O primeiro jogo

Olhando em Redor

O primeiro jogo

Foi com satisfação que assisti no último Domingo à transmissão em directo do jogo que opôs o Ka I ao Benfica de Macau, a contar para a 10ª jornada da Liga de Elite. O desafio foi difundido em simultâneo pelo Canal Macau e pelo Canal HD da TDM.

Saúdo o pioneirismo da iniciativa porque a TDM tem um papel importante a desempenhar na promoção do desporto local. O jogo foi paupérrimo, à imagem do futebol que se pratica no território, mas embora seja este o desporto que temos, a TDM cumpriu bem com o papel de prestar serviço público à população.

Espero que a transmissão de jogos da Liga de Elite seja para continuar, porque todos os intervenientes podem ganhar com isso: o futebol tem de evoluir para um patamar superior sob pena de ficar irremediavelmente condenado ao fracasso. A Associação de Futebol de Macau terá de ter uma atitude mais pró-activa no modo como gere a modalidade. Também o Governo, na “pessoa” do Instituto do Desporto, terá de ter mais cuidado pela forma como trata o futebol. As equipas vão ganhar visibilidade e, quem sabe, captar investidores. As arbitragens vão progredir em termos qualitativos porque terão a atenção de um público mais abrangente. A população vai poder conhecer melhor as equipas e os atletas locais, o que deverá chamar mais espectadores aos jogos. Várias empresas poderão ficar tentadas a fazer anúncios televisivos durante ou nos intervalos dos jogos.

Quanto à transmissão em si, dou nota bastante positiva ao trabalho dos comentadores de serviço, os jornalistas Pedro Maia e Rui Cid, ambos com reconhecida tarimba nestas andanças. O único reparo vai para a realização, que denotou falta de experiência, o que até considero normal, por não ter oportunidade de fazer este tipo de trabalho com regularidade.

A minha sugestão vai para que, no acompanhamento das jogadas, os operadores de câmara abram mais os planos, por forma a cobrirem dois terços do campo, em vez de apenas metade, evitando assim que fiquem tentados a procurar a bola com movimentos bruscos. O mesmo deve acontecer nas situações de canto ou nas imagens de perto, podendo aqui passar para um plano superior a um quarto do campo. Apesar deste contratempo, há que dar os parabéns à TDM porque as transmissões vão certamente melhorar em futuras oportunidades.

 

Metro Ligeiro com substância

Ao acompanhar o desenrolar dos acontecimentos sobre as obras do Metro (bem) Ligeiro e o rol de situações inacreditáveis que vão chegando ao meu conhecimento, sou levado a concluir que ainda vão rolar cabeças por estas bandas, sendo para isso necessário que a Justiça funcione.

O processo do Metro Ligeiro tem sido tudo menos transparente, o que pode levar a muitas e variadas interrogações. Fico-me pelas essenciais: houve práticas de corrupção que lesaram os cofres da RAEM? Quem foram os corrompidos e os corruptores? Será que não houve nada disto, porque só a incompetência de gente pouco preparada terá levado ao imbróglio actual? Haverá condicionantes a montante e a jusante que justifiquem outros juízos de valor?

O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, teve a hombridade de pedir desculpa à população por algo bastante pesado que herdou do tempo de Lau Si Io. Um bom governante é para isto mesmo: dar a cara nos maus momentos e assumir os erros (mesmo que sejam do passado). Contudo, também deve mostrar que é competente no cargo e consegue dar a volta à situação. A esperança é a última a morrer, por isso acredito que Raimundo do Rosário vai arregaçar as mangas e pôr de lado a pouca transparência que inquinou todo um projecto que é necessário ao progresso da sociedade.

Segundo o Hoje Macau, os deputados compreendem o pedido de desculpas de Raimundo, mas dizem que a culpa não é dele. Esqueceram-se de focar o primordial, porque embora Lau Si Io já não faça parte do elenco governativo ainda temos Chui Sai On para prestar contas à população e explicar o que se passa com toda esta trapalhada do Metro Ligeiro. Não com discursos vazios e de circunstância, mas sim objectivos e com “substância”.

 

Varanda do meu contentamento

Fui ontem almoçar ao “buffet” do Restaurante “Varanda”, no hotel Landmark, e deparei-me com uma boa variedade de pratos, desde saladas, “frios”, sardinhas assadas e cozido à portuguesa, entre outras iguarias. A Sopa Juliana estava divinal (não provei o caldo chinês) e as sobremesas respeitaram aquele toque ocidental tão característico da doçaria portuguesa e também do que se pode encontrar de bom por Macau.

Depois de beber um café expresso pedi a conta e fiquei “escandalizado” com o preço a pagar: 109 MOP! “Escandalizado”, por saber que hoje em dia come-se, ao almoço, melhor e mais barato em certos “buffets” de hotéis de quatro ou cinco estrelas, do que em muitos restaurantes portugueses de Macau. Com efeito, o “Varanda” não é caso único… Mas apenas um reparo: o cozido à portuguesa também leva farinheira…

PEDRO DANIEL OLIVEIRA

pedrodanielhk@hotmail.com

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