Nada demove os católicos martirizados

Missionários Argentinos contam horrores vividos no Iraque e na Síria

Nada demove os católicos martirizados.

O padre Luis Montes, do Instituto do Verbo Encarnado, e a irmã Maria da Guadalupe, das Servidoras do Senhor e da Virgem de Matará, dois argentinos com trabalho missionário no Médio Oriente, partilharam em Hong Kong os horrores vividos pelos católicos às mãos do Estado Islâmico (ISIS), mas também histórias de coragem e de fé dos que não se desviam do caminho de Deus perante as mais cruéis adversidades.

Numa das duas palestras realizadas nos dias 8 e 9 de Julho, na igreja de São Pedro e São Paulo, em Yuen Long, o padre Montes disse que a perseguição de cristãos no Iraque, onde tem servido nos últimos seis anos, começou a piorar após a morte de Saddam Hussein, em 2003.

«Há novas perseguições desde então. Tem tudo estado num caos, algo que a Imprensa nunca notícia. Há uma média superior a vinte ataques diários [em todo o País], sendo ainda pior na capital de Bagdade, visto poder chegar a um total de cem ataques por mês», assinalou o padre argentino.

Ao mostrar várias fotos de destruição em Bagdade, o padre Montes referiu que a situação tornou-se terrível após o ISIS assumir o controlo da cidade, com bombas escondidas nas igrejas, nos frigoríficos e até mesmo em brinquedos de crianças.

Segundo disse, os militantes do ISIS «odeiam em particular as estátuas católicas», dado que «sempre que encontram queimam e destroem as estátuas ou ícones [religiosos], usando-as inclusivamente para fazer tiro ao alvo», visto «não aceitarem o que contém a mensagem de que Deus se tornou homem».

De igual forma, frisou que «os cristãos têm apenas quatro opções sob a liderança [do ISIS]: 1 – apostatar e tornarem-se muçulmanos; 2 – pagar altos impostos; 3 – escapar; 4 – morrer».

Na mesma linha de ideias, explicou que «as pessoas são mortas de diferentes maneiras – pregadas à cruz, decapitadas e enterradas vivas», acrescentando que «crianças foram mortas e mulheres foram violadas, por vezes algumas dezenas de vezes por dia».

Entre várias histórias reais partilhadas pelos missionários, a irmã Guadalupe, que chegou à Síria em 2011, contou que uma vez, ao encontrar dois meninos, e sabendo que haviam crescido numa zona de guerra sem vivenciar a paz, perguntou-lhes: «sabem que vão morrer?». E os meninos responderam com alegria que «sim».

Continuando a descrição, referiu que «estavam muito felizes, pois sabiam que iriam para o céu se alguma vez fossem mortas pelo ISIS», sublinhando que «a mãe dos meninos também ficou alegre depois de ouvir a resposta», porque «essa é a alegria de um cristão».

Os dois missionários, que serviram no Médio Oriente ao longo de mais de vinte anos, viajam agora na maior parte do tempo, com o intuito de partilharem as experiências vividas e para despertarem a preocupação em torno da Igreja perseguida.

Jasmin Yiu 

com Pedro Daniel Oliveira

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