Category Archives: Eclesial

Para uma vida com significado

Lego ergo sum

Lego ergo sum

Ler é um valor essencial para alargar os nossos horizontes; para amadurecer as nossas perspectivas; para ajudar a compreender a complexidade e, ao mesmo tempo, a simplicidade da realidade e do mundo. Ler para crescer, ler para sonhar, ler para partilhar e conviver.

Face à fragmentação que os meios de comunicação e as redes sociais provocam em nós e que, por vezes, nos dispersa e empobrece, o recurso frequente a um livro e consequente diálogo sobre ele é um verdadeiro bálsamo ou oásis para o nosso espírito e para o nosso intelecto.

Ler é mais do que saber dar voz às palavras, é ser capaz de se recolher, de habitar dentro de si mesmo, de ler nas situações, nos meandros, nos requebros da vida e das pessoas. É o grande diálogo de mim para mim, de mim para o outro e dos outros para mim e para nós, abrindo a possibilidade de nos apercebermos da grandiosa escala de matizes da realidade pessoal e social, criando a possibilidade de ver o mundo em várias dimensões, todas diferentes, mas complementares.

Teologia, Uma Dentada de Cada Vez (14)

O aconteceu depois da morte de Pedro?

O que aconteceu depois da morte de Pedro?

Deixem-me chamar a atenção para a supremacia de Pedro sobre os outros apóstolos. O capítulo 12 dos Actos dos Apóstolos mostra-nos como Herodes, depois de executar Tiago, irmão de João, prendeu Pedro (versículos 1-3) – «mas foi feita a Deus uma sentida oração por ele, pela Igreja» (versículo 5). Pedro foi libertado por um anjo, e quando visitou os que tinham rezado por ele deu-lhes instruções para que dissessem aos outros discípulos que ele havia sido libertado (Actos 12:17).

Família e Fé

Superar a superficialidade

Certo jovem encontrou um amigo na rua. Já não se viam há tantos anos. O tempo tinha passado e as suas vidas, outrora tão parecidas, eram agora muito diferentes.

Falaram do passado: olharam para trás com uma certa nostalgia. Falaram do presente: cada um tinha as suas normais dificuldades. Falaram do futuro: levavam ambos no coração um atitude esperançada.

Falaram de Deus.

«– Respeito a tua atitude, mas eu não vejo a Deus. Também não sinto muitas vezes a necessidade d’Ele. Acho que antigamente era mais lógico acreditar. A ciência, para mim, é algo entusiasmante. Pelo contrário, tenho a sensação de que a religião só defende que tudo o que é bom nesta vida ou faz mal à saúde ou é pecado. Eu respeito a tua atitude, mas sou feliz assim».

Cismas, Reformas e Divisões na Igreja- LXXXIX

O Relativismo – VI

O Relativismo – VI

Muito mais haveria para referir acerca do relativismo. Porque é sem dúvida um dos factores de divisão do mundo de hoje, uma das tendências que tem fragilizado o fenómeno religioso e o sentimento de comunidade, de coesão social e de estratégia até. Hoje em dia, tudo na vida é forrageado pelo relativismo, que se insidia de forma larvar e medra em todos os aspectos que caracterizam a sociedade. Como se viu o relativismo moral torna ainda mais frágeis as relações humanas, a justiça e a liberdade individuais e o sentido colectivo da existência. E afecta o mundo de hoje, quase se podendo dizer que começa a “valer tudo”…

Devoção e Culto à Sagrada Família de Nazaré

Famílias chamadas à santidade

Famílias chamadas à santidade.

É interessante notarmos que após o Natal, no Domingo seguinte, a Igreja celebra a Festa da Sagrada Família, sendo que nunca depois do dia 30 de Dezembro. Cristo quis entrar no mundo por uma família, pela mesma “porta” que todos nós tomamos, porque a família é base do plano de Deus para a existência da Humanidade. Jesus não precisava de uma família para habitar entre nós, Deus omnipotente poderia t’Elo feito descer à terra já homem. Mas Deus quis iniciar assim a obra da Redenção, para restaurar os alicerces da Humanidade, que desabaram pelo pecado original em Adão e Eva (primeira família), o primeiro casal e matrimónio criados por Deus.

Teologia, Uma Dentada de Cada Vez (13)

TEOLOGIA, UMA DENTADA DE CADA VEZ (13)

O Novo Testamento revela que Pedro era o primeiro entre os Apóstolos?

O Novo Testamento mostra-nos que Jesus concedeu um tratamento especial a Pedro, que escolhera de entre os doze apóstolos. E o Novo Testamento também nos diz como Pedro desempenhou a sua tarefa? Sim, também isso nos revela!

