3º DOMINGO COMUM – Ano A – 25 de Janeiro

3º DOMINGO COMUM – Ano A – 25 de Janeiro

Caminhando na Luz de Deus

Quando Jesus começou o seu ministério público de pregação e cura, João Baptista já tinha sido preso, pondo fim ao seu movimento de renascimento religioso. Nessa altura, em vez de regressar a Nazaré (ou seja, em vez de voltar para casa), Jesus foi para Cafarnaum. Isto marcou um novo começo, cujo propósito é descrito num versículo profético: «O povo que estava sentado nas trevas viu uma grande luz, e para aqueles que viviam na terra da sombra da morte, a luz amanheceu».

O ponto de partida da mensagem de Jesus era muito semelhante ao de João Baptista. Muda directamente da sua tranquila casa em Nazaré para Cafarnaum, na rota de viagem ao longo do Mar da Galileia. Esta é a terra de Herodes Antipas, que havia prendido João e mais tarde julgaria Jesus. Lembre-se que Jesus, quando criança, fugiu de Herodes, o Grande; agora, na idade adulta, ele dirige-se corajosamente ao filho de Herodes, assumindo a tocha da mensagem de João: «Arrependei-vos, porque o Reino de Deus está próximo». A palavra para “arrependimento” em Grego é “metanoia” – significa “uma mudança de mente/coração” para pensar fora da caixa do ego. Este é o remédio para a “escuridão”, a rotina da existência humana sem sentido em que tantas pessoas se encontram. Jesus percebe que precisa de ajuda para ensinar a lição do amor a Deus e ao próximo; ele recruta. Caminha à beira do Mar da Galileia e vê dois pares de irmãos: Pedro e André, e Tiago e João. Diz: «venham, sigam-me; eu farei de vós pescadores de homens». Estava a chamá-los para uma tarefa muito mais difícil do que enganar peixes que instintivamente procuram alimento. Estava a chamá-los para tentar, como ele mesmo, atrair as pessoas para que encontrassem a necessidade profunda de significado nas suas vidas. Para as capturar, tinha apenas a sua mensagem como isca para atraí-las para a luz da verdade. A imagem de Jesus de “capturar” é perfeita. Ele procura os corações dos seres humanos. A busca envolve atrair – como na pesca. Ao seu chamamento, eles imediatamente o seguem. Mas porquê? Porque era carismático. Ou seja, havia nele uma “aura ou charme”, um ar de entusiasmo, de paixão. Exalava zelo. Quando falava, sabia claramente do que estava a falar – o que os seus ouvintes judeus chamavam de “falar com autoridade”. Os quatro viram isso. Jesus não agia de forma “descolada”. Possuía a capacidade de atrair e encantar as pessoas. A confiança declarada na sua mensagem era contagiante. Os ouvintes captaram o seu entusiasmo. Quando o ouviam, ficavam “enganchados”. Eles respondiam-lhe e, mais importante, acreditavam nele.

Anunciou: «Arrependei-vos dos vossos pecados e voltai-vos para Deus, porque o reino dos céus está próximo». Afastar-se dos pecados é um acto voluntário, que pode ser revertido. Há uma história para ilustrar este ponto. Quando Leonardo da Vinci foi convidado a pintar o quadro de “A Última Ceia”, procurou por toda a parte modelos para cada pessoa da cena. Encontrou um jovem bonito, cheio de vitalidade, como o modelo perfeito para Jesus. Nos meses seguintes, fez o mesmo com modelos para cada um dos apóstolos, deixando Judas para o final, sem saber como representá-lo. Finalmente, encontrou um vagabundo que achou ideal para o “papel”. Leonardo levou-o para o seu estúdio, mas enquanto o trabalho estava em andamento teve uma constatação chocante. Este homem havia estado com ele meses antes, representando Jesus. Nesse meio tempo, tinha começado a beber, perdido o rumo e agora estava sem tecto. Foi um choque para Leonardo descobrir que o homem que serviu de modelo para Judas era o mesmo que havia encontrado anteriormente para representar Jesus na pintura.

Deus não pede que as pessoas sejam perfeitas antes de O seguirem. Ele chama as pessoas tal como elas são. O Evangelho encoraja-nos a confiar que Deus pode usá-las, independentemente da sua origem ou habilidades. Tudo o que é necessário é um coração disposto. Jesus cumpre esta promessa ao iniciar o Seu ministério na Galileia. A terra que antes conhecia o sofrimento, agora ouve a mensagem de esperança. Jesus ensina, cura e chama as pessoas para segui-Lo. Mostra que Deus não se esqueceu do Seu povo. É verdade que muitas pessoas ainda se sentem como se estivessem na escuridão. A vida pode ser cheia de lutas, decepções e incertezas. A mensagem do Evangelho lembra-nos que a luz de Deus ainda brilha. Jesus está presente, trazendo esperança e chamando as pessoas para confiarem nele.

Pe. Leonard Dollentas

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *