Estudantes da Universidade de Línguas e Cultura de Pequim

Estudantes de Pequim no Instituto Politécnico de Macau

Aprender Português a pensar no futuro profissional

São quatro as estudantes da Universidade de Línguas e Cultura de Pequim a frequentar a licenciatura em Estudos Portugueses, com disciplinas do curso de Tradução e Interpretação de Chinês-Português do Instituto Politécnico de Macau. Têm entre 19 e 20 anos de idade e são naturais de Hong Kong, da China continental e de Macau. Em comum, acalentam o desejo de singrar na vida profissional através da língua portuguesa

«De facto, sou estudante na Universidade da Línguas e Cultura de Pequim. Nesta programa de Português podemos fazer intercâmbio em Macau e Portugal. Por isso, estudo este ano em Macau e no próximo ano vou para Leiria», disse Nicole Chan, natural de Hong Kong.

Ao ser questionada por que razão escolheu aprender a língua portuguesa, respondeu: «Por ser a quinta mais falada no mundo e por a China e os países lusófonos estarem cada vez mais focados na cooperação comercial e económica. E como Hong Kong é uma cidade cosmopolita, se calhar aprender mais uma língua será benéfico para mim quando no futuro tiver que procurar emprego».

Para esta jovem de 19 anos são imensas as vantagens em aprender a língua de Camões. «Espero receber o diploma depois de quatro anos de estudo. Se calhar terei mais oportunidades de emprego. Poderei conhecer áreas diferentes e fico satisfeita por o Português ser uma língua histórica», porque gosta muito de «entender a História», frisou.

Sobre Portugal, afirmou que conhece «um pouco a História, o fado, o futebol e outras informações básicas». «Gosto muito da cultura portuguesa. Os portugueses são extremamente simpáticos e estão sempre prontos a ajudar os outros», enalteceu.

Catarina Lee, também com 19 anos, justificou a escolha «porque nos últimos anos tem havido cada vez mais intercâmbio, em várias áreas, entre a China e os países lusófonos», razão pela qual surgiram «mais empregos relacionados com a língua portuguesa».

Assumindo que «o Português é um recurso que poderá contribuir» para a sua «carreira futura», a estudante proveniente de Dongguan, província de Cantão, espera ser «tradutora» e tornar-se «na ponte que liga a China aos países lusófonos».

Além de conhecer «a parte da cultura e História», não esqueceu de referir que «Portugal é uma potência de futebol e tem o fado» como tradição. E gosta de «dança folclórica» por ter «caraterísticas próprias» e dar-lhe «alegria», visto ser «fácil de aprender».

 

Futebol e gastronomia

Sally Mak, natural de Macau, escolheu o Português por ser «a segunda língua oficial da RAEM», sem esquecer que o território «precisa de pessoas que a falem bem». Sobre as vantagens que terá profissionalmente, adiantou: «Queria dedicar-me à tradução, porque em Macau há muitos cidadãos que não sabem falar Português e Chinês».

«Portugal é um país calmo, mas não tão rico quanto outros países da Europa», embora «no passado fosse muito forte». Nada que esmoreça o seu entusiasmo, dado que «os portugueses são muito prestáveis».

E quais as suas preferências lusitanas? «Acho que é o futebol. Já ouvi falar muito de futebol. E também da gastronomia. Devo isso à minha professora da BLCU [sigla em Inglês da Universidade de Línguas e Cultura de Pequim] que nos contou muitas coisas sobre Portugal, no geral. É claro que não é só o desporto, mas também a cultura e as bonitas paisagens. No entanto, lembro-me mais do futebol e da gastronomia», descreveu a jovem de 19 anos.

Alice Zhong, natural de Beihai, província de Guangxi, explicou a sua preferência por «gostar de aprender [uma] língua estrangeira» e porque «o Português e os Países de Língua Portuguesa têm um grande potencial de desenvolvimento».

Ainda sem saber que saídas profissionais poderão surgir, a estudante de 20 anos vincou que aprender a língua portuguesa dar-lhe-á «mais opções», visto poder trabalhar «numa empresa ou no Governo». Em suma, para ela «depende».

Sobre o que conhece de Portugal, respondeu entre sorrisos: «Cristiano Ronaldo!». Passado este momento, elaborou com prontidão: «as paisagens, gosto muito. Não apenas as paisagens! O ambiente é diferente do chinês. Ambos são bons, mas a diferença é muito interessante. Em resumo, acho que seria bom se pudesse experimentar mais…».

 

Três frentes

O director da Escola Superior de Línguas e Tradução do IPM, Luciano de Almeida, faz um balanço «fortemente positivo» na cooperação com a BLCU, «que já se alargou a outras áreas, como por exemplo aos cursos de mestrado e intercâmbio de docentes».

Tratando-se de «uma parceria que já vem desde o ano lectivo 2012/2013, ao abrigo deste protocolo já estudaram no IPM cerca de 120 alunos da BLCU», assinalou a’O CLARIM.

Nesse sentido, «os alunos são os principais beneficiários desta cooperação, na medida em que lhes permite estudar numa “escola” que tem uma forte tradição no ensino da Língua e da Cultura Portuguesa com professores de língua materna portuguesa», explicou.

De igual forma, «a imersão na multiculturalidade que caracteriza a comunidade académica do IPM e a sociedade da RAEM permite-lhes também uma aprendizagem de novas culturas, novas formas de estar e de ver o mundo», na máxima de «todos diferentes, todos iguais».

Depois de Macau os alunos vão estudar no Instituto Politécnico de Leiria (Portugal), «ao abrigo de uma parceria tripartida», que completa uma década no corrente ano, «primeiro entre o Instituto Politécnico de Macau e o Instituto Politécnico de Leiria, a que se juntou depois a BLCU».

Também aqui «o balanço só pode ser positivo» para Luciano de Almeida: «No que se refere à aprendizagem da Língua e Cultura Portuguesas, permite a imersão linguística e cultural plena dos alunos».

Ademais, no período das férias e durante as interrupções lectivas, «aproveitam para conhecer outros países europeus, aprofundando os seus conhecimentos da história e cultura europeias».

PEDRO DANIEL OLIVEIRA
pedrodanielhk@hotmail.com

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