ORAÇÃO MENTAL E MEDITAÇÃO – IV

Oração mental e meditação – IV

Não te queixes que Deus está silencioso, quando tens a tua Bíblia fechada

Tinha acabado de me sentar em frente ao computador para escrever este artigo quando a “Catholic Links” (“Ligações Católicas”) colocou na Internet uma imagem com a seguinte legenda: “Não te queixes que Deus está silencioso, quando tens a tua Bíblia fechada”.

A verdade é que Deus está sempre a falar connosco mas, como acontece com a rádio, temos que “sintonizar a frequência” no seu canal. O Compêndio do Catecismo (nº 558) oferece-nos quatro maneiras de o fazermos – quatro canais de comunicação – através dos quais Deus fala connosco. 1 – “a Palavra de Deus”, 2 – “a Liturgia da Igreja”, 3 – “as Virtudes Teológicas”, 4 – “as Situações Quotidianas, porque nelas podemos encontrar Deus”.

 

A Palavra de Deus

«Pois a Palavra de Deus é viva e activa, mais afiada que qualquer espada de dois gumes, penetrando até à divisão da alma e do espírito, das articulações e da medula, e descobre os pensamentos e intenções do coração. E em face a Ele nenhuma criatura se pode esconder, pois estão abertas e desnudas aos Seus olhos, com os quais nos devemos confrontar» (Hebreus 4:12-13).

A Palavra de Deus é poderosa, desfere um impacto devastador que muda o modo de vida.

 

A Liturgia da Igreja

São Josemaría sugeria: «As vossas orações devem ser litúrgicas. Como eu gostaria de vos ver a usar os salmos e as orações do missal, em lugar dessas orações privadas da vossa própria escolha» (O Caminho, pág. 86).

E porquê a Liturgia? A Liturgia é um acto de adoração que inclui orações das Sagradas Escrituras e também da Sagrada Tradição, através das quais Deus fala de si mesmo, connosco.

O que é a Sagrada Tradição? A Sagrada Tradição são os ensinamentos orais que Jesus Cristo deixou (“tradição” vem do Latim “tradere”, entregar de mão em mão) aos seus apóstolos. Eles, por sua vez, entregaram-na durante o ensinamento aos seus seguidores, de entre os quais se encontravam os primeiros Pais da Igreja, que então passaram à próxima geração, até aos nossos tempos.

E porque é necessária a tradição? Porque «existem muitas outras coisas que Jesus também fez; e se fossemos escrever toda e cada coisa que Ele fez, penso que no próprio mundo não haveria espaço para guardar todos os livros que se pudessem escrever» (João 21:25). As explicações de Nosso Senhor dadas aos seus discípulos sobre os seus ensinamentos foram passadas primeiro através da tradição oral. A Sagrada Tradição ajuda-nos a compreender melhor as Sagradas Escrituras.

 

As Virtudes Teológicas

«Assim, as três Virtudes Teológicas são: Fé, Esperança e Caridade (Amor), mas a caridade é a maior de todas» (I Coríntios 13:13).

A Fé revela-nos coisas que estão para além dos nossos limites da observação e do raciocínio. Assim como um “drone”, pairando acima do terreno, faz-nos ver tudo de um ângulo diferente, a Fé também nos faz ver a nossa vida de uma perspectiva diferente.

A Esperança funciona como um par de binóculos. Ajuda-nos a ver para lá do “hoje” e a olharmos para a frente, para o futuro – a Vida Eterna.

A Caridade (o Amor) é a fonte de orações, porque a oração é uma conversa e nós só conversamos com quem amamos.

 

As Situações Quotidianas

Deus falou, e todas as coisas foram criadas. Deus criou através das Suas palavras. Podemos descobrir Deus através de tudo o que Ele criou. E como Ele continua a governar o Mundo através da Sua (Divina) Providência, podemos ouvir um pouco da Sua voz se estivermos com a atenção suficiente. Não acontece nada sem que Deus o queira, no mínimo sem a Sua autorização. Conforme São Josemaría gostava de repetir: «Nós sabemos que Deus trabalha para o bem de tudo» (Romanos 8:28). Mesmo quando tudo sai errado (de acordo com a nossa definição de “errado”) nós precisamos de ouvir com muito mais cuidado. Deus está querer dizer-nos algo.

Pe. José Mario Mandía

(Tradução: António R. Martins)

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