, para que não caia no esquecimento. Aquando das últimas eleições legislativas, durante a contagem de votos para o Círculo Fora da Europa, a cabeça de lista do Partido Socialista (PS), Carolina Almeida, ameaçou boicotar as eleições, acusando o Partido Social Democrata de ter sido favorecido por um jornal do Brasil que, aparentemente, tudo fez para que os eleitores votassem no PSD. Depois de uma longa conversa entre o cabeça de lista do PSD, José Cesário, e Carolina Almeida, tudo ficou resolvido! Sabe o leitor quem José Cesário, já depois de nomeado Secretário de Estado das Comunidades, convidou para o assessorar? Precisamente a sua ex-adversária política, Carolina Almeida.

Viva Portugal!

José Miguel Encarnação

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