Opinião

Drones na cadeia

Drones na cadeia

Depois de descoberto um caso de tráfico de droga envolvendo dois detidos em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Coloane e um terceiro indivíduo que aguardava julgamento em liberdade, o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, anunciou – e bem – a revisão das medidas de inspecção e detecção aplicadas ao pessoal que se movimenta nas zonas prisionais.

Ao que indica a investigação, foram usados quatros telemóveis contrabandeados para dentro da prisão, que colocavam os dois detidos em contacto com o cúmplice que estava em liberdade, expediente este utilizado para gerirem um esquema de tráfico de estupefacientes.

Acredito que não terá sido a primeira vez que detidos ou presos em Coloane tenham utilizado telemóveis contrabandeados para comunicarem com o exterior, razão pela qual as medidas anunciadas, incluindo o sistema para bloqueamento do sinal de telemóvel, pecam por tardias.

No entanto, há que prestar muita atenção ao que foi anunciado pela Direcção dos Serviços Correccionais (DSC) na sequência da ocorrência, ao pretender “verificar a existência ou não de lacuna nos trabalhos de supervisão quanto à entrada e saída de pessoal e de materiais nas zonas prisionais, reforçar a força de vigilância e controlo dos reclusos, intensificar continuadamente a educação de integridade e trabalhos de prevenção do pessoal”.

Ironia das ironias, fico com a sensação que este caso até “vem em boa altura”, se se tiver em conta que não estranho nada se a DSC proceder, ou já tiver procedido, à abertura de um curso sobre a formação de pessoal para o patrulhamento aéreo com drones, que abranja, por exemplo, o Estabelecimento Prisional, sem esquecer o Instituto de Menores. O mesmo será dizer: se hoje o patrulhamento com drones é feito nos dois estabelecimentos, amanhã será em toda a RAEM!

 

Terrorismo

Em mais um relatório de segurança da empresa de consultadoria Steve Vickers e Associados, divulgado há pouco tempo, foi reiterada a vulnerabilidade de Macau face a eventuais ataques terroristas, mais concretamente nos casinos. Percebo, por um lado, a “pressão” exercida por Steve Vickers, antigo director do Gabinete de Inteligência Criminal da Polícia de Hong Kong – a área da segurança é hoje um ramo de negócio extremamente lucrativo. Por outro lado, entendo o desdizer do Governo de Macau, porque sendo a ameaça real dificilmente irá admitir que assim seja, sob pena de pôr a população em alvoroço e contribuir para a abrupta queda das receitas do Jogo.

Mesmo assim, um indício claro de que a ameaça é real advém do reforço da segurança no território. E não será certamente, única e exclusivamente, porque vigora na China continental o chamado Estado policial, nem por haver em Macau quem tenha pressa em fazer com que o Segundo Sistema se aproxime cada vez mais do Primeiro Sistema….

PEDRO DANIEL OLIVEIRA

pedrodanielhk@hotmail.com

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