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Paolo Santangelo, Sinologista

A sociedade chinesa actual não é muito diferente da antiga

«A cultura chinesa demonstrou ter grande flexibilidade e capacidade de ser participativa ao longo da sua história», disse a’O CLARIM o sinologista italiano Paolo Santangelo, acrescentando que esta «característica permitiu não apenas que a sua capacidade fosse constantemente renovada e enriquecida», como também a transferência de «significados, valores e símbolos da antiguidade para a modernidade» se tornasse uma realidade.

«Temos o exemplo da sinização do Budismo, uma doutrina completamente estrangeira com modelos ignorados na China», referiu Paolo Santangelo, para quem «o sincretismo e a flexibilidade deste culto são emblemáticos».

Nos tempos modernos as pessoas «parecem ter esquecido o seu passado e as suas tradições». Ao comparar a Xangai de agora com a Suzhou dos finais da dinastia Ming, frisou que se «encontram várias analogias, mas com diferenças óbvias».

Salientando que em «muitos casos essa sociedade [antiga] não é diferente da que existe agora nas grandes cidades chinesas, onde todos correm para satisfazer os seus desejos e ambições», disse que está «cheia de contradições», pois «rejeita as normas oficiais e tradicionais de valores, mas permanece irremediavelmente ligada a uma série de costumes e ritos, superstições e crenças», numa mistura que considera «formal e vital».

«As tentativas das autoridades em reforçar o Confucionismo e as culturas tradicionais também são outro aspecto da política tradicional», apontou o sinologista italiano, pois têm o propósito de «ordenar e controlar a sociedade pela ideologia e moralidade».

«As pessoas estão conscientes da sua rica herança. Mesmo que muitas delas não tenham tempo para explorar os tesouros do seu legado, é certo que apreciam quando lêem um poema, visitam um templo, ou alguns lugares históricos, e cumprem os rituais oficiais e familiares», sustentou Paolo Santangelo, notando que «permanece basicamente uma atitude prática, colorida de atitude estética, utilitária, religiosa, comunitária e individualista, tudo de acordo com as circunstâncias».

Já quanto ao impacto do Cristianismo no período das dinastias Ming e Qing, frisou que «o papel dos jesuítas foi fundamental, não só para o conhecimento da realidade chinesa na Europa, e vice-versa, como também para o encontro das culturas cristã e renascentista com a cultura chinesa».

PEDRO DANIEL OLIVEIRA 

com Aurelio Porfiri

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