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Fórmula 1 – Época de 2016

Dúvidas e surpresas

Depois de duas vitórias consecutivas nas duas primeiras corridas de 2016, antecedidas de outras três alcançadas no final da época passada, Nico Rosberg dá a impressão de poder lutar pelo título de pilotos este ano. Toto Wolff, o director desportivo da Mercedes Benz, afirmou à imprensa especializada, antes do campeonato começar, que os seus pilotos – Lewis Hamilton, actualmente com três títulos de campeão do mundo de pilotos, dois dos quais na Mercedes; e Nico Rosberg, que até agora tem sido o “segundo violino” de Hamilton – têm liberdade para competir entre eles, se tal não prejudicar os interesses da equipa alemã.

Sem negarmos o mérito das referidas cinco vitórias de Rosberg, estamos em crer que os três primeiros lugares do final do ano passado foram, em grande parte, “consentidos” por Lewis Hamilton e pela direcção da equipa. Este ano a vitória de Rosberg na Austrália caiu um pouco como um “balde de água fria”, com Hamilton a ter que ceder o lugar mais alto do pódio ao seu parceiro. Sebastian Vettel, com Ferrari, ocupou o lugar mais baixo do pódio.

No Bahrain, Rosberg foi (muito) beneficiado pelo toque de Valtteri Bottas no carro de Hamilton durante a confusão da largada. Depois de ter ido às boxes corrigir os estragos do carro, Hamilton ainda alcançou um fantástico terceiro lugar. Kimi Raikkonen colocou o seu Ferrari entre os dois Mercedes. Esperava-se que fosse Vettel a fechar o trio da frente, mas o carro do tetracampeão “explodiu” durante a volta de formação.

Menos visível e mediático, Jolyon Palmer, filho de Jonathan Palmer, ex piloto de F1 – hoje com interesses financeiros em alguns circuitos do Reino Unido – nem sequer alinhou com o seu Renault, por deficiência no sistema hidráulico. É de lamentar, pois na Austrália o piloto obteve um excelente décimo primeiro lugar.

Vettel teve que assistir à corrida das boxes, havendo quem questionasse se os outros motores da Scuderia de Maranello não iriam dar lugar a uma sucessão de desistências, dado haver um total de oito carros com motor Ferrari em prova (Ferrari, Toro Rosso, Sauber e Haas). Felizmente nada de mal aconteceu e uma vez mais Gene Haas, o patrão da nova equipa norte-americana, mostrou que se pode entrar na Fórmula 1 pela porta da frente.

Nas duas provas em que participou até ao momento, a Haas F1 Team conseguiu pontuar através do francês Romain Grosjean. Se já tinha sido um feito colocar uma equipa norte-americana no “grid”, maior feito ainda foi o desempenho dos carros brancos. As sempre eternas “más línguas” já dizem que a Haas não é uma equipa qualquer, sendo na prática a segunda formação da Ferrari. Talvez porque a Sauber e a Toro Rosso, que como já dissemos também usam motores Ferrari, não terem o mesmo desempenho.

Depois de ter sido adoptado – e detestado – um sistema de qualificação a que no mínimo podemos chamar de “absurdo”, a Fórmula 1 regressa ao sistema de qualificação utilizado até ao ano passado, para alívio de todos, incluindo de alguns pilotos. Assim, as qualificações terão novamente uma hora de duração, incluindo os tempos mortos entre cada sessão, o que dá um tempo útil de apenas 45 minutos. Os treinos cronometrados dividem-se em três partes: Q1 – todos os carros em pista, tentando estabelecer o melhor tempo possível por volta. Os sete carros mais lentos são eliminados e ocupam os últimos lugares do “grid”. Q2 – com a duração de 15 minutos, os restantes quinze carros tentam, de novo, estabelecer o melhor tempo por volta. Os piores cinco são eliminados e ocupam as três linhas médias do “grid”. Q3 – com apenas dez minutos, os dez carros ainda em prova apenas dispõem de tempo para efectuar pouco mais de duas voltas lançadas. O mais rápido irá ocupar a “Pole Position”, ficando o “grid” completo com os outros nove.

Até agora era este o sistema de qualificação em vigor, sendo reconhecido pelos amantes da Fórmula 1 como uma boa solução. Bernie Ecclestone chegou a avançar com a possibilidade de se realizar uma corrida de qualificação no sábado, para apurar os lugares da grelha de partida, à semelhança do que acontece em Macau para a Fórmula 3. A ideia foi liminarmente desconsiderada, pois obrigaria a que houvesse sempre treinos cronometrados para definir o primeiro “grid”, o que só iria agravar ainda mais o problema.

Sebastian Vettel, juntamente com outros pilotos no activo, antigos pilotos – incluindo ex-campeões do mundo – e comentadores profissionais, veio a público alertar para o perigo da Fórmula 1 deixar de ser atractiva para os fãs. Com tantas alterações aos regulamentos, tanto a nível técnico como desportivo, e com mudanças disto e daquilo a todo o momento, os frequentadores dos autódromos e os telespectadores estão a mudar-se em massa para outros desportos motorizados.

Temos vindo a assistir com mais regularidade ao Campeonato do Mundo de MotoGP, nas suas três categorias; ao Mundial de Superbike; à Stock Car, nos Estados Unidos; e por vezes a provas do Mundial de Resistência (Sport Protótipos). Sem querer chegar a uma conclusão precipitada, damos razão aos muitos milhares de espectadores que se estão a afastar da categoria máxima do desporto automóvel. Com corridas como aquelas a que temos assistido ultimamente – salvo a rara excepção da última prova no Bahrain, bastante interessante por sinal – temos que concordar com quem afirma que até a Fórmula E é mais excitante do que a Fórmula 1.

Este Domingo disputa-se o Grande Prémio da China, no Circuito de Xangai.

Manuel dos Santos

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