Pedro assumiu a liderança em muitas ocasiões: ele pede ao Senhor que lhe explique as parábolas (Mateus 15:15); pergunta se a parábola é só para o grupo ou se para todos os outros (Lucas 12:41); professa ser Jesus o Messias (Mateus 16:16; Marcos 8:29; Lucas 9:20); repreende Jesus, quando mais tarde Ele prediz a Sua paixão e morte (Mateus 15:22; Marcos 8:32); dos três que Jesus levou com ele para a montanha durante a transfiguração é Pedro o único que propõe fazer três tabernáculos (Mateus 17:4; Marcos 9:5; Lucas 9:33); depois de Jesus ter dito «seja o que for que desligares na terra será desligado no céu, seja o que for que ligares na terra será ligado no céu (Mateus 18:18)», Pedro é o que pergunta quantas vezes deveriam perdoar (Mateus 18:21); promete ser-Lhe fiel no meio da perseguição (Mateus 26:33; Marcos 14:29; João 13:37); sentiu ser seu dever defender Nosso Senhor quando os soldados O vieram buscar para O prender (João 18:10); correu para o túmulo (do Senhor) depois de ter sido informado pela mulher sobre a Ressurreição (Lucas 24:12; João 20:3), sendo que João deixa-o entrar primeiro, mesmo tendo João chegado antes ao túmulo (João 20:4-5).

Instrumento Salvífico da Humanidade

Bíblia, uma grande história…

Bíblia, uma grande história…

Era uma vez um sacerdote que viajava de comboio da cidade onde vivia para uma vila próxima, desconhecida então para ele, para dar uma conferência sobre a Bíblia. Quando chegou, na estação não havia ninguém a quem perguntar mas reparou num grupo de rapazitos que estavam a jogar futebol num campo próximo. Aproximou-se deles para obter informações:

«– Desculpem que os interrompa» – disse-lhes – «algum de vocês me pode indicar como se vai daqui para a Câmara?». Todos o rodearam e um mais despachado, de bola na mão, começou a falar com o forasteiro:

«– Oiça lá, senhor padre, para que quer ir à Câmara?».

«– Tenho de fazer uma conferência lá», respondeu o sacerdote, passando por alto o tom impertinente do rapaz.

«– E de que é que lhes vai falar?».

«– Pois olha…» – responde divertido o sacerdote – «vou-lhes falar de como se vai para o Céu».

O assombro espelhou-se na cara do miúdo que diz cheio de vivacidade:

«– Vai-lhes ensinar como ir para o Céu e não sabe como se vai para a Câmara!?».

Cismas, Reformas e Divisões na Igreja – LXXXVIII

O Relativismo – V

Não conseguimos acabar com o relativismo. Mas não vamos alongar-nos mais nestas páginas sobre este tema. Vamos pois começar a concluir e resumir. E colocamos aqui o desafio do relativismo moral. É uma das interrogações mais complexas sobre o relativismo. Se o compararmos com o absolutismo moral, poderemos encontrar respostas, ou até perceber a sua ontogénese. Sem julgamentos, nem relativismos, ou absolutismos sequer, tentemos perceber algumas das ideias que o definem, um pouco na história, mais na realidade do mundo de hoje.

O que é o relativismo moral? É mais facilmente compreendido quando comparado com o absolutismo moral, já se disse. Mas porquê? Ora, o absolutismo afirma que a moralidade depende de princípios universais (lei natural, consciência). Os absolutistas cristãos acreditam que Deus é o recurso principal – senão o único – da moralidade comum dos homens, criaturas que somos, e que essa moralidade é tão imutável quanto Ele.

Teologia, Uma Dentada de Cada Vez (12)

Todos os Apóstolos tinham o mesmo estatuto?

Todos os Apóstolos tinham o mesmo estatuto?

Jesus escolheu cuidadosamente doze homens cujos nomes estão listados nos Evangelhos Sinópticos (Mateus 10:2-4; Marcos 3:16-19; Lucas 6:14-16) e nos Actos dos Apóstolos (1:13, excluindo Judas Iscariotes). São Mateus escreveu: «Os nomes dos doze apóstolos são: Primeiro, Simão, que é chamado de Pedro…(10:2)». “Simão Pedro” é o primeiro das listas de Mateus, Marcos, Lucas, João e dos Actos dos Apóstolos. No entanto, Mateus realça este facto: Pedro está (vem) primeiro – “primum Simao – primeiro Simão”.

Cismas, Reformas e Divisões na Igreja – LXXXVII

O Relativismo – IV

O Relativismo – IV

O relativismo é mesmo uma das maiores ameaças nos tempos de hoje. Ameaça global, a quase todas as dimensões humanas, não apenas do ponto de vista religioso ou moral. Quase se misturando com a globalização e outros fenómenos modernos, já é difícil conceber o mundo sem relativismo, tendência que substituiu ou se impôs ao racionalismo e ao cientismo em muitos aspectos. A Igreja Católica, na sua vertente de entidade que assume um papel e responsabilidade fundamentais na cultura na ciência, no pensamento, na sociedade, por exemplo, é um dos baluartes, talvez o maior, na luta contra o relativismo, ou pelo menos, pela sua mitigação ou diluição. Mas sem imposição do absoluto “puro e duro”, mas sem relativismos. Estamos pois perante um dos maiores debates da civilização, da sociedade humana e dos tempos modernos.

