Teresa Wei Zirui

TERESA WEI ZIRUI

De Macau para a Wordzilla.

Teresa Wei Zirui saiu de Macau para estudar um ano de Português em Leiria. Regressa agora ao território depois de assinar um contrato de trabalho com uma empresa portuguesa, a Wordzilla.

São exemplos como o desta jovem da província de Hubei que fazem com que a aposta do Instituto Politécnico de Macau (IPM) na Língua Portuguesa seja uma decisão acertada.

Para já, Teresa vai regressar à China para trabalhar como responsável do desenvolvimento do mercado chinês para a Wordzilla, que agora aposta forte na Ásia. Trata-se de uma empresa líder de mercado no sector das traduções em várias línguas. De acordo com a página da empresa na Internet: “O mundo da Palavra é o habitat natural da Wordzilla. Neste meio, eclodiu uma rede de clientes de renome internacional e de tradutores nativos e bilingues, espalhados por todo o mundo. O mais importante para nós? Romper barreiras de comunicação! Abraçamos a diferença através da personalização de soluções inovadoras de modo a satisfazer as exigências de cada projecto. Oferecemos um serviço de qualidade, competitivo, de mãos dadas com as últimas tecnologias. Para nós, confidencialidade e cumprimento de prazos são requisitos mínimos. A criatividade, irreverência e garra são o que nos define e guia, todos os dias. O espírito de querermos ser os melhores em tudo o que fazemos move-nos em direcção à próxima conquista”.

Depois de terem atingido os objectivos que queriam no mercado nacional, apostam agora no mercado chinês, tendo optado por recrutar profissionais formados em Macau que vêm a Portugal para um ano lectivo. Uma estratégia que vai ao encontro dos objectivos do Instituto Politécnico de Macau: formar estudantes úteis para o mercado de trabalho.

Teresa é a primeira aposta mas, «se tudo correr como é esperado, podem seguir-se outros alunos com a qualidade do IPM», segundo nos explicou a estudante.

Como todos os outros alunos dos cursos de tradução do IPM, Teresa teve de estudar um ano em Portugal. Chegou a Lisboa a 11 de Setembro de 2016, tendo regressado apenas uma vez à China, a 10 de Abril deste ano. Iniciou o percurso escolar na “No.1 Middle School Attached to the Central China Normal University (2012-2015)” e “No.1 Middle School of Wuhan (2009-2012)”, antes de ingressar no Ensino Superior em Macau, inserida no programa de cooperação entre Hubei e a RAEM, que atribui bolsas com o objectivo de incentivar os estudantes do continente a enveredarem pela aprendizagem da língua de Camões.

A jovem de Hubei acredita que «há boas oportunidades para os talentos que sabem Português, uma vez que as relações comerciais entre a China e os países lusófonos são cada vez mais estreitas». Se se juntar esta potencialidade ao facto de existir o referido programa de cooperação, que visa colmatar a falta de bilingues falantes de Português na província de Hubei, é normal que muitos jovens apostem nesta opção de futuro, explicou ainda.

Quanto à oportunidade de vir para Leiria – parte integrante do plano de estudos da instituição de ensino em Macau – Teresa considera que é um dos pontos mais atractivos do programa, porque «é melhor aprender língua estrangeira dentro de um ambiente natural, pois assim há a oportunidade de aprofundar os conhecimentos e conhecer a cultura».

Quanto ao futuro, depois de terminar o curso, espera vir a leccionar para ajudar outros que – como ela – se apaixonem pela Língua e Cultura portuguesa. Paralelamente, neste âmbito, espera também trabalhar na área comercial.

A experiência em Portugal foi «maravilhosa, fantástica e alegre. Não só melhorei o meu desempenho académico mas também conheci melhor a cultura portuguesa e mesmo a cultura europeia. Tornei-me mais independente e giro melhor o meu dinheiro. O mais importante é que tenho agora uma mentalidade mais aberta».

De Portugal, à semelhança dos muitos colegas já contactados pel’O CLARIM, Teresa adora o ritmo lento da vida. Mas quanto ao ambiente académico, queixa-se do grupo ser constituído, essencialmente, por asiáticos. Para fazer face a esta contrariedade, procurou fazer amizades com ocidentais, nomeadamente com portugueses. Agora que está de partida, diz mesmo que fora das aulas o seu grupo de amigos é constituído tanto por asiáticos como por ocidentais.

Em relação ao futuro das relações comerciais e económicas entre a China e Portugal, prevê que «possam ser brilhantes e que Macau deve continuar a desempenhar um papel importante neste processo de relacionamento entre os dois mercados». Na qualidade de jovem profissional, deseja «contribuir para o crescimento dos negócios entre os dois países através da [sua] formação académica. E promover e transmitir a cultura dos dois países».

A concluir, deixou um recado: «Não se deve desprezar a força da cultura porque as culturas podem abrir todas as portas e promover os negócios».

JOÃO SANTOS GOMES

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