Papa reforça alertas sobre «moda» da guerra e violações à dignidade humana
O Papa alertou na quarta-feira, no Vaticano, para os ataques contra a dignidade humana, voltando a lamentar que a guerra tenha voltado a estar «na moda» no actual contexto internacional.
«Rezemos pela paz, num momento da história que parece marcado por uma crescente perda do valor da dignidade humana e no qual a guerra voltou a estar na moda», disse Leão XIV, na saudação dirigida aos peregrinos de língua portuguesa presentes no Auditório Paulo VI, retomando preocupações manifestadas no discurso aos membros do Corpo Diplomático, a 9 de Janeiro.
Durante a Audiência Pública semanal, o Papa desejou que o exemplo de Cristo possa inspirar a construção da paz. «A humanidade de Jesus, que revela o Pai, nos ajude a encontrar caminhos de justiça e reconciliação», referiu.
Na sua Catequese, dedicada ao tema “Jesus Cristo revelador do Pai”, o Papa prosseguiu a reflexão sobre a Constituição Dei Verbum, do Concílio Vaticano II, que iniciou na última semana, sublinhando que, para conhecer Deus, é necessário acolher a «humanidade integral» de Jesus. «A verdade de Deus não se revela plenamente quando se retira algo do humano, assim como a integridade da humanidade de Jesus não diminui a plenitude do dom divino», explicou.
Leão XIV rejeitou a ideia de que Cristo seja apenas um «canal de transmissão de verdades intelectuais», afirmando que a revelação acontece num «corpo real», que sente e respira a realidade. «Não são apenas a morte e a ressurreição de Jesus que nos “salvam” e nos “convocam”, mas a sua própria pessoa», acrescentou, lembrando que Deus se revela num «diálogo de aliança», tratando a Humanidade como «amigos».
No contexto da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que decorre até amanhã (sábado), o Papa deixou também apelos aos peregrinos italianos, alemães e holandeses, apontando o tema deste ano, “Um só é o corpo, um só é o Espírito, como uma só é a esperança à qual Deus vos chamou”, uma passagem da carta de São Paulo aos Efésios.
«Pedimos ao Senhor que conceda o dom do seu Espírito a todas as Igrejas espalhadas pelo mundo para que, através dele, os cristãos afastem a divisão e criem laços sólidos de unidade», concluiu.

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