Imaculada Conceição de Maria (Padroeira da Diocese de Macau)

IMACULADA CONCEIÇÃO DE MARIA

Bispos gravaram o nome na Basílica de São Pedro.

Amanhã celebra-se a festa da Imaculada Conceição de Maria. Vale a pena recordar o caminho percorrido.

O Papa Francisco diz que a doutrina não muda, mas a Igreja progride na sua compreensão. Efectivamente, Jesus ensinou que «todo o escriba instruído acerca do reino dos céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas» (Mt., 13, 52). O Concílio Vaticano II descreve esta dinâmica de fidelidade e descoberta dizendo que «a Igreja é confortada pela força da graça de Deus (…) para que não se afaste da perfeita fidelidade (…) e, sob a acção do Espírito Santo, não cesse de se renovar» (Lumen gentium, 9). A graça concedida a Nossa Senhora é uma destas descobertas: Imaculada, Auxiliadora, Medianeira, Mãe da Igreja!…

Unidos a Maria Santíssima no Encontro com o Menino Jesus

Advento leva ao Salvador

Advento leva ao Salvador.

Iniciámos no passado Domingo, dia 2 de Dezembro, o novo Ano Litúrgico (Ano C) com o Advento que antecede o Natal. Seguem-se quatro semanas para meditarmos no mistério da Encarnação, que dele se resplandecem Maria Santíssima e Nosso Senhor Jesus Cristo – Deus que se fez homem. Nos próximos dias esperamos a vinda gloriosa do Senhor, e lembramos a espera dos profetas e de Nossa Senhora pelo nascimento do Salvador em Belém. A palavra “Advento”, que provém do Grego parusia, significa “presença”, “chegada”, “presença iniciada”.

Teologia, Uma dentada de cada vez (11)

Jesus tinha um plano de sucessão?

Jesus tinha um plano de sucessão?

Muitas pessoas vêem Jesus Cristo como sendo excepcional e aceitam a Sua divindade, embora também para muitas seja uma personagem ligada a um passado muito remoto, sem conexão com o presente. Será assim? Ou, por outro lado, Jesus assegurou que a Sua missão continuaria através dos séculos?

Os Evangelhos Sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas) dizem-nos que Jesus escolheu pessoalmente doze homens, de entre os Seus seguidores (discípulos), aos quais entregou uma missão especial (enquanto apóstolos): «E Ele chamou os Seus doze discípulos e concedeu-lhes autoridade [poderes] sobre os espíritos impuros, para expulsá-los e curar todas as doenças e enfermidades (Mateus 10:1)»; «Subiu a uma montanha e chamou aqueles que quis; eles vieram ter com Ele. E designou doze, para ficar com Ele, para serem enviados a pregar, e tinham autoridade [poder] de expulsar os demónios (Marcos 3:13-15)»; «Naqueles dias, Ele subiu a uma montanha para rezar, e rezou continuamente a Deus, durante toda a noite. E quando se fez dia, chamou os Seus discípulos, e escolheu doze de entre eles, aos quais chamou de apóstolos (Lucas 6:12-13)».

Cimeira do Clima na Polónia

CIMEIRA DO CLIMA NA POLÓNIA

Igreja alerta contra alterações climáticas

O Vaticano e várias instituições católicas estão presentes na Cimeira do Clima – COP24 que decorre na Polónia, com um apelo global contra os efeitos das alterações climáticas.

O documento foi assinado em Outubro, na cidade de Roma, pelos presidentes de seis confederações continentais das Conferências Episcopais, em defesa de acções políticas e da comunidade internacional contra os efeitos das alterações climáticas.

Um livro de vivências que reflecte uma vida com sentido

“Ventos de Mudança”

“Ventos de Mudança”

A vida é um constante fluir na cadência dos nossos dias e na construção do nosso ser que urge formar, desenvolver, aperfeiçoar e consolidar.

Somos peregrinos na terra, em busca da Pátria prometida, o Céu, miragem única e fascinante que a todos atrai e incita a alcançar. Vidas simples, outras mais complexas, algumas sem história, outras contadas e reforçadas pelo palpitar do coração e dos sentidos que despertam uma avassaladora ambição de viver todos os momentos como se fossem os últimos e os únicos.

Na verdade, a vida é uma viagem admirável, é uma vertigem que passa ou um rio que corre sempre no seu leito, uns dias mais agitado, outros mais tranquilo, mas não volta nunca para trás, o seu fim é a foz…